Terremotos: por que tremores em países vizinhos podem ser sentidos no Brasil?

Terremoto na Colômbia atingiu cidades como Cali, Pereira e Manizales, provocou desabamentos e também foi sentido no Brasil; especialista explica por que a energia liberada consegue atravessar grandes distâncias
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Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia e deixou um rastro de destruição em diferentes regiões do país no início desta semana. O tremor provocou desabamentos, danificou casas e prédios e mobilizou equipes de emergência em uma operação que continua nesta quarta-feira, enquanto as autoridades atualizam o balanço de vítimas e dos estragos.

O epicentro foi localizado na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, mas os efeitos do terremoto foram sentidos muito além da área mais próxima ao ponto de origem. Cidades como Cali, Pereira, Manizales, Quibdó e outras localidades registraram danos em imóveis e estruturas. O tremor também foi percebido em países vizinhos.

Em Manizales, uma das cidades atingidas, prédios apresentaram rachaduras, fachadas desabaram e imóveis precisaram ser avaliados pelas equipes responsáveis pela segurança estrutural. Moradores também retiraram pertences de casas e edifícios considerados de risco.

Enquanto os números da tragédia ainda podem mudar, a prioridade permanece sendo encontrar pessoas que possam estar sob os escombros. Nesta quarta-feira, equipes de resgate conseguiram retirar uma mulher com vida depois de mais de um dia presa em meio aos destroços em Pereira. Em Cali, um bebê também foi encontrado com vida durante os trabalhos de busca.

O que provoca um terremoto?

A explicação está no movimento das placas tectônicas. A superfície da Terra é formada por grandes blocos de rocha que se movimentam lentamente. Em determinados pontos, esse movimento acumula tensão nas rochas e nas falhas geológicas.

Quando a tensão supera a resistência das rochas, ocorre uma ruptura ou deslocamento repentino. É nesse momento que uma grande quantidade de energia é liberada na forma de ondas sísmicas, que se espalham pelo interior e pela superfície da Terra e provocam o tremor.

A Engª Erika Pádua, coordenadora da ASSEMG, explica que a quantidade de energia liberada em um terremoto ajuda a entender por que seus efeitos podem ser percebidos a grandes distâncias.

“É muito forte, as ondas sísmicas podem percorrer grandes distâncias e serem percebidas longe do epicentro. Uma grande quantidade de energia é liberada dentro da Terra”, explica.

Segundo Erika, essa energia se espalha em forma de ondas sísmicas. Para facilitar a compreensão, ela compara o fenômeno ao movimento provocado quando uma pedra cai na água.

“É parecido com o que acontece quando a gente joga uma pedra na água. Então, a pedra cai, cria ondas que vão se espalhando ali para bem longe. No terremoto, claro, é um processo muito mais complexo, mas a ideia de que a energia se propaga para as outras regiões é da mesma forma”, afirma Pádua.

A comparação ajuda a explicar por que uma pessoa pode sentir um terremoto mesmo estando muito distante do epicentro. Quanto mais energia é liberada, maior pode ser a área alcançada pelas ondas, embora a intensidade percebida varie de acordo com a distância, a profundidade do tremor e as características do terreno e das construções.

Turista relembra terremoto no Chile

O terremoto também provocou uma reação imediata entre estrangeiros que já passaram por situações semelhantes. O turista chileno Felipe Negrete, que está no Brasil, relatou que viveu um forte terremoto no Chile em 2010 e afirmou que conhece de perto o medo provocado por um tremor dessa intensidade.

“Venho de um país muito sísmico. Sei o que é viver um terremoto e pobres dos cidadãos que são os que vão passar o pior neste momento. Ah, é uma pena, é uma pena. Eu vivi um terremoto muito forte no Chile, no ano de 2010. Não estive no epicentro, mas estive um pouco mais longe, e foi bastante forte também.”

O professor Muhammad Bin Hassan, do Instituto do Mar da Unifesp, conta que já ficou preso dentro de um prédio que desabou durante um terremoto e precisou ser resgatado.

“Eu tenho muito medo de terremoto porque já fiquei preso em um prédio que desabou por conta de um terremoto, eu fui resgatado de lá. Eu tenho muito medo. Embora eu já tenha ido em todos os países onde tem terremoto, por exemplo, mês passado eu voltei, e no dia que voltei para o Brasil ocorreram dois terremotos muito fortes no Japão. Quando o solo começa a tremer, já sinto que pode acontecer qualquer coisa”, relembra Bin Hassan.

Por que a Colômbia registra tantos terremotos?

A Colômbia está em uma região de intensa atividade sísmica, próxima à Cordilheira dos Andes e ao Oceano Pacífico. O território colombiano sofre influência da interação entre diferentes placas tectônicas, o que favorece a ocorrência de terremotos.

O histórico sísmico do país também mostra que regiões como Chocó, Valle del Cauca, Risaralda, Caldas, Quindío e outras áreas do oeste colombiano estão expostas a uma atividade sísmica significativa. Estudos sobre o risco de terremotos no país apontam justamente o Eixo Cafeeiro e o norte do Valle del Cauca entre as regiões historicamente afetadas por tremores importantes.

E existe outro detalhe importante: um terremoto forte não precisa acontecer exatamente dentro de uma grande cidade para ser sentido por milhares de pessoas. As ondas sísmicas podem percorrer grandes distâncias e alcançar regiões muito afastadas do epicentro.

Tremor também foi sentido no Brasil

Os efeitos do terremoto ultrapassaram as fronteiras colombianas. Moradores de Manaus relataram ter percebido o abalo, mostrando como as ondas sísmicas podem viajar por longas distâncias.

A percepção de um tremor em uma região distante do epicentro não significa, necessariamente, que o local esteja sob o mesmo nível de risco registrado na área mais atingida. O impacto depende de fatores como magnitude, profundidade, distância do epicentro e características do terreno e das construções.

Por isso, sentir um tremor vindo de um terremoto ocorrido em outro país não significa automaticamente que o Brasil esteja enfrentando uma situação de emergência ou que um terremoto de intensidade semelhante esteja acontecendo em território brasileiro.

O Brasil corre risco de sofrer um terremoto como esse?

O Brasil também registra terremotos, mas a maior parte da atividade sísmica brasileira ocorre longe das áreas de encontro direto entre grandes placas tectônicas. Por isso, terremotos de grande intensidade são menos frequentes no território brasileiro.

Isso não significa que o país esteja livre de tremores. Abalos de diferentes magnitudes já foram registrados em várias regiões brasileiras. Além disso, um terremoto ocorrido em outro país pode ser percebido no Brasil quando suas ondas sísmicas percorrem grandes distâncias.

A especialista Erika Pádua destaca que o movimento da Terra é permanente e que a discussão sobre terremotos também envolve a capacidade de preparação das sociedades.

“E olhando para o futuro, a grande pergunta não é apenas: vamos ter terremoto? E sim: estamos preparados para viver num planeta que está sempre em movimento? Porque esse movimento não vai parar, é o movimento da Terra”, explica a profissional.

Resgate continua entre os escombros

Na Colômbia, o cenário ainda é de busca e incerteza. Equipes de emergência continuam trabalhando em áreas atingidas, utilizando máquinas, cães farejadores e voluntários para procurar possíveis sobreviventes.

O trabalho é feito com cuidado porque estruturas danificadas podem desabar novamente. Além disso, novos tremores secundários podem aumentar os riscos para moradores e socorristas. Até esta quarta-feira, mais de uma centena de réplicas já havia sido registrada após o terremoto principal.

As autoridades continuam atualizando o balanço de vítimas, feridos e danos estruturais. Por isso, os números divulgados ao longo da cobertura podem mudar conforme novas áreas são alcançadas e as equipes conseguem verificar os locais atingidos.

Entenda o contexto

O terremoto aconteceu na manhã de segunda-feira, 10 de agosto, na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, na Colômbia. O tremor, de magnitude 7,4, foi sentido em grande parte do país e atingiu com força regiões como o Eixo Cafeeiro e o Valle del Cauca.

A força do abalo provocou danos em casas, prédios e outras estruturas. Em algumas cidades, moradores precisaram deixar os imóveis por causa do risco de novos desabamentos.

A explicação para o tremor ser percebido tão longe está na propagação das ondas sísmicas. A enorme quantidade de energia liberada durante a ruptura das rochas se espalha pela Terra e pode alcançar regiões distantes do epicentro.

Agora, a prioridade das equipes é localizar possíveis sobreviventes, avaliar os imóveis danificados e garantir atendimento às pessoas que perderam suas casas ou ficaram feridas.

O balanço da tragédia continua sendo atualizado pelas autoridades colombianas. Enquanto isso, o episódio também chama atenção para uma questão que ultrapassa as fronteiras da Colômbia: como países e cidades podem se preparar para viver em um planeta cujo movimento nunca para?

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