A Globo se movimenta para tirar Celso Portiolli do SBT com uma proposta de cerca de R$ 3 milhões por mês e um ano de descanso antes da estreia. O plano é lançar um game-show após o “Fantástico” e redesenhar o domingo para enfrentar SBT e Record na guerra pela audiência.
Estratégia bilionária para um domingo mais forte
A negociação se desenha agora, com a previsão de uma oferta formal até dezembro. Por trás dos números está uma mudança de rota clara: a Globo quer reconquistar o público que migra para o “Domingo Legal”, sobretudo na Grande São Paulo, onde Portiolli sustenta índices incômodos para a líder de audiência.
Segundo o colunista Alessandro Lo-Bianco, a emissora carioca fala em dar uma “resposta mais contundente” à força de Celso na faixa dominical. A direção de programação vê no apresentador, hoje consolidado no SBT, a peça que falta para reorganizar o domingo, encaixando futebol, entretenimento familiar e grandes nomes como Xuxa Meneghel em uma mesma engrenagem.

O movimento atinge o coração da disputa entre as três grandes redes abertas. Ao mirar Portiolli, a Globo não apenas tenta reduzir a liderança dominical do SBT, como também pressiona a Record, que disputa ponto a ponto nesse horário. Cada ponto de audiência nessa faixa vale milhões em publicidade ao longo do ano.
Um ano fora do ar e um novo game-show após o “Fantástico”
O pacote desenhado para Celso Portiolli inclui algo raro na TV aberta: até um ano fora do ar, com salário integral, para preparar a estreia na nova casa. Esse intervalo serviria para estudar formato, dia e horário do programa, testar pilotos, revisar cenários e maturar projetos em conjunto com a criação da emissora.
“A ideia da Globo é ter um game-show para ir ao ar após o ‘Fantástico’”, resume uma fonte ligada à programação. A faixa é estratégica: se segura o público do jornalístico dominical, arrasta a audiência para a madrugada e dificulta a reação de concorrentes, que já entram em desvantagem no começo da semana.
Internamente, esse novo programa mexe com tabuleiros sensíveis. A escolha de um game-show para o domingo já provoca atritos entre equipes ligadas a Eliana e Luciano Huck, que também disputam espaço, prestígio e verbas na casa. A eventual chegada de Celso obrigaria a reordenar horários, definir quem abre e quem fecha o domingo e acomodar o futebol sem dispersar o público.
Impacto no SBT e na guerra por audiência
Celso Portiolli carrega três décadas de história com o SBT. Ao longo de 30 anos, apresenta atrações variadas, de games a musicais, e hoje é um dos rostos mais reconhecidos do canal de Silvio Santos. O “Domingo Legal” se apoia nessa identificação, que começou quando ele ainda era um apresentador jovem, e foi reforçada pelas histórias de família, pelos filhos e pela exposição de sua rotina.

Na prática, a saída de Portiolli esvazia o principal trunfo dominical do SBT. A emissora teria de reconstruir a faixa com outro nome forte ou redesenhar completamente o domingo, sob risco de perder anunciantes. A presença do personagem Narcisa, de Tiago Barnabé, também entra no radar da Globo, que avalia levar o humorista junto para reproduzir parte da química que funciona hoje no SBT.
O impacto vai além da programação. Diretórios de mídia e grandes agências estudam como uma mudança desse porte altera a divisão de verbas entre Globo, SBT e Record. Um apresentador capaz de conversar com a família inteira, da criança ao idoso, tem peso direto em campanhas de varejo, telefonia, bancos e serviços, que encontram nos domingos à tarde e à noite seu palco preferencial.
Reconfiguração do domingo e futuro de Portiolli
A Globo testa cenários que envolvem a convivência de Luciano Huck, Celso Portiolli, futebol e possivelmente Xuxa Meneghel no mesmo dia. O desenho mais citado coloca um grande programa de auditório na parte da tarde, seguido pelo esporte, o “Fantástico” e, então, o game-show de Portiolli, fechando a noite.
A movimentação também reacende a memória da rivalidade de longa data entre formatos de domingo. Eliana, hoje na Globo, e Portiolli já se enfrentam direta ou indiretamente há anos. Uma eventual reunião dos dois sob o mesmo teto, agora do lado carioca, reorganiza alianças, vaidades e expectativas no entretenimento de maior visibilidade da TV brasileira.

Para Celso, a mudança representa a maior inflexão da carreira. Depois de se tornar um rosto onipresente no SBT, conduzir quadros com crianças, enfrentar turbulências pessoais, como o enfrentamento de um câncer, e expor a vida em família com os filhos, o apresentador avalia a chance de reposicionar a própria imagem. O período de até um ano fora do ar vira uma espécie de recomeço calculado.
Enquanto as conversas avançam, SBT e Record se mexem para não perder espaço. A expectativa nos bastidores é de uma escalada de contraofertas, ajustes de contratos e reposicionamentos de grade até o fim do ano. A partir da decisão de Portiolli, o domingo da TV aberta brasileira tende a entrar em uma nova fase, com impacto direto no que o público verá, quanto tempo ficará em cada canal e quanto os anunciantes estarão dispostos a pagar por alguns minutos de atenção.