Pastora bolsonarista é indiciada por três crimes após briga com entregador em MG

Polícia Civil concluiu investigação sobre caso ocorrido em Contagem e apontou lesão corporal, difamação e injúria; versão de legítima defesa apresentada por Renata Vieira não foi confirmada pelas imagens analisadas
Redação NC News
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que investigava a pastora e ex-pré-candidata a deputada estadual pelo PL, Renata Kelly Rocha Vieira, pela briga com um entregador de móveis em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O relatório final foi concluído nesse domingo (16) e aponta que ela deve responder, em tese, por lesão corporal, difamação e injúria.

O caso aconteceu em 16 de julho, no bairro Cabral, durante a entrega de móveis comprados pela pastora. De acordo com a investigação, um sofá não passaria pelo elevador do prédio e, diante do problema, começou a discussão entre Renata e o entregador Luis Henrique Godzikowski de Souza.

Polícia Civil aponta três crimes contra pastora

Segundo o inquérito, vídeos feitos por testemunhas e imagens de câmeras de segurança analisados pelos investigadores mostram Renata agredindo o entregador durante a confusão.

A Polícia Civil concluiu que ela deu três tapas no rosto de Luis Henrique, mordeu a perna esquerda dele e arremessou uma pedra em sua direção, sem acertá-lo.

Testemunhas ouvidas durante a investigação, entre elas o zelador do condomínio, relataram que o entregador não teria reagido às agressões e tentado apenas se afastar da situação.

Além das agressões físicas, a investigação também analisou publicações feitas por Renata nas redes sociais depois do episódio. Com mais de um milhão de seguidores, ela teria chamado o entregador de termos como “bandido”, “vagabundo”, “canalha” e “oportunista maldito”, além de fazer comentários sobre a orientação sexual dele.

Por as ofensas terem sido divulgadas pela internet, a Polícia Civil considerou a aplicação de uma causa de aumento de pena prevista para crimes contra a honra cometidos ou divulgados nas redes sociais.

Versão de legítima defesa não é confirmada pelas imagens

Desde o início do caso, Renata afirma que foi agredida primeiro e que apenas reagiu para se defender. Em depoimento, ela declarou ter sido alvo de perseguição política por parte do entregador e afirmou que Luis Henrique teria feito ofensas contra ela por sua ligação com o PL e com o bolsonarismo. Segundo a versão apresentada pela pastora, o trabalhador teria chamado Renata com palavras de baixo calão e chutado suas pernas.

A investigação, porém, não confirmou esse relato.

Conforme a conclusão da Polícia Civil, as imagens analisadas não mostram manifestações de cunho político feitas pelo entregador durante a discussão. Os registros também levaram os investigadores a apontar que Renata iniciou as agressões.

O inquérito ainda aponta que as lesões apresentadas pela própria investigada teriam ocorrido durante as investidas contra o entregador.

Relembre a briga entre a pastora e o entregador

A confusão ocorreu em 16 de julho, durante uma entrega de móveis no bairro Cabral, em Contagem. Vídeos registrados por testemunhas mostraram Renata Vieira dando tapas no entregador, arremessando uma pedra e entrando em luta corporal com o trabalhador.

Na época, a pastora apresentou uma versão diferente. Ela afirmou que havia sido provocada e agredida primeiro e que apenas revidou. Renata também mostrou hematomas, procurou atendimento médico e realizou exame de corpo de delito.

Do outro lado, pessoas ligadas ao entregador afirmaram que a discussão começou depois que ele percebeu que o sofá de cinco lugares não caberia no elevador. A versão apresentada era de que ele buscaria outro funcionário para ajudá-lo na entrega.

A alegação de que a briga teria sido motivada por questões políticas também não foi confirmada pela investigação.

Dois dias depois da confusão, em 18 de julho, Renata admitiu que havia errado, mas manteve a afirmação de que teria apenas reagido às agressões.

PL barrou candidatura após repercussão do caso

A repercussão da briga também teve consequências políticas para Renata Vieira. Em julho, o PL de Minas Gerais informou que não registraria a candidatura dela a deputada estadual.

Na ocasião, o partido declarou que não compactuava com agressões, violência ou condutas consideradas incompatíveis com os princípios de respeito, civilidade e responsabilidade esperados de seus filiados.

Renata havia participado de eventos da legenda e aparecia nas redes sociais ao lado de importantes nomes do bolsonarismo, como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Marco Feliciano.

Indiciamento não significa condenação

O indiciamento encerra a etapa de investigação policial, mas não significa que Renata Vieira tenha sido condenada pelos crimes.

O advogado do entregador, Mariel Marra, ressaltou que o caso ainda precisa passar pelas etapas seguintes da Justiça. Segundo ele, considerando as penas previstas para os três delitos, a soma em tese poderia resultar em uma faixa de 1 ano e 3 meses a 5 anos e 6 meses de detenção, além de multas e outras consequências previstas em lei.

A eventual pena, no entanto, somente poderá ser definida pelo Poder Judiciário caso haja o prosseguimento da ação penal e uma futura condenação.

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