A greve dos bancários acontece nesta quinta-feira (20) em todo o país, com paralisação de 24 horas em meio ao impasse nas negociações salariais com os bancos. A mobilização pode afetar o atendimento nas agências, que podem operar com restrições ou até ficar fechadas.
Mas a greve não significa que o sistema bancário inteiro vai parar. Pix, aplicativos, internet banking, transferências e caixas eletrônicos continuam funcionando, enquanto os principais impactos devem ocorrer no atendimento presencial.
E existe um alerta importante para quem tem contas vencendo hoje: a paralisação não altera os prazos de pagamento.
O que motivou a greve?
A paralisação acontece durante a Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026.
O principal impasse está na negociação entre os trabalhadores e a Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban. Na rodada realizada em 13 de agosto, os bancos não apresentaram uma proposta de índice de reajuste para salários e outras verbas, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo.
A categoria reivindica, entre outros pontos, aumento real dos salários, reajuste do piso, valorização da participação nos lucros e resultados e melhorias nos vales-refeição e alimentação.
Entre as propostas apresentadas pelos bancos estava um modelo de reajuste dividido em diferentes faixas salariais. Também houve discussão sobre o congelamento do piso de ingresso na categoria.
Diante do impasse, assembleias realizadas na segunda-feira (17) aprovaram a paralisação nacional de 24 horas para esta quinta.
De acordo com a nota divulgada pela categoria nesta quinta-feira (20), a oitava rodada de negociação terminou sem uma proposta econômica dos bancos. Os trabalhadores afirmam que a paralisação foi motivada pela falta de avanços nas discussões da Campanha Nacional Unificada de 2026.
Além do reajuste salarial com ganho real, os bancários cobram valorização da PLR, manutenção e ampliação dos benefícios e avanços nas demais cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho.
A categoria também critica o fechamento de agências e a redução de postos de trabalho. Segundo os dados apresentados na nota, entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram 93,3 mil postos de trabalho e cortaram 9,5 mil agências, uma queda de 42% na rede. Isso equivale a aproximadamente 30 agências fechadas por semana.
A nota também destaca os resultados financeiros do setor. Em 2025, os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões, enquanto o patrimônio líquido do setor bancário chegou a cerca de R$ 1,2 trilhão.
A próxima rodada de negociação está marcada para segunda-feira (24). A expectativa dos sindicatos é que a paralisação aumente a pressão para que os bancos apresentem uma proposta considerada adequada às reivindicações dos trabalhadores.
Em quais estados há paralisação?
A paralisação foi convocada em âmbito nacional, mas a adesão e o impacto no atendimento variam de acordo com cada sindicato e região.
Até esta quinta-feira (20), há confirmação de mobilização em diferentes estados, entre eles:

Em algumas regiões, sindicatos informaram paralisação de agências específicas; em outras, a mobilização pode atingir uma parcela maior da rede bancária. Por isso, a situação não é necessariamente igual em
E o impacto é igual em todo lugar?
Não. A paralisação de 24 horas foi aprovada nacionalmente, mas o funcionamento de cada agência depende da adesão dos trabalhadores.
Em alguns locais, as portas podem permanecer fechadas. Em outros, pode haver funcionamento com equipe reduzida e atendimento limitado. Por isso, antes de sair de casa, a orientação é verificar os canais oficiais do banco e priorizar o aplicativo, internet banking, Pix e caixas eletrônicos quando o serviço permitir.
E se uma conta vencer hoje?
Aqui está o ponto que pode pegar muita gente de surpresa. A greve não muda a data de vencimento de contas, boletos ou outros compromissos financeiros.
Se uma cobrança vence nesta quinta-feira, o prazo continua sendo esta quinta-feira. Deixar o pagamento para depois pode resultar em multa, juros ou outros encargos previstos no contrato.
Por isso, quem tem uma conta vencendo hoje deve utilizar os canais digitais ou outras formas de pagamento disponíveis.
Também é possível recorrer a estabelecimentos que oferecem serviços financeiros, como lotéricas e alguns supermercados, dependendo do tipo de pagamento.
O que pode acontecer nas agências?
É justamente no atendimento presencial que o cliente pode sentir os efeitos da paralisação.
As agências não necessariamente estarão fechadas em todo o país, porque a adesão depende da participação dos funcionários em cada local. Algumas unidades podem funcionar normalmente, enquanto outras terão equipes reduzidas ou não conseguirão oferecer atendimento presencial.
Em São Paulo, por exemplo, já havia registro de unidades funcionando com equipes reduzidas durante a manhã desta quinta-feira.
Por isso, quem precisa resolver uma questão presencial deve considerar a possibilidade de encontrar filas, atendimento limitado ou agência sem funcionamento.
O que continua funcionando?
A greve dos bancários não interrompe automaticamente os serviços digitais.
Entre os canais que continuam disponíveis estão:
- Pix;
- Aplicativos dos bancos;
- Internet banking;
- Transferências;
- Pagamentos digitais;
- Caixas eletrônicos;
- Saques nos terminais de autoatendimento.
Esses canais são justamente a principal alternativa para quem precisa realizar operações durante a paralisação.
Ainda assim, serviços específicos podem depender de atendimento humano e, nesses casos, o cliente pode ter que esperar até a normalização das atividades presenciais.
O salário vai cair normalmente?
A paralisação também não altera automaticamente o calendário de créditos. Quem tem salário ou outro pagamento programado para cair na conta deve acompanhar o aplicativo ou canal digital da instituição financeira.
A orientação geral é não depender do atendimento presencial para verificar movimentações, já que o acesso digital continua sendo uma das principais alternativas durante a paralisação.
Por que a greve acontece em um momento tão digital?
Existe uma curiosidade importante nessa paralisação: o brasileiro está cada vez menos dependente das agências físicas.
Grande parte das operações bancárias já é feita por celular, internet e outros canais digitais. Isso reduz o impacto de uma paralisação presencial para tarefas simples, como transferir dinheiro, pagar uma conta ou fazer um Pix.
Mas a agência ainda é importante para situações que exigem atendimento humano, especialmente operações mais complexas. É aí que a greve pode pesar mais.
O que dizem os bancos?
A Fenaban informou que as negociações continuam dentro do cronograma e manifestou expectativa de chegar a um acordo com os trabalhadores.
Do outro lado, os sindicatos afirmam que a proposta apresentada pelos bancos não atende às reivindicações da categoria e criticam especialmente a ausência de uma proposta de reajuste considerada adequada. O impasse acontece às vésperas da data-base dos bancários, marcada para 1º de setembro.
Em nota enviada ao NC NEWS, a Federação Nacional dos Bancos, comunicou:
A Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), que representa há 34 anos os bancos nas negociações trabalhistas, recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.
A paralisação vai continuar?
A mobilização anunciada para esta quinta-feira tem duração de 24 horas. Isso significa que o movimento previsto para hoje não representa, por si só, uma greve por tempo indeterminado.
Mas o futuro da campanha salarial depende do resultado das negociações entre trabalhadores e bancos. Se não houver avanço, novas mobilizações podem ser discutidas pela categoria.
ENTENDA O CONTEXTO
A paralisação nacional ocorre depois de os bancários rejeitarem a proposta apresentada pela Fenaban durante as negociações da campanha salarial de 2026.
A categoria cobra reajuste salarial, valorização da PLR, melhorias nos benefícios e manutenção de direitos. Os trabalhadores também criticaram propostas que poderiam estabelecer diferenças de reajuste conforme a faixa salarial.
Enquanto sindicatos e bancos tentam chegar a um acordo, o consumidor precisa lidar com a consequência mais imediata: o possível impacto no atendimento presencial.
A boa notícia é que a maior parte das operações rotineiras continua disponível pelos canais digitais.
O principal cuidado é não confundir greve com suspensão de pagamentos.
Conta que vence hoje continua vencendo hoje.
Por isso, quem precisa pagar uma cobrança, fazer uma transferência ou movimentar dinheiro deve priorizar o aplicativo, o internet banking, o Pix ou os demais canais disponíveis.