O Remo sai do Beira-Rio com um empate por 1 a 1 contra o Internacional e a sensação de alívio. Em noite de atuação ruim, o time paraense arranca um ponto com um chute de longe de Vitor Bueno, no último minuto da partida válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A.
O resultado, construído sob forte pressão colorada, mantém o clube vivo na luta para se afastar da zona de rebaixamento. O ponto conquistado fora de casa pesa na conta de um elenco que ainda convive com desfalques, irregularidade e um ataque pouco efetivo.
Remo sofre, goleiro brilha e Inter lamenta tropeço
O Internacional domina o jogo em Porto Alegre. O Remo marca mal, erra passes fáceis e vê o adversário criar as melhores chances. A defesa paraense cede espaços, principalmente pelos lados, e obriga Marcelo Rangel a trabalhar mais do que o planejado.
O goleiro responde. Com defesas seguras e intervenções firmes em cruzamentos, vira o nome do time em campo. A atuação rende nota 8,0 nas avaliações pós-jogo e uma síntese repetida na análise da partida:
“Salvou a equipe quando foi acionado”, define Marcelo Rangel, em referência às dificuldades enfrentadas pelo sistema defensivo.
Na lateral, Marcelinho alterna bons e maus momentos. Aparece para o apoio, tenta conter o avanço colorado, mas se envolve em lances que aumentam a pressão. “Cometeu alguns erros que favoreceram o adversário”, admite o próprio lateral, ao avaliar a própria noite.
O Inter consegue abrir o placar e controla o ritmo, diante de um Remo pouco criativo. O time gaúcho sai de campo frustrado com o empate em casa, já que soma apenas um ponto num jogo em que produz mais e sofre o gol nos acréscimos.
Condé mexe, segura o time e vê Vitor Bueno decidir
Sem Marllon, suspenso, e Mayk, machucado, o técnico Condé entra em campo com opções limitadas. A estrutura defensiva sente as ausências, mas o meio-campo reage. José Welison e Patrick fazem partidas sólidas, com notas 7,5, e ajudam a fechar espaços no setor central.
Patrick, que entra no segundo tempo, reforça a marcação quando o Inter tenta matar o jogo.
“Entrou no segundo tempo e ajudou no sistema defensivo da equipe”, resume o próprio meio-campista, ao comentar o impacto da entrada. A mudança dá ao Remo um pouco mais de fôlego para suportar a pressão.
No ataque, o cenário é bem menos animador. Galeano estreia apagado, praticamente sem produzir lances de perigo. A autocrítica é dura: “Estreou, mas parece que não entrou em campo”, admite o atacante depois de passar despercebido durante quase todo o tempo em que fica em campo.
Alef Manga tenta acelerar as jogadas, mas também falha em momentos-chave. Na reta final, perde uma boa chance que poderia mudar o roteiro da partida. “Na reta final perdeu uma boa oportunidade de diminuir o placar, mas fora isso não ajudou a equipe”, reconhece o atacante.
Picco vive noite ainda mais complicada. Discreto na criação, se torna personagem por um lance isolado. “A única coisa que fez na partida foi dar um chute em Bruno Henrique”, admite o meio-campista. Jajá, tampouco consegue ser decisivo e reconhece: “Poderia ter feito mais pela equipe em campo”.
Golaço nos acréscimos muda o peso do resultado
O jogo caminha para mais uma derrota azulina fora de casa quando Condé decide lançar Vitor Bueno. O meia entra no segundo tempo para tentar dar qualidade ao passe e presença na bola parada. Passa alguns minutos discreto, mas guarda o momento de brilho para o fim.
Já nos acréscimos, o Remo ganha uma falta de muito longe, quase do meio-campo ofensivo. Vitor Bueno ajeita a bola, corre alguns passos e arrisca o chute direto. O foguete pega velocidade, faz curva e morre no canto direito do goleiro colorado, que se estica em vão.
O gol, anotado no último minuto, cala o Beira-Rio e transforma um resultado amargo em ponto comemorado. “Entrou no segundo tempo e marcou o gol do empate do Leão no último minuto da partida”, descreve Vitor Bueno, que recebe nota 8,0 e deixa o gramado como herói da noite.
O empate por 1 a 1 ganha contornos ainda mais importantes pela sequência de dois jogos fora de casa que o Remo enfrenta. A diretoria vê o resultado como combustível para um momento de pressão na parte de baixo da tabela. O elenco celebra não apenas o ponto, mas a capacidade de reagir mesmo em dia ruim.
Luta contra o rebaixamento e peso histórico para o Remo
Na tabela, o ponto conquistado em Porto Alegre ajuda a manter o Remo competitivo na corrida para escapar da Série B. A distância para a zona de rebaixamento continua pequena, mas cada empate fora de casa passa a valer como resultado positivo, sobretudo diante de rivais considerados mais fortes.
O desempenho coletivo, porém, acende alertas. A defesa sofre com desatenções, o meio-campo oscila e o ataque produz pouco. A consistência defensiva em alguns momentos da partida, sobretudo após as mexidas de Condé, contrasta com a dificuldade crônica de criar chances claras. O time precisa de mais do que gols salvadores esporádicos para garantir permanência na elite.
Nos bastidores, o clube discute ajustes táticos e reforços pontuais, em meio a um elenco já afetado por suspensões e lesões. A comissão técnica insiste em planejamento cuidadoso de carga física e recuperação, para evitar novas baixas decisivas como as de Marllon e Mayk.
O contexto emocional também pesa. A torcida azulina ainda celebra os 109 anos do estádio Baenão, símbolo da história e da identidade do Remo, comemorados nesta semana. O empate heroico contra o Inter cai como uma espécie de homenagem tardia, reforçando a narrativa de superação que acompanha o clube há décadas.
O Internacional, por sua vez, sai pressionado. Perde dois pontos em casa num campeonato em que o aproveitamento no Beira-Rio costuma ser determinante na briga pelas primeiras posições. A tendência é de cobrança por mudanças táticas e por maior concentração nos minutos finais, justamente o período em que o time deixa escapar a vitória.
O Remo volta a campo novamente fora de casa, com a missão de transformar o ponto conquistado em Porto Alegre em início de reação. A permanência na Série A representa impacto direto em visibilidade, receita de televisão, patrocínios e capacidade de atrair jogadores. A disputa contra o rebaixamento segue aberta, e a pergunta que paira sobre o Baenão é se o time conseguirá repetir a coragem do chute de Vitor Bueno com mais regularidade nas próximas rodadas.