O atacante Paulinho, camisa 10 do Palmeiras, segue fora do time e não tem data certa para voltar. Em recuperação de uma lesão muscular no adutor da coxa direita, o jogador enfrenta mais uma etapa delicada da sua trajetória recente no clube.
O Palmeiras trabalha com a previsão de aproximadamente duas semanas adicionais de tratamento, mas evita assumir prazos públicos. A comissão técnica, comandada por Abel Ferreira, decide priorizar a plena readaptação física do atacante, mesmo diante da pressão da torcida pela volta imediata.
Nova lesão em meio ao retorno e pressão da arquibancada
Paulinho volta a ser titular contra o Atlético-MG após 441 dias afastado e vê a chance de recomeçar ruir rapidamente. No jogo do retorno, sofre uma entorse no tornozelo esquerdo e volta ao departamento médico. Durante a recuperação do tornozelo, surge a atual lesão muscular na coxa direita.
O cenário reacende a preocupação em torno de um jogador que chega ao Palmeiras como principal aposta ofensiva. Contratado no início de 2025 por cerca de 18 milhões de euros, algo em torno de R$ 115 milhões à época, Paulinho carrega o rótulo de investimento pesado e a expectativa de ser protagonista imediato.

Desde então, porém, o atacante alterna poucos momentos em campo com longos períodos de tratamento. A sequência de problemas físicos contrasta com o histórico recente de fraturas por estresse na perna direita, que já o tiram dos gramados por mais de um ano até o duelo contra o Atlético-MG. Entre cirurgias, fisioterapia e treinos de recondicionamento, a volta em alto nível segue adiada.
Abel afasta temor por fratura e prega paciência
Abel Ferreira faz questão de separar o atual quadro das lesões anteriores de Paulinho. O treinador reforça que a fratura por estresse na perna direita, que exige duas cirurgias em anos recentes, não tem relação com o problema muscular que agora o tira de ação.
“O bom disto, se há coisa boa disso, é que não foi na perna, portanto a perna é um assunto que está mais que ultrapassado, é uma questão muscular, portanto agora é recuperar e quando estiver pronto seguramente que nos vai ajudar”, afirma Abel. O técnico insiste que o momento passa mais pela transição física do que por qualquer resquício ósseo.
Na leitura da comissão técnica, o desejo de responder ao investimento pesa no comportamento do atacante.
“Ele quer tanto mostrar, quer tanto justificar o investimento, quer tanto, que a lesão que ele acabou por ter foi mais vontade do que… e foi num lance inacreditável”, diz o treinador.
A interpretação reforça a ideia de frear a ansiedade do atleta e blindá-lo de novas recaídas.
Números, frustração e custo da cautela
Desde que chega ao Palmeiras, Paulinho disputa 25 partidas, marca cinco gols e distribui duas assistências. Em 2026, quando está disponível, balança as redes contra Flamengo e Chapecoense e sugere uma retomada possível. A sequência é de novo interrompida por problemas físicos, agora concentrados na readaptação muscular.
O peso financeiro da operação aumenta a cobrança. Os 18 milhões de euros pagos pelo atacante colocam a transação entre as mais altas do futebol brasileiro recente. Cada semana a mais no departamento médico alimenta questionamentos sobre custo-benefício, gestão de elenco e critérios de contratação de atletas com histórico clínico delicado.

O impacto esportivo é imediato. Paulinho é pensado para ser referência ofensiva do time de Abel, capaz de atacar a área, acelerar transições e definir jogos grandes. Sem ele, o treinador precisa redesenhar o setor, distribuir protagonismo entre outros atacantes e encontrar soluções internas enquanto o camisa 10 trabalha em treinos fechados com fisiologistas e preparadores físicos.
Prioridade é a carreira, não o próximo jogo
A opção de não fixar data para o retorno funciona como recado público. O clube sinaliza que não pretende correr riscos em nome de uma resposta rápida ao torcedor. Médicos, fisioterapeutas e preparação física mantêm um plano específico para o jogador, ajustado semanalmente, com foco em suportar a intensidade dos treinos e das partidas sem novos rompimentos.
Para Paulinho, o cenário é ambíguo. De um lado, a demora prolonga a frustração e a cobrança externa por resultados à altura do investimento. De outro, a ausência de pressa reduz o risco de nova lesão, o que poderia comprometer não só a passagem pelo Palmeiras, mas a própria continuidade da carreira em alto nível.
Abel insiste no discurso de proteção ao elenco e mantém, ao menos publicamente, confiança no protagonismo futuro do atacante. A torcida, que já demonstra impaciência nas redes sociais e em jogos no Allianz Parque, precisa lidar com um horizonte incerto: duas semanas projetadas de recuperação, mas nenhuma garantia de que, ao fim desse prazo, o camisa 10 estará pronto para voltar.
O caso de Paulinho tende a influenciar decisões futuras do clube, tanto em novas contratações quanto no manejo de jogadores com histórico médico complexo. O Palmeiras testa, na prática, até onde está disposto a ir para priorizar a saúde de um ativo caro e importante, mesmo que isso signifique abrir mão de impacto imediato em campo.