Últimos suspeitos de monitorar promotor e diretor de presídios são presos em SP

Investigação aponta que grupo ligado ao PCC levantava rotinas, endereços e trajetos de autoridades e familiares para preparar possíveis atentados
Redação NC News
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Os dois últimos suspeitos que ainda estavam em liberdade em uma investigação sobre uma suposta estrutura de inteligência ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos no interior de São Paulo. Com as capturas, os quatro denunciados pelo Ministério Público de São Paulo no caso estão detidos.

As prisões ocorreram na sexta-feira (14), durante a Operação Recon, em Presidente Prudente e Álvares Machado.

Os presos são Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, chamado de “Ju Machado”.

Segundo as investigações, o grupo teria monitorado o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, e Roberto Medina, coordenador de presídios da região Oeste do estado.

A suspeita é de que as informações coletadas pudessem ser utilizadas na preparação de atentados.

Todos os quatro denunciados estão presos

Além de Victor Hugo e Adilson, também foram denunciados Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, conhecido como “Corinthinha”, e Sérgio Garcia da Silva, chamado de “Messi”.

Os dois já estavam presos.

Com a captura dos últimos investigados que permaneciam em liberdade, os quatro homens apontados pelo Ministério Público como integrantes da estrutura investigada estão detidos.

De acordo com a apuração, a atuação do grupo ocorreria desde pelo menos junho de 2025.

Celulares apreendidos ajudaram a revelar monitoramento

A investigação avançou a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos com pessoas presas por tráfico de drogas.

Um dos telefones pertencia a Victor Hugo da Silva.

Segundo o Ministério Público, o conteúdo encontrado no aparelho ajudou a revelar uma operação detalhada de levantamento de informações sobre as autoridades.

Os investigadores sustentam que os suspeitos reuniam dados sobre trajetos, endereços e rotinas dos alvos.

Aplicativo teria sido usado para mapear trajeto até residência

Um dos pontos considerados mais importantes pela investigação envolve o monitoramento de Roberto Medina.

Segundo o Ministério Público, Victor Hugo teria utilizado um aplicativo de localização e georreferenciamento para registrar o percurso entre a Penitenciária II de Presidente Venceslau e a residência do coordenador de presídios.

O material reunia nomes de ruas, referências visuais e detalhes do caminho.

Para os investigadores, as informações poderiam funcionar como um roteiro para que outros integrantes chegassem até o alvo.

A apuração também identificou informações relacionadas à rotina da esposa de Medina.

Família das autoridades também entrou no radar

O monitoramento não teria ficado restrito aos agentes públicos.

Segundo a investigação, informações sobre familiares também foram coletadas.

Esse ponto reforçou a suspeita de que o levantamento não era casual, mas fazia parte de uma estrutura organizada para reunir dados considerados estratégicos.

O Ministério Público sustenta que o objetivo seria subsidiar possíveis atentados contra as autoridades monitoradas.

Estrutura funcionaria com divisão de tarefas

Outro elemento apontado pelos investigadores é a forma de atuação do grupo.

A suposta estrutura funcionaria de maneira compartimentada, com integrantes desempenhando tarefas específicas dentro do esquema.

Isso significa que uma pessoa poderia realizar o monitoramento, outra receber ou transmitir informações e outros integrantes poderiam participar das etapas seguintes.

A divisão de funções é um dos pontos analisados para compreender como os dados coletados chegariam a outros setores da organização criminosa.

 Lincoln Gakiya é um dos principais nomes no combate ao PCC

Lincoln Gakiya atua há anos em investigações relacionadas ao crime organizado e se tornou um dos promotores mais conhecidos no enfrentamento ao PCC.

Sua atuação inclui investigações sobre integrantes da cúpula da facção, funcionamento da organização dentro dos presídios e possíveis planos contra autoridades.

Por causa das ameaças relacionadas ao trabalho, a segurança do promotor já foi reforçada em diferentes momentos.

O novo caso mostra que o monitoramento de autoridades permanece como uma preocupação das forças responsáveis pelo combate ao crime organizado.

Caso ocorre em meio a outras investigações sobre ataques contra autoridades

O episódio também se soma a outras apurações envolvendo possíveis planos de organizações criminosas contra integrantes das forças de segurança e do Ministério Público.

Em agosto de 2025, a Operação Pronta Resposta investigou uma organização criminosa suspeita de planejar um atentado contra o promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho.

Durante aquela investigação, surgiram ainda suspeitas de vazamento de informações privilegiadas e participação de agentes públicos em atividades criminosas.

Apesar da proximidade temática, os casos fazem parte de investigações distintas e não devem ser tratados automaticamente como uma única estrutura.

Entenda o contexto

O PCC surgiu no sistema penitenciário paulista na década de 1990 e, ao longo dos anos, ampliou sua presença dentro e fora das prisões.

Investigações conduzidas pelo Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Federal buscam identificar não apenas atividades diretamente ligadas ao tráfico de drogas, mas também estruturas responsáveis por logística, comunicação, lavagem de dinheiro e levantamento de informações.

No caso envolvendo Gakiya e Medina, a suspeita é de que os investigados integrassem justamente uma estrutura voltada à coleta de dados estratégicos.

O material encontrado nos celulares será fundamental para determinar o alcance dessa rede e identificar se outras pessoas participaram do monitoramento.

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