Karim Benzema vive dias de turbulência no Al-Hilal após reagir mal a uma substituição, enquanto João Cancelo rescinde contrato e críticas à gestão financeira do clube se intensificam.
Benzema contestado em campo e no mercado
A discussão sobre o futuro de Benzema explode depois do jogo contra o Al-Faisaly, na última sexta-feira, quando o francês deixa o campo irritado ao ser substituído por Simone Inzaghi. A cena alimenta a versão de desgaste entre atacante e técnico e reacende a possibilidade de saída já nesta janela de transferências.
Veículos europeus apontam negociações para rescisão, mas pessoas próximas ao jogador tentam baixar a temperatura. “Ele pretende continuar no Al-Hilal, apesar das informações sobre uma possível ruptura do vínculo”, dizem fontes ligadas ao francês, que tem contrato longo e salário pesado, dividido entre clube e Liga Saudita.
Os bastidores mostram um impasse caro. Benzema, hoje com status de principal estrela ofensiva, teria pedido o pagamento integral do último ano de contrato para aceitar a rescisão. A exigência esbarra na recusa do Al-Hilal e da própria liga, que participa do pacote salarial e teme abrir um precedente difícil de administrar.
Dentro de campo, o francês segue entregando números de protagonista: são 14 partidas, 10 gols e 9 assistências com a camisa azul. Mesmo assim, a direção testa o mercado em busca de um novo camisa 9. O nome do inglês Ollie Watkins, do Aston Villa, surge como alvo, mas o clube insiste que a sondagem não significa, por si só, o descarte de Benzema.
Cancelo força saída e mira retorno ao Barcelona
Enquanto Benzema tenta resistir à pressão, João Cancelo já decide virar a página. Fora dos planos de Simone Inzaghi, o lateral português negocia a rescisão e se libera para assinar em definitivo com o Barcelona, que o recebe de volta após a boa passagem por empréstimo na última temporada.
O clube catalão, que queria repetir o modelo anterior, recua quando o Al-Hilal pede 10 milhões de euros (R$ 60,1 milhões) por um novo empréstimo. Sem acordo, Cancelo faz o caminho mais duro: rompe o vínculo na Arábia Saudita para enfim viabilizar o negócio. “João Cancelo conseguiu antecipar a saída do Al-Hilal e negocia com o Barcelona, que deseja contratá-lo por duas temporadas”, registra o jornal AS.
No Barça, o lateral deixa boas lembranças. São 23 jogos, 2 gols e 3 assistências na última temporada, desempenho que convence o técnico Hansi Flick a bancar seu retorno. A saída precoce do Al-Hilal expõe a dificuldade do clube em transformar grandes contratações em peças estáveis de elenco, e se soma a outras saídas recentes de peso.
Críticas públicas e a conta do excesso de estrangeiros
O caso Cancelo vira munição para o rival Al-Nassr. Em um programa de TV, o ex-meia Fahd Al-Hariifi, ídolo histórico do clube amarelo, dispara contra a diretoria do Al-Hilal e acusa desperdício de recursos em meio à crise financeira que estrangula o Al-Nassr neste mercado.
“O Al-Hilal tem um desperdício financeiro inconcebível, e não sei onde está o controle financeiro diante do que acontece. Vendo o Neymar para o Brasil, o Marcos Leonardo para a liga holandesa e o Cancelo para o Barcelona, e depois você encontra 17 jogadores estrangeiros restantes no time. Isso, claro, se chama desperdício financeiro”, afirma Al-Hariifi.
As palavras miram no coração do projeto saudita para o futebol. A presença de 17 estrangeiros no elenco, mesmo após saídas de astros, vira símbolo de uma gestão considerada inflada e pouco transparente. O ex-jogador questiona de onde vem tanto dinheiro e cita o nome do príncipe Al-Walid bin Talal, associado ao clube.
“Toda vez que falamos, dizem-nos que quem trouxe os jogadores foi o príncipe Al-Walid bin Talal, embora alguns digam que a propriedade não foi transferida por completo, e depois dizem que há outras receitas”, provoca. Para ele, a diferença de tratamento entre os clubes distorce a competição na Roshn Saudi League.
Pressão por transparência e risco de novo abalo no elenco
Com o Al-Nassr limitado por dívidas recentes e sem poder se mover com liberdade no mercado, Al-Hariifi enxerga um desequilíbrio que ultrapassa a rivalidade. “Onde está o controle financeiro que joga o Al-Nassr contra a parede? Não há justiça na disputa”, questiona. A bordoada expõe fissuras no modelo centralizado de financiamento, em que a liga paga parte dos salários de estrelas como Benzema.
O ex-meia também alimenta o clima de incerteza no vestiário rival. “Há caos e bagunça no Al-Hilal, e não descarto a saída de Karim Benzema, e que tragam um jogador melhor do que ele, assim como Yassine Bounou”, diz, relacionando a turbulência a uma suposta falta de rumo na montagem do elenco.
A diretoria do Al-Hilal, por ora, mantém silêncio público. Internamente, precisa conciliar três frentes: segurar Benzema ou encontrar uma saída que não exploda a folha de pagamentos, reposicionar a lateral direita após a saída de Cancelo e provar à liga e aos rivais que respeita os limites do controle financeiro.
O desempenho recente em campo, com jogos acompanhados de perto por torcedores e mídia internacional, ganha peso extra. Cada partida do Al-Hilal na liga, como o duelo com o Al-Faisaly, passa a ser vista também como termômetro da relação entre técnico e elenco, com câmeras fixas em Benzema a cada substituição ou gesto de irritação.
Enquanto a bola rola na Arábia Saudita, os movimentos de bastidor continuam. Barcelona corre para fechar a volta de Cancelo, empresários oferecem centroavantes à diretoria azul e a liga monitora os números em busca de um equilíbrio que ainda não aparece. O próximo passo do Al-Hilal, seja manter Benzema como símbolo do projeto ou liberá-lo em uma negociação cara, ajuda a definir não só o futuro do clube, mas também os limites do experimento saudita no futebol de elite.
Benzema vai deixar o Al-Hilal nesta janela?
Karim Benzema, hoje principal referência ofensiva do Al-Hilal com 14 jogos, 10 gols e 9 assistências, não tem saída confirmada nesta janela: há negociações e desgaste após a substituição contra o Al-Faisaly, mas pessoas próximas ao francês insistem que ele pretende continuar no clube saudita, ao menos por enquanto.
Por que João Cancelo rescinde com o Al-Hilal para voltar ao Barcelona?
João Cancelo rescinde com o Al-Hilal porque o clube saudita exige 10 milhões de euros (R$ 60,1 milhões) por novo empréstimo, valor que o Barcelona rejeita, e o lateral, fora dos planos de Simone Inzaghi, prefere encerrar o vínculo para assinar em definitivo por duas temporadas com o time catalão.
O que significam as críticas de Fahd Al-Hariifi à gestão do Al-Hilal?
Fahd Al-Hariifi, ex-astro do Al-Nassr, acusa o Al-Hilal de “desperdício financeiro inconcebível” por manter 17 estrangeiros no elenco, questiona a origem dos recursos ligados ao príncipe Al-Walid bin Talal e cobra controle financeiro que garanta disputa justa na liga, em contraste com a crise e restrições vividas pelo Al-Nassr.