São Paulo se tornou referência internacional em prevenção ao HIV ao levar a retirada de medicamentos para dentro das estações de metrô. A capital paulista é, atualmente, a única cidade do mundo com máquinas automáticas que permitem retirar PrEP e PEP, medicamentos usados na prevenção da infecção pelo HIV.
A iniciativa busca reduzir barreiras para quem precisa dos medicamentos e aproximar a prevenção da rotina dos moradores. O modelo combina atendimento digital, prescrição médica e retirada automatizada, permitindo que o usuário tenha acesso à medicação de maneira mais rápida e discreta.
A experiência de São Paulo ganhou repercussão internacional e foi apresentada na AIDS 2026, a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro entre 26 e 31 de julho. O evento reuniu pesquisadores, profissionais de saúde e organizações que atuam na resposta global ao HIV.
Como funcionam as máquinas de PrEP e PEP
As máquinas fazem parte de uma estratégia integrada ao serviço de prevenção ao HIV da Prefeitura de São Paulo.
O usuário interessado em PrEP ou PEP passa por atendimento médico, que pode ser realizado por teleconsulta. Após a avaliação e a prescrição, recebe um QR Code utilizado para retirar o medicamento diretamente no equipamento instalado em uma estação de metrô.
No caso da PrEP, o medicamento é utilizado antes de uma possível exposição ao HIV e exige acompanhamento periódico, incluindo testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
A PEP, por sua vez, é utilizada depois de uma possível exposição ao vírus e precisa ser iniciada rapidamente.
O modelo foi pensado para diminuir filas e deslocamentos e oferecer uma alternativa mais discreta para quem precisa da prevenção.
Onde estão as máquinas
A estratégia começou a ser implantada em 2024 e foi ampliada pela Prefeitura de São Paulo. Entre as estações que receberam os equipamentos estão Luz, Vila Sônia, Consolação, Santana e Brás.
A estação Brás, que recebeu uma das máquinas, foi escolhida por ser um importante ponto de conexão entre metrô, trens metropolitanos e ônibus, recebendo diariamente um grande fluxo de passageiros.
Além das máquinas automáticas, a cidade também mantém estruturas específicas de prevenção, como a Estação Prevenção Jorge Beloqui, localizada na estação República. O espaço oferece atendimento voltado à prevenção sexual e ao HIV.
Modelo já chama atenção de pesquisadores
O caráter inédito da iniciativa fez com que São Paulo passasse a receber pesquisadores e representantes de outros locais interessados em conhecer o modelo.
A experiência foi apresentada como exemplo de descentralização da prevenção e de utilização da infraestrutura urbana para ampliar o acesso à saúde. Pesquisadores ligados à resposta internacional ao HIV também conheceram o funcionamento das máquinas.
A lógica é simples: em vez de exigir que o cidadão se desloque até um serviço especializado, a prevenção passa a estar no caminho dele.
São Paulo registra queda nos novos casos de HIV
A estratégia ocorre em meio a uma redução dos novos casos de HIV na cidade.
Segundo dados apresentados pela Prefeitura de São Paulo, o número de novos casos caiu de 3.761, em 2016, para 1.662, em 2025, uma redução de 56%. A administração municipal relaciona o resultado à ampliação da prevenção combinada, que inclui PrEP, PEP, testagem, tratamento e outras estratégias.
A Prefeitura também afirma que a cidade vem ampliando a oferta das profilaxias e descentralizando o acesso aos serviços.
Tecnologia para vencer uma velha barreira
Mais do que uma máquina, o modelo paulista tenta enfrentar um dos obstáculos históricos da prevenção ao HIV: o estigma.
A possibilidade de retirar a medicação em uma estação movimentada, sem precisar entrar em um serviço especializado exclusivamente para isso, pode tornar o processo mais discreto e conveniente.
É uma mudança de lógica na saúde pública. O serviço deixa de esperar pelo paciente e passa a ocupar os lugares onde a população já está.
E é justamente essa combinação entre tecnologia, mobilidade urbana e saúde pública que transformou a experiência paulistana em uma referência internacional.
Entenda o contexto
PrEP: medicamento utilizado antes de uma possível exposição ao HIV para reduzir o risco de infecção.
PEP: medicamento utilizado após uma possível exposição ao HIV e que deve ser iniciado rapidamente.
São Paulo: possui máquinas automáticas de retirada de PrEP e PEP instaladas em estações do metrô.
Atendimento: o acesso às profilaxias pode envolver teleconsulta, avaliação médica e prescrição.
AIDS 2026: a experiência de São Paulo foi levada à principal conferência internacional sobre HIV e aids, realizada no Rio de Janeiro em julho de 2026.