Um dos maiores acionistas do Itaú Unibanco e da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Fernando Roberto Moreira Salles conduz uma das maiores fortunas do país enquanto escreve poesia e financia cultura. Bilionário, banqueiro por herança e poeta por escolha, ele se torna hoje um dos personagens mais enigmáticos do capitalismo brasileiro.
Bilhões em banco e nióbio, longe do palco
Em plena consolidação dos resultados do sistema financeiro e da mineração brasileiros, o nome de Fernando aparece nos bastidores de duas empresas decisivas para a economia. No maior banco da América Latina, ele é acionista de referência, enquanto o irmão Pedro Moreira Salles preside o conselho e assume o contato direto com o mercado.
No setor de mineração, a família controla cerca de 70% da CBMM, líder mundial na produção de nióbio, metal estratégico para ligas de aço, baterias e tecnologia de ponta. Desse total, 40% estão vinculados à holding Brasil Warrant e 30% correspondem a investimento direto do clã, reforçando uma posição dominante em um mercado de alto valor agregado.
A combinação desses dois pilares, banco e nióbio, ajuda a explicar a dimensão do patrimônio. “Uma fortuna estimada em US$ 9,9 bilhões coloca Fernando Roberto Moreira Salles entre os brasileiros mais ricos da lista global da Forbes de 2026”, registra a revista baiana Let’s Go Bahia. O valor se aproxima de R$ 40 bilhões na conversão atual.
Herança bancária, estratégia discreta
A história que leva Fernando ao topo do capitalismo nacional começa com o pai, Walther Moreira Salles, banqueiro e diplomata que constrói o embrião do Unibanco em Minas Gerais. A trajetória familiar se cruza com a de outro grupo financeiro paulista décadas depois, culminando na fusão que origina o atual Itaú Unibanco e consolida o maior conglomerado bancário privado do país.
Formado pela Fundação Getulio Vargas, Fernando escolhe um papel menos vistoso nesse tabuleiro. Em vez de disputar holofotes com executivos de mercado, atua como conselheiro e investidor estratégico, ajudando a definir caminhos de longo prazo para o banco e para a mineradora. Enquanto Pedro é a face pública do conselho, Fernando prefere o silêncio calculado das reuniões fechadas.
Essa postura discreta, rara entre bilionários acostumados a projeção global, influencia a percepção sobre o grupo. A ausência de movimentos estridentes, somada ao controle estável do capital, transmite ao mercado a sensação de continuidade nas políticas de crédito e nos investimentos. Do outro lado, também alimenta o mistério em torno de quem, de fato, decide as grandes mudanças.
Poesia, livros e um instituto de cultura
Longe das planilhas, o mesmo personagem se converte em poeta, editor e articulador cultural. Sócio da Companhia das Letras, uma das principais casas editoriais do país, Fernando escreve livros, revisa textos de outros autores e circula em ambientes literários que pouco lembram salas de conselho de banco.
Entre suas obras estão o livro de poemas “Habite-se”, publicado em 2005, e “A Chave do Mar”, de 2010. Os títulos consolidam a imagem de um autor que transita com desenvoltura por um universo distante da lógica fria dos balanços trimestrais. No meio editorial, é visto mais como colega de ofício do que como bilionário excêntrico.
Essa face cultural se intensifica com sua passagem pela direção do Instituto Moreira Salles, organização criada pelo pai e hoje referência em fotografia, música, literatura e cinema. A instituição mantém centros culturais no Rio de Janeiro e em São Paulo, abriga acervos de fotógrafos históricos e promove programas de residência e formação.
“Acionista relevante do Itaú Unibanco e da CBMM, Fernando Moreira Salles se destaca não apenas pelo peso dos negócios de sua família, mas também pela vida dedicada às artes, à literatura e ao financiamento da cultura brasileira”, resume o repórter Renato Becker, do ND Mais. A síntese captura a dualidade que hoje define sua trajetória.
Uma família entre nióbio, cinema e design
O protagonismo de Fernando se dilui em uma constelação de talentos familiares. O irmão João Moreira Salles constrói carreira como documentarista e produtor, enquanto Walter Salles se firma como um dos cineastas brasileiros mais reconhecidos no exterior. Em 2025, Walter dirige “Ainda Estou Aqui”, adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva sobre Eunice Paiva, e leva o Oscar de Melhor Filme Internacional, primeira vitória do Brasil na categoria.
No mesmo filme, Fernanda Torres recebe o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama por interpretar Eunice. O prêmio reforça a projeção global de uma família que, ao mesmo tempo em que concentra ativos estratégicos na economia, exporta narrativas brasileiras para o circuito internacional de cinema.
No campo das artes visuais, a presença de Claudia Moreira Salles, esposa de Fernando, fecha o círculo. Designer de móveis, ela se torna nome de referência no design contemporâneo brasileiro, com obras em galerias, coleções particulares e projetos institucionais. O casal transforma parte da fortuna em apoio a exposições, restauros e publicações sobre patrimônio histórico.
Impacto econômico e legado cultural
A participação da família na CBMM, somada ao controle do Itaú Unibanco, coloca o grupo em posição estratégica para influenciar setores-chave da economia nacional. Decisões sobre crédito corporativo, investimentos em infraestrutura e financiamento da inovação passam, direta ou indiretamente, por mesas em que Fernando tem voz.
No mercado de nióbio, a fatia de 70% garante relevância em negociações globais sobre cadeias de suprimento para a indústria de aço, a transição energética e a mobilidade elétrica. A forma como a família equilibra preço, oferta e novos projetos de pesquisa tem efeito em fabricantes de automóveis, siderúrgicas e empresas de tecnologia espalhadas pelo mundo.
Na cultura, o impacto aparece de outro modo. Ao injetar recursos em literatura, cinema, fotografia e design, os Moreira Salles ajudam a sustentar um ecossistema de criadores, editoras e espaços culturais em um cenário de orçamentos públicos comprimidos. Projetos apoiados pela família tornam-se vitrines para artistas emergentes e referências de preservação de memória.
Essa articulação entre negócios e arte se consolida como marca da família no Brasil contemporâneo. A estratégia parece clara: manter o controle de ativos que garantem fluxo estável de caixa, enquanto parte dos dividendos retorna à sociedade em forma de patrimônio cultural. A figura discreta de Fernando funciona como eixo de equilíbrio entre esses dois mundos.
Os próximos passos tendem a seguir essa rota de continuidade silenciosa. No front econômico, a família deve preservar a posição de comando em Itaú Unibanco e CBMM, ajustando estratégias a desafios como digitalização financeira e pressões ambientais sobre a mineração. No campo cultural, a tendência é de expansão de programas educativos, exposições e parcerias internacionais, impulsionada também pelo reconhecimento recente do cinema de Walter.
No centro desse movimento, o bilionário que prefere ser chamado de poeta segue escapando de rótulos fáceis. Entre relatórios de resultados e versos em primeira pessoa, Fernando Moreira Salles ajuda a desenhar um modelo de poder que combina alta finança, discrição e investimento estrutural na cultura brasileira.
Quem é Fernando Moreira Salles?
Fernando Roberto Moreira Salles é empresário, poeta e produtor cultural brasileiro, acionista relevante do Itaú Unibanco e da mineradora CBMM, com fortuna estimada em US$ 9,9 bilhões. Filho do banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles, ele nasce no Rio de Janeiro, forma-se pela FGV e se destaca pela atuação discreta e multifacetada.
Qual a relação entre Fernando Moreira Salles e Walther Moreira Salles?
Walther Moreira Salles é o pai de Fernando Roberto Moreira Salles e o fundador do braço bancário da família, que dá origem ao antigo Unibanco e, depois, ao atual Itaú Unibanco. A trajetória empresarial e cultural de Fernando se apoia no legado deixado por Walther, que conciliou carreira financeira com atuação diplomática e filantrópica.
Qual a fortuna de Fernando Moreira Salles?
A fortuna de Fernando Moreira Salles é estimada em US$ 9,9 bilhões, valor que o coloca entre os brasileiros mais ricos nas listas globais de bilionários em 2026. O patrimônio, próximo de R$ 40 bilhões, resulta principalmente da participação no Itaú Unibanco e no bloco familiar que detém 70% da mineradora CBMM.
Qual a trajetória de Fernando Moreira Salles entre negócios e poesia?
Fernando Moreira Salles constrói uma trajetória que combina o papel de grande acionista de Itaú Unibanco e CBMM com a vida de poeta, editor e gestor cultural. Formado pela FGV, ele atua como conselheiro e investidor estratégico, publica livros como “Habite-se” e “A Chave do Mar” e já dirigiu o Instituto Moreira Salles.
Quem são os irmãos Moreira Salles e como atuam nos negócios da família?
Os irmãos de Fernando são Pedro, João e Walter Moreira Salles, que dividem com ele o controle da holding Brasil Warrant, ligada a 40% da CBMM, além de participações diretas na mineradora. Pedro preside o conselho do Itaú Unibanco, enquanto João e Walter se destacam no campo audiovisual, especialmente em documentários e cinema de ficção.