O Real Madrid inicia a temporada 2026/27 pressionado por lesões graves de titulares, um vestiário ainda em reconstrução após briga entre meio-campistas e a necessidade de José Mourinho definir, sem margem para erro, a espinha dorsal da equipe.
Lesões em série bagunçam o planejamento
No ataque, a situação mais preocupante atende pelo nome de Rodrygo Goes. O brasileiro rompe o ligamento cruzado anterior e o menisco externo do joelho direito em março, passa por cirurgia e entra em uma reabilitação longa. A jornalista Arancha Rodríguez, da rádio Cope, resume o quadro: “Rodrygo sofre de uma ruptura do ligamento cruzado e do menisco, desde o último dia 18 de março, e seu período de ausência é estimado entre 10 e 12 meses”. O clube trabalha com o retorno apenas no início de 2027, praticamente uma temporada inteira fora.
Na defesa, Éder Militão também vira dor de cabeça. O zagueiro sofre lesão no músculo bíceps femoral da perna esquerda em abril, com ruptura do tendão proximal. Operado em 28 de abril, ele tem previsão de volta entre setembro e outubro, algo entre 4 e 5 meses de baixa. Em um setor que já convive com histórico recente de problemas físicos do brasileiro, cada passo da recuperação é medido com cautela em Valdebebas.
O lado esquerdo da defesa também perde seu titular. Ferland Mendy enfrenta lesão no tendão do músculo reto femoral da perna direita e passa por cirurgia em maio. O prazo de 5 a 7 meses empurra o lateral francês para um retorno apenas no fim do ano. Até lá, Mourinho precisa improvisar ou acelerar a afirmação de reservas em uma posição sensível para o equilíbrio defensivo.
Reservas testados e aposta milionária na ponta
No meio-campo, a lista de baixas inclui o jovem Thiago Pitarch. O jogador sofre entorse no ligamento colateral medial do joelho em 26 de julho e recebe estimativa de afastamento entre 3 e 4 semanas. O retorno é esperado para o fim de agosto ou início de setembro, o que reduz a margem de erro do treinador nos primeiros compromissos oficiais, após amistosos como o duelo contra o Schalke, na Alemanha.
As ausências prolongadas abrem espaço e pressionam ainda mais os reforços. A contratação de Yan Diomandé, por cerca de R$ 845,9 milhões, é a principal resposta da diretoria ao buraco deixado por Rodrygo na ala direita. O marfinense chega com status de investimento recorde e, na prática, assume a faixa do campo que o brasileiro transforma em zona decisiva nas últimas temporadas.
Dentro do clube, a leitura é clara: sem Rodrygo até o início de 2027, a equipe precisa de um jogador pronto para decidir em grandes noites de Champions League, além de sustentar regularidade na La Liga, na Copa do Rei e na Supercopa da Espanha. O peso do valor pago por Diomandé converge com a urgência esportiva. A adaptação rápida deixa de ser desejo e vira obrigação silenciosa.
Mourinho administra pós-briga e disputa por vaga
Enquanto o departamento médico tenta acelerar retornos sem correr riscos, Mourinho olha para o centro do campo e enxerga outro tipo de pressão. Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni, protagonistas de uma briga física em maio no centro de treinamento, agora disputam a mesma vaga na formação ideal. O episódio rende corte na cabeça e traumatismo para o uruguaio, hospitalização, multas de 500 mil euros para cada um e um recado direto sobre disciplina.
Publicamente, ambos garantem que o caso fica para trás. Internamente, as consequências se traduzem em hierarquia e minutos em campo. Valverde, um dos primeiros a se reapresentar na pré-temporada, já atua em quatro amistosos e recebe de Mourinho a braçadeira de capitão em parte dos jogos. “Federico Valverde se destaca pela ocupação de espaços e fôlego inesgotável para aliviar a pressão sob os companheiros”, resume uma análise interna sobre o papel do uruguaio no sistema do treinador.
Tchouaméni, por outro lado, ainda não é utilizado nos amistosos recentes por questões físicas e inicia a temporada sem ritmo de jogo. Mesmo assim, seu perfil agrada ao técnico português. “Aurélien Tchouaméni oferece maior solidez defensiva, segurança com a bola nos pés e cobertura a Bernardo em momentos sem posse”, aponta o mesmo relatório. Entre a energia de Valverde e o controle defensivo do francês, Mourinho precisa escolher quem completa o trio com Bernardo Silva e Jude Bellingham.
Equilíbrio tático sob calendário implacável
A disputa não é apenas técnica. Afeta diretamente o desenho do Real Madrid nas partidas grandes. Com Diomandé aberto pela direita e Bellingham liberado para pisar na área, a peça ao lado de Bernardo define se a equipe pressiona mais à frente, com Valverde acelerando transições, ou protege melhor a zona central, com Tchouaméni ancorando o meio defensivo.
O calendário não dá trégua. La Liga, Champions League, Copa do Rei e Supercopa exigem um elenco profundo e versátil. Sem Rodrygo até o início de 2027, com Militão e Mendy fora por meses e Pitarch em recuperação, a margem de manobra encolhe. Reservas e jovens ganham protagonismo antecipado; qualquer nova lesão pode mexer na temporada inteira.
Para a diretoria, a prioridade imediata é dupla: acelerar a recuperação dos lesionados dentro dos prazos previstos e preservar o ambiente interno após o choque entre Valverde e Tchouaméni. Em campo, Mourinho testa variações na Alemanha e na Espanha, ajusta a linha defensiva sem Militão, redesenha a saída de bola sem Mendy e calibra a química entre Bernardo, Bellingham e o escolhido para fechar o meio.
Os próximos meses mostram se o Real Madrid transforma o cenário adverso em oportunidade para renovar o elenco ou se as lesões, somadas à instabilidade interna, cobram um preço alto demais em títulos. A resposta começa a ser dada já nos amistosos, passa pelo jogo de hoje e ecoa até as noites decisivas da Champions.