Um adolescente de 15 anos foi apreendido nesta sexta-feira (14), em Santos, no litoral de São Paulo, durante uma investigação que começou após informações encaminhadas por uma organização norte-americana especializada em crimes contra crianças na internet.
Segundo a Polícia Civil, o jovem é suspeito de armazenar e comercializar material de exploração sexual infantil por meio do Discord, além de compartilhar conteúdos relacionados a práticas de violência e automutilação.
A investigação também levantou a possibilidade de o adolescente ter ligação com uma célula extremista internacional monitorada por agências como o FBI.
Investigação começou após alerta internacional
O adolescente teria sido identificado a partir de relatórios de inteligência encaminhados pelo National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), organização dos Estados Unidos que atua no combate à exploração sexual infantil, ao desaparecimento de crianças e aos crimes praticados no ambiente digital.
A partir das informações recebidas, a Polícia Federal iniciou a apuração e, posteriormente, o caso passou a contar com a participação da Delegacia da Infância e Juventude (DIJU) de Santos.
Os investigadores chegaram até o adolescente e cumpriram a medida que resultou na apreensão.
Polícia encontrou mais de 100 GB de material
De acordo com a investigação, o adolescente mantinha mais de 100 GB de imagens e vídeos de exploração sexual infantil armazenados em dispositivos e ambientes digitais.
Segundo a polícia, o material também era comercializado por meio de grupos de conversa. Os pagamentos, conforme as informações da investigação, eram realizados por transferências via Pix.
A apuração ainda busca identificar a origem dos arquivos, possíveis compradores e outras pessoas que possam estar envolvidas no compartilhamento ou na distribuição do conteúdo criminoso.
Adolescente é suspeito de manipular menores
Além da comercialização de material de exploração sexual infantil, os investigadores apontam que o adolescente teria utilizado comunidades digitais para manipular crianças e adolescentes.
Segundo a Polícia Civil, ele seria suspeito de induzir menores à prática de automutilação, atos de sadismo e exposições consideradas de alto risco.
A investigação também encontrou indícios de publicações relacionadas a apologia ao estupro, bullying e constrangimentos praticados no ambiente virtual.
Polícia investiga possível ligação com grupo extremista
Um dos pontos que mais chamou atenção dos investigadores foi a possibilidade de o adolescente ter ligação com uma célula extremista internacional.
O material reunido pela DIJU indica que o jovem pode fazer parte de um grupo que teria inspiração em uma organização monitorada internacionalmente por sua atuação na internet.
Segundo a investigação, esse grupo apresenta uma ideologia descrita pelas autoridades como neonazista e satanista e estaria associado ao recrutamento e à manipulação de menores para práticas de automutilação, suicídio e violência.
A eventual ligação do adolescente com essa estrutura ainda é investigada e deverá ser aprofundada pelas autoridades.
FBI acompanha grupo investigado
A célula mencionada na investigação brasileira já seria monitorada por agências internacionais, incluindo o FBI, devido às atividades atribuídas aos integrantes.
A participação do adolescente nesse grupo ainda não foi definitivamente comprovada. Por isso, a Polícia Civil trabalha para identificar o nível de envolvimento do jovem e possíveis contatos mantidos com outros integrantes.
As autoridades também devem analisar equipamentos eletrônicos e informações obtidas durante a investigação para descobrir se existem outros adolescentes ou adultos envolvidos.
Quais atos infracionais são investigados
Por ser menor de idade, o adolescente não responderá criminalmente como um adulto. Segundo a investigação, ele deverá responder por atos infracionais análogos a crimes como associação criminosa, organização criminosa, induzimento à automutilação, stalking, extorsão e estupro de vulnerável.
A responsabilização seguirá as regras previstas para adolescentes no sistema de Justiça brasileiro.
As investigações continuam para esclarecer toda a extensão das atividades atribuídas ao jovem e identificar eventuais vítimas e outros envolvidos.