Rival do Santos na sula, Macará vive fase histórica

Santos enfrenta o Macará na Vila Belmiro buscando a primeira vitória nas oitavas da competição continental.
Redação NC News
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O Santos recebe o Macará hoje, às 19h, na Vila Belmiro, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. O time paulista aposta em Neymar e no mando de campo para abrir vantagem, enquanto o clube equatoriano chega invicto e em alta na elite de seu país.

Macará vive afirmação histórica e chega sem perder

O Macará aterrissa na Baixada Santista em um dos melhores momentos de sua história recente. A equipe de Ambato ocupa a vice-liderança do Campeonato Equatoriano, com 41 pontos em 24 jogos, e embala uma sequência de quatro vitórias seguidas na liga nacional.

Na Sul-Americana, o time estreia no mata-mata sem saber o que é derrota nesta edição. São três vitórias e quatro empates em sete partidas, campanha suficiente para avançar diretamente às oitavas em sua primeira participação na competição continental. A consistência vira cartão de visitas na Vila.

O técnico uruguaio Guillermo Óscar Sanguinetti desenha um Macará pragmático, com linhas baixas e formação compacta. A ordem é reduzir espaços, forçar o erro do adversário e acelerar apenas em momentos-chave, sempre buscando os pontas velozes e o artilheiro Franco Luca Posse em transições rápidas.

Posse, também uruguaio, é o protagonista ofensivo dessa estratégia. Aos 26 anos, soma 13 gols em 31 jogos na temporada, dois deles na Sul-Americana. O sistema tático é montado para que ele receba em condições de finalizar, muitas vezes atacando as costas da defesa rival.

Altitude em Ambato vira trunfo para o jogo de volta

Embora o foco esteja na Vila Belmiro, o Macará não esconde que joga a eliminatória em dois tempos bem distintos. A equipe manda seus jogos continentais no estádio Bellavista, em Ambato, a 2.500 metros de altitude, onde planeja decidir a vaga no dia 20 com ar rarefeito a seu favor.

O desgaste físico do Santos, especialmente se o time acelerar demais hoje, entra na conta dos equatorianos. A ideia é sobreviver em Santos, segurar o máximo possível o ataque alvinegro e levar a definição para o ambiente onde está mais acostumado a competir e onde o fôlego costuma pesar.

O goleiro Rodrigo Rodríguez, mais um uruguaio em posição-chave, simboliza a solidez defensiva. Ele passa quatro dos seis jogos da campanha na Sul-Americana sem sofrer gols e chega ao Brasil como uma das principais garantias de que o Macará não se desorganiza mesmo sob pressão.

A presença de vários estrangeiros experientes no elenco, entre eles cinco argentinos e três uruguaios, dá ao time uma cara mais cascuda do que o status de azarão sugere. O discurso em Ambato é de respeito ao Santos, mas também de oportunidade rara de colocar o clube em um novo patamar.

Santos aposta tudo em Neymar e prioriza torneio continental

O Santos entra em campo em cenário bem diferente. O clube ainda tenta se recompor da crise esportiva e financeira que se aprofunda desde o rebaixamento em 2023 e vê na Sul-Americana um atalho para recuperar prestígio, receitas e confiança com um título inédito.

O time chega às oitavas via repescagem e vive momento ruim no Campeonato Brasileiro, com apenas 50% de aproveitamento como mandante na Série A. Na competição continental, porém, defende invencibilidade em casa, o que torna a Vila Belmiro peça central nos planos da noite.

Cuca decide tratar a partida como prioridade máxima. A “ideia de poupar alguns jogadores para enfrentar o Vasco é descartada; Peixe tenta abrir vantagem na disputa por uma vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana”, registra texto da redação do ge. Neymar está confirmado entre os titulares.

O clube joga sob clima político tenso. “O momento é completamente errado. Você está na beira de uma eleição”, critica Maurício Maruca, ao comentar decisões da diretoria em meio ao calendário decisivo. O contexto interno aumenta o peso de cada resultado, sobretudo em torneio que pode recolocar o Santos no mapa continental.

Pressão, marketing e futuro em jogo para os dois lados

O confronto mexe com muito mais do que a tabela. Para o Macará, chegar às quartas de final pela primeira vez significaria consolidar a recente ascensão na elite equatoriana, atrair novos patrocinadores e ganhar visibilidade inédita na vitrine sul-americana. Jogadores como Franco Posse podem virar alvo de mercados maiores.

O Santos, por sua vez, enxerga na Sul-Americana uma chance de reverter uma narrativa de queda e instabilidade. Um bom desempenho internacional pesa em negociações de patrocínio, melhora a exposição do clube e eleva o moral de uma torcida marcada por anos de incertezas e promessas de “arrumar a casa” sem grandes reforços.

Dentro de campo, a balança opõe estilos e urgências. O Macará aceita sofrer, se fecha para contra-atacar e mira a segunda metade da eliminatória na altitude de Ambato. O Santos precisa se impor desde o início, controlar erros defensivos e transformar a presença de Neymar e a atmosfera da Vila em vantagem palpável no placar.

A partida de hoje abre um enredo de alta tensão até o jogo de volta no dia 20. Uma classificação equatoriana pode redesenhar o mapa de forças no futebol do país e cravar o Macará como novo protagonista regional. Uma eliminação santista, ao contrário, tende a aprofundar a crise, ampliar a pressão sobre diretoria e comissão técnica e empurrar a reconstrução para um caminho ainda mais acidentado.

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