Uma equipe internacional de pesquisadores propôs uma nova estratégia para a prevenção do diabetes tipo 2, com foco em cuidados contínuos ao longo da vida e na identificação precoce de pessoas com maior risco de desenvolver a doença.
A proposta vai além de medidas adotadas apenas na idade adulta. Os pesquisadores defendem que a prevenção comece em diferentes fases da vida, incluindo o período que antecede a gravidez, gestação, primeira infância, adolescência, início da vida adulta e meia-idade.

Prevenção deve começar mais cedo
Uma das principais recomendações é substituir ações pontuais por um acompanhamento contínuo da saúde metabólica.
A ideia é identificar alterações antes que o diabetes tipo 2 se desenvolva e atuar especialmente em períodos considerados de maior vulnerabilidade metabólica.
Entre eles estão a gravidez, o acompanhamento de casos de diabetes gestacional, a puberdade e mudanças hormonais, como a menopausa.

Pré-diabetes como sinal de alerta
Os pesquisadores também defendem que a remissão do pré-diabetes seja considerada uma das principais metas da prevenção.
O objetivo seria recuperar e manter níveis normais de glicose no sangue antes que alterações metabólicas avancem para o diabetes tipo 2.
A estratégia também leva em consideração que nem todas as pessoas desenvolvem a doença pelos mesmos mecanismos. Por isso, os pesquisadores defendem uma abordagem individualizada, considerando fatores como resistência à insulina, acúmulo de gordura visceral e alterações no fígado.
Dez pontos apresentados pelos pesquisadores
A proposta reúne dez frentes de atuação:
- Acompanhar a saúde metabólica ao longo de toda a vida.
- Buscar a remissão do pré-diabetes como objetivo clínico.
- Individualizar a prevenção de acordo com o perfil de cada pessoa.
- Priorizar períodos da vida em que o risco metabólico aumenta.
- Proteger precocemente as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
- Combinar mudanças no estilo de vida com tratamentos quando indicados.
- Utilizar tecnologias digitais, inteligência artificial e biomarcadores para identificar riscos.
- Garantir que estratégias de prevenção sejam acessíveis e possam ser aplicadas em diferentes realidades.
- Ampliar a prevenção e a triagem metabólica na atenção primária.
- Produzir novas evidências científicas por meio de estudos de longo prazo e ensaios clínicos.
Tecnologia pode ajudar na prevenção
Outra frente destacada é o uso de inteligência artificial, monitoramento contínuo da glicose e biomarcadores.
Segundo a proposta, essas ferramentas poderiam ajudar a identificar padrões de risco e permitir intervenções mais personalizadas.
A ideia é utilizar os avanços tecnológicos não apenas para tratar a doença depois que ela aparece, mas também para antecipar possíveis problemas metabólicos.
Estilo de vida continua importante
Apesar do avanço de medicamentos e tecnologias, as mudanças no estilo de vida continuam sendo consideradas fundamentais dentro da estratégia de prevenção.
A proposta apresentada pelos pesquisadores busca justamente integrar diferentes formas de cuidado, combinando acompanhamento médico, prevenção, mudanças de hábitos e, quando necessário, tratamentos farmacológicos.
O objetivo final é evitar que pessoas em situação de risco avancem para o diabetes tipo 2 e reduzir as complicações associadas à doença.