O Fluminense demite nesta quinta-feira o técnico Luis Zubeldía e toda a sua comissão após o empate em 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, no Maracanã, pelas oitavas da Libertadores. O auxiliar permanente Marcão assume o comando interinamente enquanto a diretoria busca um novo treinador.
Sequência sem vitória e pressão crescente
A decisão encerra uma passagem de 61 partidas, com 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas. O desgaste se concentra no presente: o time chega a oito jogos sem vencer, acumula eliminações e perde fôlego no Campeonato Brasileiro.
A eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, em confronto direto, acende o sinal de alerta. O empate recente com o Botafogo, também no Brasileirão, reforça a sensação de que o rendimento despenca nos momentos decisivos. A gota d’água vem com o 0 a 0 contra o Independiente Rivadavia, em casa, pela ida das oitavas da Libertadores.

Libertadores sob risco e ambiente pesado
O desempenho na competição continental já preocupa antes do mata-mata. O Fluminense se classifica em segundo lugar no grupo, com Deportivo La Guaira, Independiente Rivadavia e Bolívar, graças a uma combinação de resultados na última rodada. A campanha irregular alimenta a desconfiança sobre o trabalho de Zubeldía.
O empate sem gols no Maracanã, em um jogo em que o time cria pouco e pouco ameaça o rival, transforma a volta na Argentina em decisão de alto risco. A diretoria conclui que não há margem para apostar em uma virada de chave com o técnico atual e decide pela ruptura ainda entre os dois jogos das oitavas.

Brasileirão escapa e clássicos pesam
No Campeonato Brasileiro, o enredo segue a mesma linha de frustração. O Fluminense começa bem, briga na parte alta da tabela, mas vê o rendimento despencar. Hoje, o Palmeiras abre 13 pontos de vantagem, o que esvazia o discurso de briga direta pelo título nacional.
Os clássicos também cobram seu preço na avaliação interna. Sob o comando de Zubeldía, o Fluminense sofre duas eliminações na Copa do Brasil para o Vasco e perde um título estadual para o Flamengo, com o vice no Carioca. Mesmo com um quarto lugar no Brasileirão passado como melhor resultado, o peso das decisões negativas mina a confiança no projeto.
Vestiário em alerta e figuras expostas
As declarações dos líderes do elenco ajudam a desenhar o clima no vestiário. O capitão Thiago Silva admite a má fase e fala abertamente em responsabilidade coletiva após o empate com o Independiente Rivadavia. O zagueiro resume o diagnóstico ao cobrar “cada um assumir a responsabilidade”.
Hulk, principal nome do ataque e alvo de vaias frequentes no Maracanã, tenta blindar o grupo, mas não esconde o incômodo. O atacante diz entender as cobranças da arquibancada e garante que mantém a confiança no próprio futebol: “Isso não vai me desanimar”.
Saída em bloco e aposta em Marcão
Com Zubeldía, deixam o clube os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo, Alejandro Escobar e o preparador físico Lucas Vivas. A diretoria agradece publicamente a dedicação do grupo e encerra o ciclo em bloco, sinalizando uma mudança mais profunda na rotina do departamento de futebol.

Marcão, auxiliar-técnico permanente, assume imediatamente o comando dos treinos e do time. O ex-volante, figura conhecida da torcida e do elenco, tem a missão de reorganizar o ambiente e dar respostas rápidas em campo, ainda que sob o rótulo de interino.
Palmeiras vira teste de fogo imediato
O primeiro desafio de Marcão não permite transição suave. No sábado, dia 15, o Fluminense recebe o Palmeiras, líder do Brasileirão, no Maracanã. A distância de 13 pontos entre os times transforma o confronto em divisor de águas para as ambições tricolores no campeonato.
Uma vitória pode aliviar a pressão, fortalecer o vestiário e oferecer tempo à diretoria para negociar com um novo técnico. Um novo tropeço, em casa e diante de um adversário direto, tende a multiplicar as cobranças da torcida e acelerar decisões, inclusive sobre a duração do próprio interinato de Marcão.
Mercado de treinadores e futuro em aberto
Nos bastidores, a saída de Zubeldía alimenta movimentações no mercado de treinadores. O argentino, que constrói a carreira em clubes da América do Sul e desperta interesse também fora do país, volta a figurar como opção para equipes em busca de técnico com experiência em mata-mata continental.
O Fluminense, por sua vez, precisa equilibrar urgência e planejamento. O time ainda disputa a fase decisiva da Libertadores e tenta se manter competitivo no Brasileirão, enquanto o desgaste com a torcida aumenta e nomes experientes do elenco, como Thiago Silva e Hulk, sofrem com a exposição constante.
A diretoria aposta que a troca de comando interrompe a sequência negativa e oferece um choque de realidade ao elenco. O próximo treinador, porém, herdará um grupo pressionado, um calendário pesado e a obrigação de transformar desempenho ruim recente em reação rápida. A forma como o clube conduz essa transição tende a definir não só a temporada, mas a imagem do projeto esportivo nos próximos anos.