Empresário Ivo Kos é preso em cadeia superlotada de São Paulo após agressão à esposa

Preso por violência doméstica, Ivo está em prisão preventiva no Complexo Penal 2, na zona oeste da capital; unidade tem mais que o dobro da capacidade de presos.
Redação NC News
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O empresário Ivo Kos, de 48 anos, está preso preventivamente em uma unidade prisional da zona oeste de São Paulo após ser acusado de agredir a esposa, a dentista Giullia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos. O empresário foi detido no sábado (15) e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça.

Kos está no Centro de Detenção Provisória 1, dentro do Complexo Penal 2 de São Paulo, na Vila Leopoldina. O local tem capacidade para 521 detentos, mas abrigava 1.089 homens, mais que o dobro do limite previsto.

A unidade é destinada a presos relacionados a crimes de violência contra mulheres e crimes sexuais. A prisão de Kos, no entanto, ainda ocorre no curso do processo, e ele não foi condenado pelas acusações.

O que aconteceu com a esposa?

Segundo o relato apresentado por Giullia à polícia, as agressões começaram depois de um jantar. Ainda dentro do carro, o casal teria discutido e Kos teria dado socos na mulher.

A violência teria continuado quando os dois chegaram à residência, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

A dentista relatou ter sido agredida com socos e com um taco de beisebol, além de ter sido ameaçada com uma arma de choque. Ela também afirmou que vinha sofrendo agressões havia cerca de dois anos.

Imagens de câmeras de segurança registraram parte do episódio. Em um dos vídeos, Giullia aparece sentada na calçada enquanto Kos se aproxima. As imagens mostram o empresário aparentemente tentando segurá-la pelo braço e, posteriormente, dando um soco no rosto da mulher e tentando arrastá-la para dentro do imóvel.

Empresário nega as agressões

Em depoimento, Ivo Kos apresentou uma versão diferente da relatada pela esposa.

O empresário afirmou que foi atacado por Giullia e alegou que ela estaria alterada após consumir álcool. Segundo a versão apresentada por ele, a mulher teria quebrado vidros do carro e tentado agredi-lo com um taco.

A defesa informou que não pretende se manifestar publicamente sobre o caso, em respeito às famílias.

A Polícia Civil, por sua vez, indiciou Kos por lesão corporal e ameaça, no contexto da Lei Maria da Penha. O advogado da dentista pretende pedir que o caso seja reclassificado para tentativa de feminicídio.

Por que a prisão chama atenção?

Além da gravidade das acusações, a situação ganhou repercussão porque Kos está em uma unidade que enfrenta superlotação severa.

O CDP 1 tem capacidade para 521 presos, mas o número registrado na terça-feira chegou a 1.089, uma ocupação de aproximadamente 209% da capacidade.

Na prática, isso significa que havia mais de duas pessoas para cada vaga disponível.

Quem é Ivo Kos?

Kos é empresário e cofundador da securitizadora Virgo, ligada ao mercado financeiro. O caso de violência doméstica ocorre em meio a outras questões envolvendo sua atuação empresarial.

Ele também é investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suspeitas relacionadas à securitizadora, incluindo supostas irregularidades envolvendo Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs). Em 2025, Kos chegou a propor o pagamento de uma multa de R$ 700 mil e o afastamento de funções de direção, mas a proposta foi rejeitada.

Essas investigações, porém, são independentes do processo criminal relacionado à agressão da esposa.

O que acontece agora?

Ivo Kos permanece preso preventivamente enquanto o caso é investigado.

A Polícia Civil deverá continuar apurando a dinâmica das agressões e as circunstâncias relatadas pela vítima e pelo empresário. A Justiça também deverá analisar os pedidos apresentados pela defesa e pela acusação.

Enquanto isso, o caso ganhou um elemento que chama atenção: o empresário que antes circulava pelo mercado financeiro agora está em uma unidade prisional que abriga mais que o dobro do número de presos para o qual foi projetada.

Entenda o caso

14 de agosto: segundo a investigação, começa a sequência de agressões contra Giullia após um jantar. O episódio ocorre em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

15 de agosto: Ivo Kos é preso em flagrante.

17 de agosto: a prisão em flagrante é convertida em prisão preventiva.

18 de agosto: levantamento aponta que o CDP 1, onde Kos está preso, abriga 1.089 detentos para uma capacidade de 521.

20 de agosto: o caso continua sendo investigado pela Polícia Civil. A defesa da vítima avalia pedir a reclassificação da acusação para tentativa de feminicídio.

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