Lula começa campanha nas ruas e prepara maratona por três estados em busca de força eleitoral

Presidente inicia nesta quinta-feira (20), em Natal, a primeira sequência de viagens após oficializar candidatura à reeleição; soberania, fim da escala 6x1 e segurança pública devem dominar discursos
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa nesta quinta-feira (20) uma nova fase da disputa pela reeleição: a campanha nas ruas. O primeiro destino é Natal, no Rio Grande do Norte, onde o petista terá uma agenda que mistura compromissos do governo federal com o primeiro grande ato político desde o lançamento oficial de sua candidatura.

A visita abre uma maratona que deve levar Lula, nos próximos dias, a Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro, três estados estratégicos para a disputa presidencial. No Rio Grande do Norte, o presidente participa de uma agenda em Macaíba e, depois, de um ato político em Natal ao lado da governadora Fátima Bezerra e do candidato do PT ao governo estadual, Cadu Xavier. A programação foi confirmada por autoridades e pela campanha local.

A passagem pelo estado também terá um componente tecnológico. Em Macaíba, Lula participa de anúncios relacionados a supercomputadores, inteligência artificial e soberania digital, no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX). O equipamento faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, uma das iniciativas do governo federal na área.

A combinação não é casual. Ao mesmo tempo em que cumpre compromissos como presidente, Lula começa a levar para diferentes regiões do país os temas que deverão marcar sua campanha.

O que Lula deve levar para os palanques

Nos discursos, a campanha pretende reforçar a ideia de soberania nacional, além de temas com forte impacto no cotidiano dos trabalhadores, como o fim da escala 6×1.

A proposta que busca acabar com o modelo de seis dias trabalhados para um de descanso ganhou espaço na agenda do governo e avançou no Congresso. No Senado, a tramitação foi destravada recentemente, enquanto o governo tenta viabilizar uma votação antes das eleições.

Outro assunto que deve aparecer com força é a segurança pública. A campanha pretende apresentar a PEC da Segurança Pública como uma das prioridades para o próximo período, caso Lula seja reeleito.

Também devem entrar no discurso temas como:

Prioridades para o Brasil no Lula 4. | Foto: Redação NC News

A estratégia é transformar esses assuntos em uma narrativa mais ampla sobre o que o governo considera ter realizado desde 2023 e sobre aquilo que pretende fazer em um eventual novo mandato.

Natal abre a maratona

A agenda em Natal será o primeiro grande ato político de Lula depois do lançamento oficial da candidatura, realizado no domingo (16), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Antes do evento político, o presidente passa por Macaíba para a agenda institucional. Depois, segue para Natal, onde participa de um ato com Fátima Bezerra e Cadu Xavier.

Lula e a governadora Fátima Bezerra | Foto: Ricardo Stuckert

A presença de Lula é tratada pelo grupo político potiguar como um momento importante para demonstrar unidade entre o governo federal e os aliados que disputam as eleições estaduais. O ato está previsto para o fim da tarde, na região da Arena das Dunas.

O Rio Grande do Norte também é o primeiro estado visitado por Lula em sua agenda política depois do lançamento da campanha, abrindo a sequência de viagens que deve ganhar ritmo nas próximas semanas.

Minas Gerais entra no roteiro

Na sexta-feira (21), Lula segue para Minas Gerais, onde participa de um ato em Belo Horizonte ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo estadual.

O estado tem peso especial na eleição presidencial por reunir um dos maiores eleitorados do país e ocupar historicamente uma posição estratégica nas disputas pelo Palácio do Planalto.

A agenda mineira também terá a presença de candidatas ao Senado, candidatos a deputado e lideranças políticas do campo que apoia Lula. O primeiro evento de campanha do presidente no estado está previsto para Belo Horizonte.

Lula e Patrus Ananias estarão juntos em BH em campanha. | Foto: Divulgação

Rio de Janeiro será o terceiro destino

No sábado (22), a campanha desembarca no Rio de Janeiro, outro estado fundamental para a disputa presidencial.

O evento contará com aliados locais, entre eles o candidato ao governo estadual Eduardo Paes e candidatos ao Senado. A escolha do estado também tem um componente político evidente: o Rio é um dos principais redutos do campo bolsonarista e está diretamente ligado à disputa nacional.

Lula e Eduardo Paes mantém firme aliança histórica em campanha | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A presença de Lula deverá servir para reforçar sua campanha entre eleitores fluminenses e, ao mesmo tempo, apresentar seus aliados estaduais ao eleitorado.

A estratégia para conquistar os indecisos

O coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, já indicou que a estratégia para alcançar eleitores ainda indecisos será baseada principalmente na divulgação das ações realizadas pelo governo federal.

“O convencimento será feito no dia a dia, nos territórios, conversando olho no olho e nas redes sociais sobre as entregas do Presidente Lula ao longo desses três anos e meio.”

A campanha pretende, portanto, combinar a presença física do presidente em diferentes regiões com uma forte atuação nas redes sociais.

Nesse campo, Edinho também defende maior fiscalização das plataformas e responsabilização das empresas por conteúdos considerados ilícitos, especialmente diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial.

Segurança deve ganhar espaço no discurso

Na área de segurança pública, a campanha pretende apresentar as ações federais contra organizações criminosas como uma das marcas do atual governo.

Edinho Silva afirma que o governo buscou atingir financeiramente as organizações criminosas e cita iniciativas como a PEC da Segurança Pública, a Lei Antifacção e o programa Brasil Contra o Crime.

“O governo Lula fez a maior operação de asfixia do dinheiro do crime organizado que desmonta toda a cadeia.”

Lula discursa em seu ato de campanha | Foto: Reprodução

A campanha também pretende defender a ampliação das medidas de combate ao feminicídio.

A PEC da Segurança Pública está entre as propostas que o governo tenta fazer avançar no Congresso. A proposta amplia a atuação da União na coordenação da segurança pública e passou a integrar a agenda política prioritária do governo.

Saúde e educação também entram na campanha

Na saúde, a campanha deve destacar a recuperação da cobertura vacinal durante o atual governo e fazer críticas à condução da pandemia durante a gestão anterior.

Edinho afirma que o governo encontrou uma situação deteriorada no setor e aponta a recomposição dos programas de vacinação como uma das principais ações do período.

Na educação, o foco está na ampliação das escolas em tempo integral.

Segundo a campanha, entre 2023 e 2025 foram criadas 1,8 milhão de matrículas em tempo integral. A proposta para um eventual novo mandato é ampliar esse modelo e buscar sua universalização.

Outra prioridade apresentada é o fortalecimento do Pé-de-Meia, além da realização de obras em institutos federais e universidades.

Redes sociais serão outro campo de disputa

A campanha de Lula também prepara uma atuação mais intensa nas redes sociais.

Além de divulgar ações do governo, a equipe petista pretende transformar a discussão sobre inteligência artificial, desinformação e responsabilidade das plataformas em um dos temas da eleição.

A estratégia combina duas frentes: mostrar o que o governo afirma ter entregue desde 2023 e disputar diretamente a narrativa eleitoral nas plataformas digitais.

O desafio será levar essa mensagem para além do eleitorado já identificado com Lula e alcançar quem ainda não decidiu o voto.

Entenda o contexto

A campanha presidencial de 2026 entra agora em uma etapa mais visível, com os candidatos deixando os eventos de lançamento e ampliando a presença nas ruas. Lula oficializou sua candidatura no último domingo (16), em São Bernardo do Campo, e começa nesta quinta-feira sua primeira sequência de atos políticos fora de São Paulo.

O roteiro por Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro coloca o presidente em três estados com características eleitorais distintas e permite à campanha apresentar diferentes temas de seu programa.

No Rio Grande do Norte, o foco inicial estará em tecnologia e soberania digital, seguido de um ato político com aliados locais. Em Minas Gerais e no Rio, a agenda assume caráter mais diretamente eleitoral. Ao longo desse percurso, a campanha deverá insistir em assuntos como soberania nacional, fim da escala 6×1, segurança pública, saúde, educação e regulação das redes sociais.

A corrida eleitoral, portanto, começa a ganhar um novo ritmo: depois dos lançamentos oficiais, a disputa passa a ser travada cada vez mais presencialmente, com viagens, palanques e contato direto com o eleitor.

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