O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) foi às lágrimas ao vivo na última quinta-feira (30), durante um discurso nos Estados Unidos. Em um desabafo, ele confessou o pavor de ser preso, expôs o desgaste milionário com sua defesa e disparou ataques furiosos contra ex-aliados da direita.
A cena ocorreu na inauguração da TLTV, emissora voltada ao público brasileiro nos EUA. O palco, no entanto, parecia um refúgio: Eduardo discursava ao lado do blogueiro Allan dos Santos e do ex-deputado Alexandre Ramagem, ambos considerados foragidos da Justiça no Brasil.
O pânico da Interpol e o preço da fuga
O discurso, que começou abordando a situação de isolamento do pai, Jair Bolsonaro, rapidamente se transformou em um lamento sobre o preço da pressão judicial. Com a voz embargada, Eduardo listou os pesadelos de sua rotina:
- Ameaça em aeroportos: O ex-deputado revelou o terror constante nas viagens internacionais, temendo ações de extradição. “Tem que tomar um monte de precaução com a Interpol (…) você chega num local e, sei lá, você vai ser preso”.
- Caos financeiro: A conta para escapar da prisão está alta. “Ver advogado, que é caro pra caralho”, disparou.
- O trauma familiar: O ápice da emoção ocorreu ao olhar para Allan dos Santos, foragido há anos: “Vi o Allan ficar três anos sem ver os filhos. Eu não consigo imaginar ficar tanto tempo assim. Eu sou velho e seguro a onda… podendo deixar os meus moleques em casa sem poder ver o pai.”
Fúria contra a “nova direita” e ameaça de agressão
Se de um lado sobrou choro, de outro, transbordou ódio. Eduardo usou o microfone para metralhar o que chamou de “filhas da p*** de direita”, acusando antigos aliados de tripudiarem sobre o drama de sua família para tentar ascender politicamente.
O ex-deputado não poupou palavrões ao defender a candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro, e ironizou os que criticam a hegemonia da família no campo conservador: “Não quer botar o Flávio porque é da família? Vai lá então, irmão. Se candidata aí pra você ver.”
Ele citou ataques sofridos pela esposa de Flávio, Fernanda, apontando diretamente para o deputado Kim Kataguiri, a quem acusou de dar risada enquanto “destruíam uma família”. O tom virou ameaça física clara:
“Então eu vou voltar no Brasil e vou ter vontade de pegar de porrada esses moleque.”
O evento, que deveria ser uma celebração midiática, terminou como um atestado público do desespero e do isolamento do clã bolsonarista.