Forte terremoto atinge o Peru e sequência de abalos acende alerta na América do Sul

Tremor atingiu a região de Ayacucho nesta quinta-feira (20), foi sentido até em Lima e ocorre em meio a uma sequência de grandes terremotos que chama atenção para o Cinturão de Fogo do Pacífico
Redação NC News
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A terra voltou a tremer com força na América do Sul. Um terremoto atingiu o Peru por volta das 13h desta quinta-feira (20), horário local, e foi sentido em diferentes regiões do país, inclusive na capital, Lima.

Há diferença entre as medições dos órgãos sismológicos. O Instituto Geofísico do Peru (IGP) registrou magnitude 7,2, com epicentro a 35 quilômetros ao norte de Coracora, na região de Ayacucho, e profundidade de 108 quilômetros. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calculou magnitude 6,7. A diferença é possível porque instituições podem utilizar metodologias e dados distintos para calcular um terremoto.

O tremor foi percebido em diferentes pontos do território peruano. Informações atualizadas apontam ainda registros de feridos e danos em imóveis e estruturas, mas sem confirmação de mortes. A Marinha peruana descartou risco de tsunami.

O novo episódio aumenta a atenção para a atividade sísmica da América do Sul e levanta uma pergunta inevitável: por que tantos terremotos fortes acontecem nessa parte do continente?

Onde aconteceu o terremoto no Peru?

O tremor ocorreu na região andina de Ayacucho, no sul do país.

Segundo a medição do IGP, o epicentro ficou a aproximadamente 35 quilômetros ao norte de Coracora, capital da província de Parinacochas.

O terremoto ocorreu a uma profundidade considerada intermediária. Essa característica ajuda a explicar por que as ondas sísmicas conseguiram alcançar uma área extensa.

O tremor foi percebido em regiões como Ayacucho, Ica, Arequipa, Huancavelica, Apurímac e Cusco, além de Lima.

Em vários locais, moradores deixaram prédios e casas durante o abalo.

Houve vítimas ou estragos?

As primeiras informações não apontavam para uma tragédia de grandes proporções, mas levantamentos posteriores registraram consequências do terremoto.

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas durante evacuações em Coracora, segundo autoridades locais.

Também foram relatados danos em 22 residências, seis unidades de saúde e uma escola em diferentes localidades. Houve ainda registros de deslizamentos e queda de rochas em áreas próximas a Coracora.

Apesar da força do tremor, não houve indicação de tsunami.

A profundidade do terremoto pode ter ajudado a reduzir seu potencial destrutivo na superfície.

Por que o Peru tem tantos terremotos?

A resposta está debaixo do continente.

O Peru está localizado em uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta, conhecida como Cinturão de Fogo do Pacífico.

Na costa oeste da América do Sul acontece um encontro permanente entre grandes placas tectônicas.

A placa de Nazca, localizada sob o Oceano Pacífico, movimenta-se em direção ao continente e mergulha por baixo da placa Sul-Americana.

Esse processo recebe o nome de subducção.

O movimento ocorre continuamente, mas as placas podem encontrar resistência. Quando isso acontece, grandes quantidades de energia ficam acumuladas nas rochas.

Em determinado momento, essa tensão supera a resistência das estruturas geológicas e ocorre uma ruptura.

A energia é então liberada em forma de ondas sísmicas.

É o terremoto.

Movimento das placas tectônicas explica por que a América do Sul registra terremotos frequentes.

O que é o Cinturão de Fogo?

Apesar do nome, não existe um “anel” físico ao redor do Pacífico.

O Cinturão de Fogo é uma enorme faixa que acompanha as bordas do Oceano Pacífico e reúne diferentes placas tectônicas.

Ela passa por áreas das Américas, Ásia e Oceania e concentra grande parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta.

Países como Peru, Chile, Equador, México, Japão, Indonésia e Filipinas estão em áreas relacionadas a esse sistema tectônico.

Por isso, terremotos que seriam considerados extraordinários em outras partes do planeta fazem parte da realidade geológica desses países.

Terremotos recentes significam que algo anormal está acontecendo?

Não necessariamente. Quando grandes terremotos acontecem em sequência, é natural surgir a impressão de que todos estão ligados ou de que existe uma espécie de efeito dominó percorrendo o planeta.

Mas essa conclusão exige cautela.

O Cinturão de Fogo já apresenta atividade sísmica constante. Terremotos ocorrem diariamente em diferentes pontos da região, embora a maioria seja pequena e passe despercebida pela população.

Mesmo quando grandes tremores acontecem com poucos dias ou semanas de diferença, isso não significa automaticamente que um tenha provocado o outro.

Para estabelecer uma ligação entre eventos sísmicos, cientistas precisam analisar localização, falhas geológicas, profundidade, mecanismo de ruptura e outros dados.

Por que o terremoto foi sentido tão longe?

A explicação está nas ondas sísmicas. Quando ocorre uma ruptura dentro da Terra, a energia liberada não fica restrita ao epicentro.

Ela se propaga pelo planeta através de diferentes tipos de ondas.

Dependendo da magnitude e principalmente da profundidade do terremoto, essas ondas podem percorrer centenas ou até milhares de quilômetros.

É por isso que um grande tremor ocorrido em determinado país pode ser percebido muito longe de sua origem.

Em cidades distantes, o fenômeno pode aparecer principalmente em prédios altos.

Como um terremoto nos Andes pode fazer prédios balançarem em Manaus?

Essa situação já chamou atenção na capital amazonense durante grandes terremotos ocorridos na região dos Andes.

Manaus está a uma distância considerável das principais zonas de encontro entre placas tectônicas da América do Sul, mas ondas produzidas por terremotos muito fortes podem viajar por grandes distâncias.

Edifícios altos podem amplificar a percepção de movimentos lentos provocados por determinadas ondas.

Assim, enquanto uma pessoa no nível da rua pode não sentir praticamente nada, moradores e trabalhadores nos andares superiores podem perceber lustres, portas, persianas ou móveis se movimentando.

Isso não significa que o epicentro esteja próximo de Manaus.

Na realidade, o que chega à cidade é parte da energia liberada muito longe dali.

O Brasil pode ter um grande terremoto?

O Brasil também registra terremotos, mas sua situação geológica é diferente da encontrada no Peru.

Grande parte do território brasileiro está localizada no interior da placa Sul-Americana, distante das bordas onde acontecem os grandes encontros entre placas tectônicas.

Por isso, o risco de terremotos extremamente destrutivos é significativamente menor.

Isso não significa, entretanto, que o território brasileiro seja completamente estável.

Existem falhas geológicas dentro da placa e tensões podem ser liberadas nessas estruturas, produzindo os chamados terremotos intraplaca.

O país possui registros históricos de terremotos moderados e até de eventos mais fortes.

A diferença é que eles são muito menos frequentes do que aqueles observados ao longo da costa do Pacífico sul-americano.

Um terremoto maior pode ser previsto?

Não com precisão. A ciência consegue identificar regiões de maior risco sísmico, mapear falhas geológicas e calcular probabilidades de ocorrência de terremotos ao longo de determinados períodos.

Também é possível detectar rapidamente um terremoto depois que a ruptura começa e, em alguns países, sistemas de alerta conseguem fornecer segundos preciosos antes da chegada das ondas mais fortes a determinadas cidades.

Mas ninguém consegue atualmente determinar com precisão algo como:

“um terremoto de determinada magnitude acontecerá nesta cidade, neste dia e neste horário”.

Por isso, a principal estratégia em países altamente sísmicos continua sendo a prevenção.

Construções resistentes, treinamento da população, rotas de evacuação e sistemas de emergência são fundamentais para reduzir o número de vítimas.

O que acontece agora no Peru?

Autoridades peruanas continuam avaliando as áreas atingidas para identificar danos e possíveis vítimas.

Também existe acompanhamento de possíveis réplicas.

Réplicas são terremotos que acontecem depois do evento principal na mesma região enquanto a crosta terrestre passa por um processo de reajuste.

Elas geralmente apresentam magnitude inferior à do terremoto principal, mas ainda podem representar perigo, principalmente para estruturas que já tenham sido danificadas.

A orientação é que moradores das regiões atingidas acompanhem as informações oficiais das autoridades peruanas.

ENTENDA O CONTEXTO

O forte terremoto desta quinta-feira volta a mostrar por que o Peru convive historicamente com grandes abalos.

O país está localizado no Cinturão de Fogo do Pacífico e diretamente influenciado pelo encontro entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana.

O IGP calculou o terremoto desta quinta em magnitude 7,2, enquanto o USGS apresentou magnitude 6,7.

O tremor foi sentido em uma extensa área do Peru, incluindo Lima, e provocou danos em algumas localidades. Não houve alerta de tsunami.

O episódio ocorre em um momento de grande atenção para os terremotos registrados recentemente na América do Sul.

A proximidade entre diferentes eventos, entretanto, não significa automaticamente que exista uma reação em cadeia.

Para o Brasil, a sequência também serve para lembrar que o país não está completamente isolado dos efeitos dos grandes terremotos andinos. Dependendo da intensidade e da profundidade, ondas sísmicas podem atravessar grandes distâncias e até fazer edifícios altos balançarem na Amazônia.

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