Uma decisão da Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, provocou repercussão no meio católico. O padre Rodrigo de Oliveira da Silva foi excomungado após a diocese constatar sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo católico ultraconservador.
A decisão foi comunicada pelo bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, em nota pastoral divulgada na última sexta-feira (7).
Segundo a diocese, a situação ocorreu porque a fraternidade passou a ser considerada em situação de cisma após ordenar quatro bispos sem autorização do papa, em 1º de julho deste ano. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou um decreto e uma nota explicando as consequências canônicas das ordenações.
padre entra no centro de uma disputa dentro da igreja
De acordo com a Diocese de Jundiaí, a adesão de Rodrigo à fraternidade colocou o religioso em situação de cisma e excomunhão.
A diocese também declarou que os atos realizados pelo sacerdote passaram a ser considerados ilícitos.
Um dos pontos mais delicados envolve os sacramentos da Penitência e do Matrimônio. Segundo a autoridade religiosa, absolvições concedidas pelo padre e casamentos celebrados por ele são considerados inválidos.
A orientação oficial é para que os fiéis não participem de celebrações, atividades pastorais ou iniciativas de formação promovidas pelo religioso no espaço que ele coordena.
padre já havia deixado a diocese
A decisão não aconteceu de forma repentina.
Rodrigo já havia solicitado afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro, meses antes da excomunhão.
Depois de pedir o desligamento, o padre lançou uma campanha na internet para arrecadar dinheiro e abrir uma igreja própria em Campo Limpo Paulista.
A vaquinha virtual já ultrapassou R$ 70 mil em doações, segundo o UOL.
o que é a fraternidade são pio x?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é um grupo católico ultratradicionalista conhecido por sua defesa de práticas litúrgicas tradicionais.
O grupo entrou novamente em conflito com a hierarquia da Igreja Católica após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa.
O Vaticano havia alertado anteriormente que uma eventual ordenação sem autorização poderia configurar uma ruptura com a autoridade papal.
A situação acabou desencadeando novas medidas canônicas contra integrantes ligados à fraternidade.
padre já havia criticado o rumo da igreja
Antes da excomunhão, Rodrigo havia publicado vídeos nas redes sociais explicando por que não pretendia retornar à rotina paroquial.
Em uma das declarações, o padre afirmou que gostaria de voltar a uma paróquia, mas criticou o que considera uma mudança na forma como algumas comunidades católicas conduzem suas celebrações.
Ele também disse que preferia estar novamente em uma paróquia e junto dos fiéis, mas afirmou que era necessário “se levantar com coragem” diante do cenário que observava.
Na época, o religioso declarou que não era membro oficial da Fraternidade São Pio X, mas que mantinha relação de amizade e recebia apoio espiritual de sacerdotes ligados ao grupo.
campanha para abrir nova igreja ganha destaque
Outro ponto que chamou atenção no caso foi a campanha criada pelo padre para financiar um novo espaço religioso.
A arrecadação tem como objetivo viabilizar uma igreja própria em Campo Limpo Paulista e já ultrapassou a marca de R$ 70 mil.
A iniciativa ganhou ainda mais visibilidade após o anúncio da excomunhão.
o que muda após a excomunhão?
Com a decisão da Diocese de Jundiaí, as atividades realizadas pelo padre Rodrigo deixam de ser reconhecidas como estando em comunhão com o bispo diocesano e com o papa.
A própria diocese orientou os fiéis a evitarem as atividades promovidas no espaço coordenado pelo sacerdote.
O caso mostra mais um episódio de tensão entre setores ultratradicionalistas e a hierarquia da Igreja Católica.
Agora, a situação do padre Rodrigo passa a ser acompanhada de perto diante dos efeitos religiosos e canônicos provocados pela sua ligação com a Fraternidade São Pio X.