A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Narciso, uma megaoperação contra uma rede investigada por produzir e comercializar anabolizantes clandestinos no Brasil.
Segundo a investigação, o esquema tinha ramificações no Distrito Federal e em outros sete estados, além de conexões com o Paraguai. A operação é considerada pela PCDF uma das maiores ações do ano contra o mercado ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas.
Justiça determina bloqueio de R$ 32 milhões
Ao todo, foram expedidos 43 mandados de prisão, entre preventivas e temporárias, além de 64 mandados de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos.
As ações ocorrem no Distrito Federal, Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais.

Produção clandestina acontecia em locais improvisados
De acordo com as investigações, parte dos produtos era fabricada artesanalmente em casas, cozinhas, depósitos e outros locais sem condições adequadas de higiene e controle sanitário.
A polícia identificou uma estrutura responsável pela fabricação, fornecimento de insumos, criação de rótulos, divulgação e distribuição dos produtos.
Segundo a investigação, substâncias eram misturadas e transformadas em produtos destinados ao mercado de academias e ao público interessado em ganho de massa muscular, emagrecimento e estética.
Produtos escondiam substâncias perigosas
A investigação aponta que alguns produtos comercializados pela organização continham substâncias que não apareciam corretamente nos rótulos.
Entre os componentes identificados estão clembuterol, sibutramina, fluoxetina, bupropiona e diuréticos.
A falta de controle sanitário e a utilização de substâncias sem garantia de procedência podem provocar infecções, reações alérgicas, abscessos e outros problemas graves.
Segundo a PCDF, também foram identificados riscos relacionados a problemas cardiovasculares, pressão arterial elevada, AVC e outras complicações.
Influenciadores e profissionais aparecem na investigação
A organização investigada teria contado com a participação de influenciadores digitais, nutricionistas, biomédicos, veterinários e personal trainers, segundo a polícia.
Parte dessas pessoas teria atuado na divulgação, comercialização ou intermediação dos produtos.
As redes sociais eram utilizadas para promover os anabolizantes e atrair consumidores interessados em resultados rápidos.
Esquema teria movimentado milhões
A investigação aponta que os integrantes da organização mantinham um alto padrão de vida com o dinheiro obtido por meio do comércio ilegal.
Segundo a PCDF, havia utilização de veículos de luxo, viagens internacionais e imóveis de alto padrão.
A polícia também identificou mecanismos utilizados para tentar ocultar a origem dos recursos.
Dinheiro era movimentado por diferentes mecanismos
Uma das formas identificadas pelos investigadores envolvia casas de apostas online.
Segundo a apuração, integrantes do grupo fracionavam valores em transferências via Pix e utilizavam plataformas de apostas para posteriormente movimentar e sacar o dinheiro.
A investigação estima que cerca de R$ 4 milhões tenham sido lavados por esse mecanismo.
Também foram identificadas empresas e contas de terceiros utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Investigação começou em operação realizada em 2025
A apuração que resultou na Operação Narciso teve origem na Operação Béquer, realizada em fevereiro de 2025.
Na ocasião, policiais encontraram em um apartamento anabolizantes, insumos, cápsulas, equipamentos e rótulos.
A análise dos celulares apreendidos ajudou os investigadores a identificar uma rede de fornecedores, laboratórios clandestinos, gráficas, transportadores e vendedores.
A partir dessas informações, a polícia conseguiu mapear uma estrutura que teria conexões em diferentes estados brasileiros e no Paraguai.
Mais de 20 estabelecimentos foram lacrados
Durante a operação, mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, segundo a PCDF.
Também foram apreendidos 10 veículos de luxo, enquanto mais de 30 sites utilizados para a venda ilegal de produtos foram retirados do ar.
A investigação continua para identificar todos os integrantes e dimensionar o patrimônio obtido por meio do esquema.
Polícia alerta para riscos dos produtos clandestinos
O delegado Rodrigo Carbone afirmou que a investigação não trata apenas da venda irregular de esteroides, mas de uma estrutura criminosa voltada à produção e distribuição de substâncias sem controle sanitário.
A operação busca atingir toda a cadeia do mercado clandestino de anabolizantes, desde a obtenção das matérias-primas até a fabricação, divulgação e venda dos produtos.
A Operação Narciso continua em andamento e novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades.