Lula e Flávio Bolsonaro empatam e dividem Brasil na eleição 2026

Pesquisa BTG/Nexus aponta empate técnico entre os principais candidatos, refletindo a polarização política no país.
Redação NC News
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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro travam uma disputa ponto a ponto pela Presidência, enquanto ampliam o confronto com Congresso, Supremo e vizinhos sul-americanos.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta semana mostra Lula com 47% e Flávio com 44% em um eventual segundo turno, diferença de três pontos dentro da margem de erro. No primeiro turno, o presidente aparece com 40% e o senador, com 35%, mantendo a eleição polarizada entre lulismo e bolsonarismo.

Empate nas pesquisas e país dividido

O levantamento BTG/Nexus escancara um país rachado. A maioria já escolheu lado e não pretende recuar: 80% dos eleitores de Lula e 83% dos de Flávio dizem que não mudarão de voto. A rejeição anda no mesmo nível elevado. Segundo a pesquisa, 48% afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 50% descartam Flávio.

Os números indicam que a margem de manobra no centro é estreita. A sondagem ainda identifica 27% de bolsonaristas convictos, 23% de lulistas convictos e apenas 23% de eleitores classificados como não polarizados. Há 8% que rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro, mas esse grupo segue minoritário e fragmentado.

Em cenários alternativos de segundo turno, Lula mantém vantagem mais folgada sobre rivais como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. O duelo com Flávio Bolsonaro, porém, segue o mais competitivo, com a menor diferença entre todos os confrontos testados pelo instituto.

Lula mira emendas e fala em ‘sequestro do orçamento’

Enquanto as pesquisas confirmam a polarização, Lula usa o programa de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral para declarar guerra ao atual modelo de emendas parlamentares. O texto classifica as emendas como “grave distorção” que “sequestra o orçamento público, dispersa os recursos e reduz a eficiência alocativa” da máquina federal.

A crítica atinge o coração do poder do Congresso, hoje sustentado por emendas individuais, de bancada, de relator e pelos repasses apelidados de emendas PIX, transferências diretas para Estados e municípios. Na prática, o presidente sinaliza que, se reeleito, vai tentar redesenhar o sistema que deu ao Legislativo controle sem precedentes sobre bilhões de reais do orçamento.

O PT tenta, porém, afastar o fantasma de um confronto aberto com deputados e senadores. “Colocar isso no programa de governo é a coisa certa a fazer para pautar a sociedade e debater com os demais candidatos”, diz Éden Valadares, secretário de Comunicação do partido. Segundo ele, a proposta busca recolocar cada poder em seu lugar. “O que o presidente tem falado e o PT sempre defendeu é um acerto de contas dos papéis constitucionais que cabem a cada Poder da República. Há um consenso nacional de que prerrogativas foram usurpadas, como no Orçamento, emendas PIX, emendas de relator, etc.”

No campo da segurança, outra frente sensível, Lula condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição. A exigência explicita que a reestruturação passará, necessariamente, por negociação intensa com o Congresso, o mesmo que hoje se beneficia do modelo de emendas que o presidente ataca.

Flávio dobra a aposta contra o STF

Flávio Bolsonaro reage ao avanço de Lula na agenda institucional com uma ofensiva frontal ao Supremo Tribunal Federal. O senador escolhe como alvo preferencial o ministro Alexandre de Moraes, relator de investigações que atingem o bolsonarismo e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em declarações recentes, Flávio chamou de “desumana, insana e injusta” a decisão de Moraes que barrou uma visita sua ao pai no Dia dos Pais, em razão de restrições impostas ao ex-presidente. O senador transforma o episódio em símbolo de um Judiciário que, segundo ele, extrapola seus limites e persegue adversários políticos.

A estratégia mira diretamente a base bolsonarista mais mobilizada, para quem o STF se tornou inimigo prioritário. Ao mesmo tempo, aumenta a tensão entre poderes, em um cenário em que a campanha presidencial já pressiona a corte. A postura de confronto tende a resultar em novos embates judiciais, inclusive sobre desinformação eleitoral e ataques às instituições.

Crise com Milei expõe economia regional fragilizada

Enquanto a política doméstica ferve, a relação de Lula com o presidente argentino Javier Milei se deteriora e ameaça a já frágil integração econômica latino-americana. Milei voltou a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto” em visita ao Brasil para apoiar Flávio Bolsonaro, ampliando a ofensiva verbal contra o petista.

O governo brasileiro reagiu convocando o embaixador em Buenos Aires para consultas e adiando seu retorno à capital argentina, num gesto clássico de esfriamento diplomático. A crise se soma a divergências ideológicas mais amplas e ocorre no pior momento possível para o comércio regional.

Estudo recente da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe mostra que o comércio intrarregional caiu de 21% em 2008 para 14% das exportações totais em 2024, o menor nível em quase duas décadas. Em contraste, blocos como a União Europeia mantêm mais de 60% de suas vendas dentro da própria região.

A Cepal lembra que a América Latina, com mais de 660 milhões de habitantes e um PIB combinado de US$ 6,8 trilhões, desperdiça escala e capacidade de diversificar riscos. As tensões políticas, como a disputa entre Lula e Milei, funcionam como barreiras adicionais à negociação de acordos e à redução de tarifas entre vizinhos.

No estudo, um dos autores, o ex-presidente colombiano Iván Duque, prega pragmatismo. “Precisamos despolitizar a integração comercial. A integração não é de esquerda nem de direita; pelo contrário, ela nos fortalece, abre oportunidades de negócios e nos torna menos vulneráveis”, afirma.

Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente

A combinação de empate técnico, guerra ao modelo de emendas, ataques ao STF e crise com a Argentina cria um ambiente de instabilidade que tende a se intensificar nos próximos meses. Lula tenta recuperar controle sobre o orçamento e mostrar disposição para reorganizar áreas como a segurança pública, mas depende de um Congresso que hoje resiste a perder poder.

Flávio Bolsonaro aposta no desgaste das instituições, sobretudo do Supremo, para manter a base mobilizada e reduzir a vantagem do presidente. A tática pode fortalecer seu desempenho nas pesquisas, mas aumenta o risco de choques institucionais num país ainda marcado pelos conflitos do ciclo bolsonarista.

No plano externo, a continuidade da crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires ameaça encalhar qualquer agenda de reaproximação regional em meio à pior fase do comércio intrarregional em quase 20 anos. A América Latina fica mais vulnerável a choques externos e perde espaço em cadeias globais de valor.

Os próximos capítulos passam pelo Congresso, que será chamado a decidir sobre eventuais mudanças nas emendas e sobre as PECs da segurança pública e da jornada de trabalho, e pelas ruas, onde a disputa Lula x Flávio tende a se acirrar à medida que o segundo turno se aproxima. Na frente regional, a incógnita é se Lula e Milei serão capazes de separar a retórica eleitoral da necessidade de preservar interesses econômicos comuns.

O que mostra a pesquisa BTG/Nexus sobre Lula e Flávio?

A pesquisa BTG/Nexus mais recente mostra Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro, enquanto no primeiro turno o presidente lidera com 40% contra 35% do senador, num cenário de alta polarização e rejeição mútua.

O que Lula propõe em relação às emendas parlamentares?

O programa de governo de Lula protocolado no TSE classifica as emendas parlamentares como um “sequestro do orçamento” e promete rever o modelo, apontado como grave distorção na gestão federal, sinalizando que uma eventual reeleição virá acompanhada de tentativa de reduzir o poder do Congresso sobre a alocação de recursos.

Por que Flávio Bolsonaro ataca o ministro Alexandre de Moraes?

Flávio Bolsonaro intensifica ataques ao ministro Alexandre de Moraes após a decisão que manteve proibida sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Dia dos Pais, classificando a medida como “desumana, insana e injusta”, num movimento que busca mobilizar a base bolsonarista e reforçar o discurso de perseguição judicial.

Como a crise Lula–Milei afeta o comércio na América Latina?

A crise entre Lula e Javier Milei, marcada por ofensas públicas e pela convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, agrava um contexto em que o comércio intrarregional já caiu de 21% para 14% das exportações totais, dificultando acordos, mantendo altas barreiras e enfraquecendo a integração econômica latino-americana.


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