O ex-deputado Deltan Dallagnol, hoje no partido Novo, lidera a disputa pelas duas vagas do Senado no Paraná, com 34% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira. O levantamento do instituto Paraná Pesquisas também mostra um cenário acirrado pela segunda vaga e vantagem do senador Sergio Moro na corrida ao governo estadual.
Deltan abre frente, mas segunda vaga ao Senado está embolada
A pesquisa, feita de forma presencial com 1.520 eleitores em 65 municípios, indica que Dallagnol larga na frente e consolida seu nome como principal força da centro-direita na disputa ao Senado. O desempenho reforça a volta do ex-procurador da Lava Jato ao protagonismo político paranaense, agora pela sigla Novo.
“O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) lidera com 34% das intenções de voto na disputa pelas duas vagas do Senado pelo Paraná”, registra o levantamento. Atrás dele, Alexandre Curi, do Republicanos, aparece com 29,6%, seguido de perto por Gleisi Hoffmann, do PT, com 28,1%. A margem de erro de 2,6 pontos percentuais coloca Curi e Gleisi em empate técnico pela segunda vaga.

A disputa fica ainda mais apertada com a presença de Filipe Barros, que tem 26% e também se situa no limite da margem de erro em relação a Gleisi. Cristina Graeml surge com 17,2%, e Dr Rosinha soma 12,3%. Joaquim do MLB, Karen Guerreiro e Marcelo Marcelino não passam de 2% cada, o que evidencia maior concentração de votos em cinco candidaturas principais.
O levantamento mostra ainda que 7,8% dos entrevistados declaram voto branco ou nulo para o Senado, enquanto 5,9% não sabem em quem votar ou preferem não responder. Esse contingente de quase 14% do eleitorado se mantém como alvo prioritário nas próximas etapas da campanha, capaz de redefinir a briga pela segunda cadeira.
Rejeição expõe polarização em torno de Gleisi e Deltan
Os números de rejeição reforçam o grau de polarização da disputa. Gleisi Hoffmann é o nome com maior resistência entre os eleitores: “Gleisi Hoffmann lidera com 42,2% no índice de rejeição para o Senado”, aponta a pesquisa. Quase metade do eleitorado afirma que não votaria na presidente nacional do PT de jeito nenhum.
Deltan Dallagnol aparece em seguida, mas em outro patamar. Seu índice de rejeição é de 13%, menos de um terço da taxa de Gleisi. Dr Rosinha registra 12,1%. Na prática, a diferença oferece ao candidato do Novo espaço maior para crescer entre indecisos e eleitores que hoje se dividem entre Curi, Filipe Barros e Cristina Graeml.

O contraste entre intenção de voto e rejeição ajuda a explicar o cenário. Enquanto Dallagnol lidera e tem rejeição relativamente baixa, Gleisi combina competitividade na disputa com alto desgaste. As campanhas adversárias tendem a explorar essa fragilidade, especialmente em segmentos mais avessos ao PT nas grandes cidades do estado.
Para o Novo, o desempenho de Dallagnol abre a oportunidade de se firmar como ator relevante no Paraná, historicamente dominado por siglas maiores como MDB, PSDB, PT e, mais recentemente, Republicanos e PSD. O partido ganha argumento para atrair apoios regionais, recursos e candidaturas proporcionais na reta final de montagem de chapas.
Moro lidera governo e reforça eixo anticorrupção
No Executivo estadual, a pesquisa confirma a força de outro nome ligado à Lava Jato. O senador Sergio Moro lidera a corrida ao governo do Paraná com 46,1% das intenções de voto. Requião Filho aparece em segundo lugar, com 23,4%, seguido por Sandro Alex, que marca 16,5%.
O desempenho de Moro, somado à dianteira de Dallagnol no Senado, sinaliza um eixo eleitoral baseado no discurso anticorrupção ainda muito vivo entre os paranaenses. Ambos disputam o mesmo eleitorado antipetista e de centro-direita, o que pode favorecer alianças informais e campanhas casadas em diversas regiões do estado.

A diferença de quase 23 pontos entre Moro e Requião Filho coloca o senador em posição confortável na disputa pelo governo, mas não definitiva. A soma de indecisos e a capacidade de mobilização da oposição ainda podem reduzir essa margem. Para já, porém, o cenário favorece a construção de palanques integrados entre Moro e candidatos ao Senado alinhados ao seu campo político.
No campo da esquerda e centro-esquerda, o quadro preocupa. Gleisi enfrenta rejeição alta e forte concorrência pela segunda vaga no Senado. Requião Filho, por sua vez, entra na campanha ao governo com menos da metade da preferência atribuída a Moro. Os dois terão de articular um discurso mais unificado e forte presença em regiões menos conectadas ao lavajatismo.
Campanhas devem endurecer e mirar indecisos
A combinação de liderança consolidada e disputa embolada pela segunda vaga ao Senado cria um ambiente propício para uma campanha mais agressiva nos próximos meses. Candidatos como Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros tendem a intensificar agendas de rua, programas de TV e presença nas redes sociais, com foco em empurrar Dallagnol para o campo da rejeição mais alta.
Para Dallagnol, o desafio é manter a dianteira sem perder a aura de novidade e sem ampliar demais sua taxa de rejeição. A campanha do Novo deve insistir na imagem de ex-coordenador da Lava Jato e de político “fora do sistema”, enquanto adversários tentam colá-lo à condição de candidato tradicional e explorar desgastes acumulados na Justiça e na Câmara.
Os próximos passos incluem debates, sabatinas regionais e o início da propaganda eleitoral mais intensa. Com 7,8% de votos brancos e nulos e 5,9% de indecisos, cada movimento conta. Uma mudança de 3 ou 4 pontos pode redesenhar a fila pela segunda vaga do Senado e reduzir a vantagem de Sergio Moro no governo.
A nova fotografia do eleitorado paranaense, traçada pelo Paraná Pesquisas com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, passa agora a orientar estratégias de partidos e candidaturas. As próximas sondagens dirão se a liderança de Deltan Dallagnol e Sergio Moro se consolida ou se abre espaço para uma virada às vésperas da eleição.