Gigante na TV e no Cinema, Laura Cardoso também deixou o seu legado na dublagem

Antes de se consagrar na dramaturgia brasileira, atriz teve uma breve e marcante passagem pela dublagem, emprestando sua voz a Betty Rubble, de Os Flintstones.
Redação NC News
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Laura Cardoso morreu aos 98 anos, nesta segunda-feira (17), em sua residência, em São Paulo. Segundo informações divulgadas pela família, Laura morreu de causas naturais. A atriz completaria 99 anos em 13 de setembro. A notícia provocou uma onda de homenagens de colegas de profissão e de instituições ligadas à cultura brasileira, destacando a dimensão de uma carreira que atravessou praticamente toda a história da televisão no país.

Além de deixar sua marca na televisão brasileira, Laura Cardoso se aventurou no mundo do cinema e iniciou sua carreira no teatro. Sendo o rosto de grandes obras, como Mulheres de Areia, Gabriela, Chocolate com Pimenta, A Viagem, ela também estrelou clássicos cinematográficos como Terra Estrangeira, de Walter Salles, e Ariella, de John Herbert. Também marcou presença nos palcos com Alice no País das Maravilhas, A Metamorfose de Kafka e A Bela e a Fera.

Mas o que não esperavam é que Laura Cardoso não cedia apenas o seu corpo para as telas, ela também emprestava sua voz.

Carreira na dublagem

Laura já tinha certa estabilidade na TV Tupi, mas longe de ser a grande estrela que se tornaria posteriormente. Seu passo para dublagem não foi apenas investimento na carreira, mas também foi uma aventura pessoal dentro dos núcleos artísticos do audiovisual.

Na década de 60, a atriz emprestou sua voz a Betty Rubble, de Os Flintstones, da Hanna Barbera. Laura foi a segunda dubladora brasileira da personagem, substituindo Nícia Soares.

Os registros de dublagem situam o trabalho de Laura entre 60-66, com certa dificuldade de registro, mas pela divisão por temporadas é possível assumir que a atriz assumiu o manto de Betty durante o meio da produção. Depois dela, a personagem passou a ser interpretada por Aliomar de Matos.

Laura, como a atriz brilhante que sempre foi, não tratou a dublagem como um mero degrau em sua carreira. Tempos depois, teve a oportunidade de se lembrar do período no ramo no “Conversa com Bial”, onde ela demonstrou grande carinho pela personagem e pelo trabalho.

“Amei fazer a Betty.”

Laura explicou que gostava do processo de dublagem, onde exigia sincronizar interpretação, texto e imagem. Ela resumiu a experiência como um trabalho de “tempo maravilhoso”, em que era necessário encontrar o ritmo exato entre o que aparecia na tela e a voz do intérprete.

Laura Cardoso: atriz, dubladora e artista | Foto: Reprodução

Lembrança com carinho

Em 2023, Laura foi entrevistada por Maria Beltrão no “É de Casa”, a apresentadora revelou o impacto que a personagem Betty havia causado em sua infância e brincou com a lembrança de sua voz. Laura respondeu que havia feito o trabalho “com maior prazer” e reafirmou uma característica já conhecida da atriz, em que ela não recusava personagens.

“Eu nunca disse não. Faria todos!”

A parte mais interessante de pensar em Laura Cardoso dublando é o de se situar dentro de um contexto em que ela não havia pisado anteriormente. Laura estava acostumada ao palco e à televisão, mas a dublagem exigia uma forma diferente de interpretação. Sem aparecer fisicamente em cena, ela precisava construir a personalidade da personagem exclusivamente pela voz, pelo ritmo e pela intenção de cada fala.

E Betty era uma personagem que dependia justamente dessa combinação. Vizinha e amiga de Wilma Flintstone, esposa de Barney e posteriormente mãe adotiva de Bamm-Bamm, Betty funcionava como uma das figuras centrais do núcleo familiar da clássica animação.

Início e outras experiências

Nos anos 1960, ela já tinha sua carreira na televisão, especialmente na TV Tupi, mas ainda estava muito distante da imagem de “dama da dramaturgia”. A dublagem de Os Flintstones aconteceu, portanto, no começo de sua longa trajetória televisiva, quando a televisão brasileira ainda estava formando sua própria linguagem e o mercado de dublagem paulista começava a crescer.

Embora Betty Rubble seja o trabalho mais conhecido e documentado de Laura Cardoso na dublagem, registros apontam uma participação em Perdidos no Espaço, série de ficção científica exibida originalmente entre 1965 e 1968.

Apesar da curiosidade, a dublagem representa uma parcela muito pequena na história de Laura. Certamente importante para o seu amadurecimento profissional e se aventurar nos próprios talentos. Para um artista, se aventurar faz parte do negócio.

Laura Cardoso, uma das maiores atriezes da história | Foto: Reprodução

 

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