O grupo Casas Bahia fecha hoje 298 lojas em todo o país e promove uma das maiores reduções de quadro de sua história, com até 3 mil demissões previstas.
O corte atinge quase 30% da rede física das marcas Casas Bahia e Pontofrio e marca uma virada brusca na estratégia da companhia, pressionada por prejuízos bilionários, consumo enfraquecido e dificuldades para honrar compromissos financeiros.
Rede encolhe, emprego some
Entre ontem e hoje, cerca de 1,9 mil funcionários perdem o emprego, segundo apurações de mercado. Aproximadamente 600 desligamentos ocorrem na quinta-feira (13), e entre 1,3 mil e 1,4 mil estão previstos para esta sexta-feira (14). A estimativa é que o total chegue a 3 mil cortes.
As lojas atingidas somam 298 unidades, o equivalente a 28,7% da rede. A Casas Bahia encerra 2025 com 1.042 pontos físicos, abaixo dos 1.064 registrados em 2024 e das 1.078 unidades de 2023, mostrando uma retração constante do varejo de rua da companhia.
Em diversos estados, funcionários relatam que chegam para trabalhar e encontram as portas fechadas. A dimensão do movimento leva a Gazeta do Povo a classificar o enxugamento como “uma das maiores reduções de quadro feita na história recente da Casas Bahia”.
Rombo bilionário e capital em xeque
O avanço dos cortes ocorre no meio de uma reestruturação financeira profunda. O grupo amarga um prejuízo próximo de 1,1 bilhão de reais apenas no primeiro trimestre deste ano e acumula perdas da ordem de 3 bilhões de reais no ano passado, em meio a vendas pressionadas e despesas financeiras elevadas.
O quadro de desequilíbrio leva a empresa a recorrer, em 2024, a uma recuperação extrajudicial envolvendo cerca de 4 bilhões de reais em dívidas, numa tentativa de reorganizar prazos e condições com credores. Desde então, a operação física perde espaço, enquanto a companhia tenta ganhar fôlego com iniciativas digitais e financeiras.
A revista Veja resume o momento: “A nova rodada de cortes ocorre em meio à reestruturação financeira da companhia”. O objetivo é reduzir despesas fixas, ajustar estoques, aliviar o caixa e tentar reequilibrar uma estrutura de capital fragilizada.
Virada para o digital e pressão sobre fornecedores
Os números recentes mostram essa transição em curso. No primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios crescem 26%, enquanto as lojas físicas registram queda de 1,8%. A receita bruta consolidada avança para 8,8 bilhões de reais, com margem bruta de 30,3%, mas o impulso do comércio eletrônico ainda não compensa o peso da estrutura física.
O grupo, que reúne as marcas Casas Bahia e Pontofrio, as lojas virtuais, o site Extra.com.br, a fabricante de móveis Bartira, a plataforma logística CBfull e o serviço financeiro Casas Bahia Pay, passa a concentrar esforços justamente nesses braços digitais e de serviços, considerados menos intensivos em capital físico e mais escaláveis.
Para aliviar o caixa no curto prazo, porém, a empresa aperta a corda sobre a cadeia de parceiros. Segundo o Valor Econômico, a Casas Bahia atrasa pagamentos a lojistas do marketplace, inclusive nos repasses via Pix, e busca estender prazos com fornecedores. Essas medidas alongam o ciclo financeiro da varejista, mas transferem parte da pressão para pequenas e médias empresas que dependem desses recebimentos.
Consumo fraco e futuro das lojas
O pano de fundo é um consumidor mais endividado e com menor poder de compra, cenário que atinge em cheio o varejo de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis. Com menos crédito disponível e juros ainda altos, a parcela pesada no carnê e no cartão pesa mais no orçamento e reduz as vendas em lojas físicas.
O fechamento de quase 30% da rede afeta diretamente o comércio de rua em dezenas de cidades. Em muitas delas, as lojas da Casas Bahia funcionam como âncoras de calçadões e centros comerciais de bairro. O impacto imediato aparece no desemprego no setor de vendas e no esvaziamento de pontos tradicionais de consumo.
Para os consumidores, o grupo tende a concentrar atendimento nas unidades restantes e nos canais digitais, como site, aplicativo e marketplace. A empresa ainda não detalha como será a redistribuição logística e de estoques, nem quais regiões perdem mais presença física, mas sinaliza que a prioridade passa a ser a integração entre loja, entrega e venda online.
Teleconferência deve detalhar próximos passos
O processo de reestruturação também altera o calendário de transparência da companhia. A divulgação dos resultados do segundo trimestre, inicialmente marcada para quarta-feira (12), é adiada para esta sexta-feira (14). Segundo Veja, “a divulgação dos resultados do segundo trimestre foi adiada para esta sexta para que a empresa concluísse o novo plano de reestruturação”.
Na próxima segunda-feira (17), a Casas Bahia promete uma teleconferência com analistas para explicar os números e apresentar oficialmente o pacote de ajustes. O encontro se torna decisivo para acalmar investidores, esclarecer o plano de retomada e indicar se novos fechamentos e cortes estão no horizonte.
A continuidade da recuperação extrajudicial e o ritmo da migração para o digital definem, a partir de agora, o fôlego da varejista. A forma como a empresa lidará com ex-funcionários, fornecedores e lojistas do marketplace também deve entrar no radar de autoridades e sindicatos, numa discussão mais ampla sobre o futuro do varejo físico e a proteção a trabalhadores num setor em rápida transformação.
Quantas lojas a Casas Bahia fechou?
A Casas Bahia fecha 298 lojas físicas em todo o Brasil, o que representa 28,7% da rede e reduz o total de unidades do grupo, que opera as marcas Casas Bahia e Pontofrio, de pouco mais de mil pontos para cerca de 1.042 lojas ao fim do atual ciclo de cortes.
Quantos funcionários foram demitidos com o fechamento das lojas da Casas Bahia?
O fechamento de 298 lojas da Casas Bahia resulta em cerca de 1,9 mil demissões entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), com estimativas de que o total de cortes chegue a até 3 mil funcionários, numa das maiores reduções de quadro já registradas na história recente do grupo varejista.
Por que a Casas Bahia decidiu fechar 298 lojas?
A Casas Bahia decide fechar 298 lojas para reduzir despesas, enfrentar prejuízo de quase 1,1 bilhão de reais no primeiro trimestre e perdas de cerca de 3 bilhões no ano passado, ajustar uma estrutura de capital fragilizada e tentar equilibrar caixa em meio a consumo fraco, endividamento elevado da população e custos financeiros altos.
Como o fechamento das lojas da Casas Bahia impacta os consumidores?
O fechamento de 298 lojas da Casas Bahia reduz a oferta de pontos físicos em várias cidades, concentra atendimento nas unidades remanescentes e empurra parte do público para o site, o aplicativo e o marketplace, o que pode alongar prazos de atendimento presencial, alterar opções de retirada e depender mais de entrega em domicílio.
O que a Casas Bahia informou sobre o futuro das lojas restantes após o fechamento?
A Casas Bahia ainda não detalha, em comunicado amplo ao público, um plano específico para cada loja remanescente, mas indica ao mercado que o foco passa a ser a integração entre unidades físicas e canais digitais, com priorização da transformação online da operação, redução de custos e busca de maior rentabilidade em pontos considerados estratégicos.