Carreta com freios alterados causa engavetamento e deixa dois mortos no Paraná

Acidente na BR-277, em Morretes, envolveu caminhões e carros; PRF encontrou mangueiras do sistema de freios isoladas e motorista foi detido.
Redação NC News
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Um engavetamento envolvendo uma carreta bitrem, dois caminhões e sete carros deixa dois mortos e cinco feridos graves na BR-277, em Morretes, no litoral do Paraná. A Polícia Rodoviária Federal constata que a carreta descia a serra com o sistema de freios manipulado.

Descida descontrolada e carros prensados na serra

O acidente ocorre na manhã de terça-feira (18), no km 41 da BR-277, no sentido litoral, em um trecho de serra que concentra tráfego intenso de cargas. A carreta, carregada com madeira, perde a capacidade de frenagem adequada na descida e atinge, em sequência, dois caminhões e sete carros.

Um dos veículos de passeio fica prensado entre caminhões. Um homem e uma mulher que estavam dentro desse carro morrem ainda no local, antes da chegada do socorro médico. Outras cinco pessoas sofrem ferimentos graves e são encaminhadas a hospitais da região.

O impacto se espalha rapidamente pela rodovia. A pista no sentido litoral é bloqueada, e o tráfego em direção a Curitiba também sofre reflexos imediatos. A cena combina veículos destruídos, carga espalhada e equipes de resgate trabalhando para retirar vítimas presas nas ferragens.

Freios “isolados” e prisão do motorista

Durante a perícia dos veículos, agentes da PRF, com apoio técnico de um mecânico da concessionária EPR Litoral Pioneiro, identificam irregularidades graves na carreta bitrem. Pelo menos duas mangueiras do sistema de freios estavam, segundo a corporação, “isoladas”.

“Pelo menos duas mangueiras do sistema de freios da carreta estavam ‘isoladas’”, afirma a PRF em nota. A polícia explica que “a prática faz com que as rodas ligadas às mangueiras fiquem sem freio e sobrecarrega as demais rodas do veículo”, reduzindo de forma drástica o controle do caminhão, sobretudo em descidas longas e íngremes como a da BR-277.

Na prática, a carreta desce a serra com parte das rodas sem frenagem ativa. As que ainda seguram o peso são forçadas ao limite, aquecem mais rápido e perdem eficiência. O motorista, diante de um tráfego intenso, encontra pouca margem para manobra quando o conjunto deixa de responder ao pedal de freio.

Ao constatar a adulteração no equipamento de segurança, a PRF prende o condutor em flagrante e o entrega à Polícia Civil, que abre inquérito para apurar crime pela manipulação dos freios e pela condução perigosa que resulta nas mortes e nos feridos graves.

Congestionamento de 26 km e alerta ao transporte de cargas

O bloqueio da rodovia provoca um engarrafamento que se estende por 26 quilômetros no sentido litoral, segundo a concessionária responsável pela via. No sentido Curitiba, o congestionamento chega a 12 quilômetros. Motoristas ficam horas parados na serra, e caminhoneiros relatam dificuldades para cumprir prazos de entrega.

A pista só é totalmente liberada após as 20h30 de terça-feira (18), depois da retirada dos veículos e da limpeza da via. O acidente interrompe por quase todo o dia uma das principais ligações entre a capital, Curitiba, e o litoral do Paraná, com reflexos para o turismo e para o escoamento de cargas pelo porto.

O caso acende um alerta sobre a segurança viária no estado e expõe um problema recorrente no transporte rodoviário pesado: a manipulação de sistemas de freios para tentar reduzir custos de manutenção ou contornar falhas mecânicas. Em trechos de serra, qualquer deficiência na frenagem transforma veículos de grande porte em risco extremo para motoristas de carros menores.

Cobrança por fiscalização e responsabilização

Autoridades de trânsito tratam o engavetamento como um marco recente nas discussões sobre segurança na BR-277. A prisão do motorista, ainda na rodovia, sinaliza que a responsabilização criminal por adulteração de equipamento de segurança tende a ser mais dura.

A PRF prepara laudos técnicos que devem embasar o inquérito na Polícia Civil e eventuais processos judiciais. A concessionária EPR Litoral Pioneiro também entra no radar de cobranças por mais rigor na fiscalização de veículos pesados, sobretudo nos pontos de acesso ao trecho de serra.

Especialistas em trânsito defendem a combinação de inspeções técnicas mais frequentes, sistemas de monitoramento em tempo real e punições mais severas para fraudes em freios e outros dispositivos de segurança. O caso em Morretes reforça a percepção de que a negligência mecânica, quando somada ao relevo acidentado, cobra preço alto em vidas.

Para motoristas que utilizam a BR-277, o engavetamento desta semana funciona como lembrete incômodo. A prudência ao dirigir continua essencial, mas não é suficiente para neutralizar caminhões que descem a serra com freios adulterados. A pressão por rodovias mais seguras, fiscalização constante e transparência nas condições de tráfego no Paraná tende a crescer nos próximos dias.

Nos bastidores, ganha força a expectativa de que o episódio vire referência em investigações futuras e em debates legislativos sobre modernização da frota, inspeção veicular obrigatória e punições exemplares a quem lucra ao colocar vidas em risco nas estradas do país.

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