O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (19) que se identifica com os valores do bolsonarismo, mas que não concorda com tudo o que é defendido pelo movimento. A declaração foi dada durante uma sabatina em resposta à Rádio Jovem Pan.
Tarcísio afirmou que mantém alinhamento com pautas conservadoras, liberais e com valores cristãos, mas disse ter autonomia para discordar de posições que considera inadequadas. Como exemplo, citou a resistência à vacinação, destacando ações de seu governo para ampliar a cobertura vacinal contra o sarampo.
“Eu me identifico, sim, com o bolsonarismo. É lógico que a gente sempre rechaça aquilo que não faz sentido. […] É lógico que a gente tem uma identidade própria, mas um alinhamento forte com valores que, para nós, são os corretos.”
O que Tarcísio disse sobre o bolsonarismo?
A declaração do governador tenta estabelecer uma diferença entre a identificação com os valores do bolsonarismo e a adesão automática a todas as posições do movimento.
Tarcísio afirmou que reconhece a importância política do grupo que ajudou a projetá-lo nacionalmente, mas ressaltou que possui personalidade própria e não precisa concordar com tudo.
Na prática, a fala reforça uma imagem de político de direita que procura manter proximidade com o eleitorado bolsonarista, mas também preservar espaço para decisões próprias.
Por que a vacinação entrou no discurso?
Um dos exemplos citados por Tarcísio foi a vacinação.
O governador mencionou a resistência existente em parte do bolsonarismo à vacinação e apontou que seu governo trabalhou para ampliar a cobertura contra o sarampo.
O exemplo serve para mostrar o que ele considera uma posição sem sentido dentro do campo político ao qual se identifica.
A mensagem é clara: para Tarcísio, defender valores conservadores não significa necessariamente seguir todas as opiniões associadas ao bolsonarismo.
Tarcísio rompeu com Bolsonaro?
Não. A declaração não representa um rompimento político com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Tarcísio continua se apresentando como aliado do campo político bolsonarista e mantém vínculos com esse eleitorado. Ao mesmo tempo, vem reforçando a própria identidade política e a condição de candidato à reeleição em São Paulo.
O governador também já declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, enquanto concentra seu projeto eleitoral de 2026 na permanência no governo paulista.
Por isso, a fala desta quarta-feira deve ser entendida mais como uma afirmação de autonomia do que como uma ruptura com o grupo.
Qual é o impacto da declaração na eleição de São Paulo?
A disputa pelo governo paulista coloca Tarcísio novamente no centro da política nacional.
O governador enfrenta Fernando Haddad (PT) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira aponta Tarcísio com 50% das intenções de voto na pesquisa estimulada, contra 33,8% de Haddad.
Nesse cenário, manter o apoio do eleitorado de direita é importante para Tarcísio, mas também existe o desafio de ampliar sua capacidade de diálogo para além da base mais fiel ao bolsonarismo.
A estratégia pode explicar o cuidado em defender os valores associados à direita e, ao mesmo tempo, destacar que ele possui opiniões próprias.
O que Tarcísio pensa sobre Flávio Bolsonaro?
Durante a sabatina, Tarcísio também falou sobre a eleição presidencial.
O governador afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia facilitar a relação entre o governo federal e São Paulo. Segundo Tarcísio, atualmente existe uma distância entre o Palácio dos Bandeirantes e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ele considera prejudicial ao Estado.
A declaração mostra que, apesar de defender autonomia em relação ao bolsonarismo, Tarcísio ainda vê uma possível gestão federal alinhada à direita como positiva para São Paulo.
E a relação com Lula?
Tarcísio afirmou que considera a relação com o governo Lula distante e disse que São Paulo é tratado como adversário político.
Ao mesmo tempo, o governador já destacou situações em que houve cooperação entre os governos estadual e federal.
Um exemplo recente foi a articulação em torno da PPP para o túnel Santos-Guarujá. Tarcísio afirmou que convenceu Lula a autorizar o modelo de parceria para a obra, enquanto o governo federal destacou sua participação na viabilização do projeto.
Isso ajuda a explicar uma característica do discurso do governador: oposição política não significa, necessariamente, rejeição a negociações institucionais.
Tarcísio está pensando em 2030?
A declaração acontece em um momento em que o nome de Tarcísio continua sendo citado como uma das principais figuras da direita brasileira para os próximos ciclos eleitorais.
Embora seu projeto oficial em 2026 seja a reeleição em São Paulo, o governador vem adotando um discurso que ultrapassa questões estaduais e aborda temas nacionais, como segurança pública, saúde, economia e funcionamento do governo federal.
Análises recentes também apontam que a campanha de Tarcísio tem adotado um discurso nacional, o que alimenta especulações sobre seu futuro político depois de 2026.
Isso não significa que ele tenha anunciado uma candidatura presidencial para 2030.
O que muda agora?
Por enquanto, a principal disputa de Tarcísio continua sendo a reeleição para o governo de São Paulo.
A declaração sobre o bolsonarismo, porém, reforça uma estratégia política importante: manter a identificação com a direita e com a base de Bolsonaro sem abrir mão de apresentar uma identidade própria.
Em uma eleição marcada pela polarização, esse equilíbrio pode ser decisivo para ampliar o eleitorado e preservar o apoio de grupos diferentes dentro da direita.
ENTENDA O CONTEXTO
Tarcísio de Freitas chegou ao governo de São Paulo com forte apoio de Jair Bolsonaro e se consolidou como uma das principais lideranças da direita brasileira.
Em 2026, o governador disputa a reeleição e mantém proximidade com o campo bolsonarista, inclusive defendendo uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
Ao mesmo tempo, Tarcísio vem tentando deixar claro que não concorda automaticamente com todas as posições associadas ao bolsonarismo. A resistência à vacinação foi citada por ele como exemplo de uma posição que considera sem sentido.
A estratégia coloca o governador diante de um desafio: preservar a força junto ao eleitorado de direita sem ficar totalmente dependente da imagem e das posições da família Bolsonaro.
Por enquanto, Tarcísio mantém o apoio político ao campo bolsonarista, mas reforça que pretende tomar decisões de acordo com suas próprias convicções.