O alemão Jens Wissing tira o sérvio Jan-Carlo Simić aos 26 minutos, ainda no primeiro tempo contra o Al-Najma, e acende um foco de crise no Al-Ittihad. O zagueiro deixa o campo revoltado, segue direto ao vestiário e vira centro de uma discussão que se espalha pelas redes sociais nesta terça-feira.
Substituição aos 26 minutos vira símbolo de ruptura
O episódio ocorre no estádio da Cidade Esportiva Rei Abdullah, em Buraida, na fase de 32 avos de final da Copa do Guardião das Duas Mesquitas Sagradas, competição eliminatória que não permite erros. Em sua terceira partida no comando do Al-Ittihad na temporada, Wissing parece levar ao limite a cobrança por desempenho imediato.
O treinador coloca em campo o lateral-direito Ahmed Al-Julaidan no lugar de Simić, que atuava improvisado justamente na lateral. A troca precoce, ainda com 26 minutos de jogo, expõe a insatisfação da comissão técnica com o desempenho do sérvio, mas também alimenta a percepção de punição pública ao jogador.
Imagens que circulam nas redes mostram Simić andando sem olhar para o banco, em direção direta ao túnel dos vestiários, logo após a saída. O gesto simboliza o desgaste. O defensor tem 21 anos, soma apenas 17 partidas pelo Al-Ittihad e vive um momento de pressão crescente desde a chegada do técnico alemão.
Imbróglio cresce desde mudança de posição
Simić chega ao clube vindo do futebol belga e é apresentado como zagueiro central. Com Wissing, vira lateral-direito, função em que não se sente à vontade e onde suas falhas ganham destaque. A mudança de posição precede uma sequência de decisões que o empurram para a margem do elenco.
No play-off da Liga dos Campeões da Ásia de Elite, contra o Al-Jazira, o defensor começa como titular, mas é sacado no segundo tempo. Em seguida, sequer é relacionado para o duelo contra o Al-Khaleej, pela Liga Roshn Saudita. O corte aos 26 minutos diante do Al-Najma se torna o ápice dessa escalada.
Nos bastidores, a leitura é que a comissão técnica já não enxerga Simić como peça confiável para o sistema defensivo. Seus números ajudam a contar essa história: em 17 jogos pelo Al-Ittihad, ele não marca gols e registra apenas uma assistência, desempenho modesto para um estrangeiro em clube de elite saudita.
Pressão sobre Wissing e chance para Al-Julaidan
Wissing, por sua vez, tenta afirmar sua autoridade em um vestiário repleto de nomes caros e expectativas altas. A substituição relâmpago sinaliza que o técnico não pretende aguardar que problemas se resolvam sozinhos em campo, mesmo ao custo de se indispor com um jovem defensor que ainda busca espaço.
O alemão já “surpreende a todos ao decidir tirar de campo seu zagueiro sérvio Jan-Carlo Simić aos 26 minutos”, como se comenta entre dirigentes e analistas locais. A leitura predominante é de que se trata de uma mensagem ao elenco: ninguém tem lugar garantido, independentemente da idade ou do investimento feito.
Para Ahmed Al-Julaidan, o cenário é oposto. O lateral-direito entra em um momento delicado da Copa do Guardião das Duas Mesquitas Sagradas e ganha uma vitrine rara. Se corresponder, reforça a tese de que Wissing acerta ao apostar em jogadores mais adaptados às funções específicas, mesmo que isso signifique encurtar a paciência com quem ainda não rende.
Torcida se divide e diretoria monitora estrago
Nas redes sociais, a torcida do Al-Ittihad se divide. Uma parte apoia a firmeza de Wissing e argumenta que o desempenho de Simić não justifica a titularidade. Outra enxerga exagero na exposição pública do jogador e teme que o tratamento rígido destrua a confiança de um atleta ainda em formação.
Comentários circulam com críticas ao uso de Simić fora de sua posição original, apontando que o improviso na lateral-direita amplia as chances de erro. A cada replay da cena em que ele deixa o gramado rumo ao vestiário, cresce a sensação de que a relação entre atleta e comissão técnica chega a um ponto de inflexão.
Dirigentes do departamento de futebol acompanham de perto a situação. O clube sabe que episódios assim costumam deixar marcas duradouras no vestiário. A avaliação interna passa por três caminhos: reposicionar Simić novamente como zagueiro central, mantê-lo na condição de reserva distante da rotação ou até colocá-lo na vitrine para uma eventual negociação futura.
Defesa em xeque e Mundial de Seleções no horizonte
O sistema defensivo do Al-Ittihad é o setor mais exposto no curto prazo. A troca forçada ainda no início do jogo mexe com a estrutura tática e obriga Wissing a ajustar a linha de quatro sob pressão. Cada avanço do Al-Najma pelo lado direito passa a ser visto como um teste à escolha feita pelo treinador.
O contexto aumenta o peso da decisão. A temporada saudita ganha projeção internacional com a proximidade do Mundial de Seleções, que concentra olhares sobre jogadores e treinadores da região. Um conflito aberto entre técnico e defensor estrangeiro pode afetar a imagem do clube no mercado e no vestiário.
Nos próximos compromissos, cada escalação de Wissing será lida como termômetro da crise. A presença ou ausência de Simić na lista de relacionados indicará se o episódio desta terça marca apenas uma cobrança pontual ou o início de um afastamento definitivo. A forma como o alemão administra esse desgaste dirá muito sobre a solidez do seu comando no Al-Ittihad.