Cinema indiano acompanha Hollywood e investe em Imax em novo épico

Produção inovadora com orçamento bilionário e elenco de peso promete transformar a experiência do público.
Redação NC News
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O diretor indiano S. S. Rajamouli transforma seu novo épico, “Varanasi”, em laboratório máximo da tecnologia IMAX, com praticamente todos os fotogramas rodados nas câmeras de grande formato e orçamento estimado em mais de US$ 150 milhões.

O projeto, que tem Mahesh Babu, Priyanka Chopra Jonas e Prithviraj Sukumaran no elenco principal, surge na esteira do sucesso de “A Odisseia”, de Christopher Nolan, e amplia a disputa por superproduções pensadas sob medida para salas IMAX ao redor do mundo.

Após ‘A Odisseia’, Índia entra no jogo pesado do IMAX

O filme se consolida como apenas o segundo longa-metragem de grande porte rodado inteiramente em IMAX e o primeiro nessa escala em um idioma diferente do inglês. A decisão marca um ponto de virada para a indústria indiana, que passa a disputar a vitrine tecnológica antes dominada por produções de Hollywood.

Rajamouli segue o caminho aberto por Nolan, que ajuda a resolver entraves históricos do formato, como o ruído intenso das câmeras durante a filmagem. As soluções desenvolvidas para “A Odisseia” permitem usar IMAX em praticamente todas as cenas, não só em trechos de ação ou paisagens grandiosas.

“Varanasi” leva essa lógica ao extremo. A produção confirma que a tecnologia de grande formato estará presente em praticamente todo o filme, transformando a superprodução em um teste de estresse para a infraestrutura de salas IMAX e para a capacidade das equipes técnicas indianas de operar em padrão global.

Varanasi, filme do diretor de RRR, será filmado completamente em Imax

Rudhra, Varanasi e uma aventura que cruza milênios

Na trama, Mahesh Babu interpreta Rudhra, um herói empurrado para uma missão que supera sua própria compreensão. Ele atravessa milhares de anos e continentes, da África à Antártida, enquanto a cidade sagrada de Varanasi, às margens do Ganges, enfrenta a ameaça da queda iminente de um asteroide.

Rajamouli descreve o protagonista como um personagem em conflito permanente entre força e fragilidade. “Rudhra nasceu para cumprir um propósito muito maior do que ele mesmo. Ele carrega um destino que não escolheu. É engenhoso, vulnerável e feroz. Foi isso que Mahesh trouxe ao personagem. Qualquer pessoa pode interpretar um personagem feroz. Poucos conseguem ser ferozes e frágeis ao mesmo tempo”, afirma o diretor.

Rajamouli, diretor do novo longa “Varanasi”

Ao lado de Babu, Priyanka Chopra Jonas e Prithviraj Sukumaran ajudam a posicionar “Varanasi” como produto global, com elenco familiar tanto ao público indiano quanto aos espectadores de mercados como Estados Unidos e Europa. A estratégia dialoga com a ambição visual do projeto: o filme mira as mesmas telas gigantes que consagram “A Odisseia” como fenômeno de bilheteria em IMAX.

Captura de movimento, orçamento gigante e possível divisão em duas partes

A aposta técnica vai além das câmeras. A produção investe em uma sofisticada técnica de captura de movimento em uma sequência de aproximadamente 25 minutos, algo raro mesmo entre blockbusters de Hollywood. A cena promete combinar interpretação dos atores com ambientes digitais em ultra-alta definição, aproveitando cada centímetro do quadro IMAX.

O custo acompanha a ambição. O orçamento estimado ultrapassa US$ 150 milhões, valor que coloca “Varanasi” entre as produções mais caras já realizadas na Índia e aproxima o filme das maiores apostas do cinema comercial global. A conta só fecha se o longa se tornar um evento em salas IMAX e convencionais, dentro e fora do país.

Mahesh Babu faz dois papéis como Rudhra e Lord Rama

Diante da escala da história e da duração prevista, circula o rumor de que “Varanasi” pode ser dividido em duas partes de cerca de três horas cada. A divisão, ainda não confirmada oficialmente, transformaria o projeto em um díptico de seis horas, com potencial para dobrar a presença do épico no circuito de grandes formatos e ampliar receitas de ingressos.

Como o IMAX muda a disputa por público e salas

Filmar quase tudo em IMAX altera a equação de produção. As câmeras são maiores, exigem mais planejamento, iluminação específica e uma equipe treinada para lidar com custos altos por minuto de filmagem. Erros se tornam mais caros; cada tomada precisa chegar perto do ideal.

Em troca, o filme ganha imagens mais nítidas, com campo de visão ampliado e sensação de profundidade que favorece paisagens, cenas de destruição em grande escala e momentos íntimos de personagens. Nas salas IMAX plenamente equipadas, o público vê mais quadro e ouve com maior definição, o que tende a justificar ingressos mais caros e sessões especiais de estreia.

Distribuidoras e exibidores saem em busca de programação capaz de lotar essas salas, ainda em número restrito em países como o Brasil. Quando uma produção promete mais de três horas de “espetáculo de tela cheia” e um nome de peso como Rajamouli, redes de cinema tendem a reservar janelas privilegiadas e campanhas de marketing agressivas.

Produções menores, por outro lado, podem sentir o impacto. A concentração de salas premium em torno de um único título por semanas reduz espaço para filmes independentes ou de médio orçamento, que acabam confinados a horários alternativos e menos telas.

Pressão por resultado e futuro do grande formato

O movimento de Rajamouli aumenta a pressão por um desempenho comercial à altura do investimento. Se “Varanasi” repete, em escala indiana, o efeito de evento que “A Odisseia” provoca no circuito internacional, a Índia consolida sua posição como polo de inovação em grandes formatos, com impacto direto na atração de coproduções e talentos estrangeiros.

Em caso de desempenho aquém do esperado, o setor pode se tornar mais cauteloso com projetos gigantes em IMAX, especialmente fora do eixo de língua inglesa. A experiência, porém, tende a deixar um legado técnico: equipes mais treinadas, infraestrutura atualizada e público mais familiarizado com a ideia de que o “IMAX filme” é um tipo específico de experiência, não apenas uma tela maior.

Os próximos passos incluem a finalização da pós-produção, a eventual confirmação da divisão do longa em duas partes e a definição de uma estratégia de lançamento que privilegie salas IMAX de mercados-chave, de Mumbai a Nova York, passando por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. O resultado pode influenciar a forma como grandes estúdios enxergam o potencial de produções em outros idiomas no circuito premium.

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