Vice de Marçal vira réu por associação criminosa

Leonardo Avalanche é acusado pelo Ministério Público de participar de esquema para assumir o controle do PRTB; denúncia também aponta ameaças e uso de dados falsos
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente nacional do PRTB e candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal, Leonardo Avalanche, virou réu em uma ação penal que apura acusações de associação criminosa, violência política de gênero e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em janeiro deste ano e recebida pela Justiça paulista em março. Segundo a acusação, os crimes teriam ocorrido entre fevereiro e abril de 2024, durante uma disputa pelo controle interno do partido.

O caso envolve uma eleição realizada dentro do PRTB, acusações de falsificação de documentos e assinaturas, expulsão de adversários políticos e ameaças contra a então vice-presidente da legenda, Rachel de Carvalho.

Como parte das acusações envolve violência política contra uma mulher, o processo tramita em sigilo.

Como teria funcionado a fraude dentro do PRTB?

Segundo o Ministério Público, um grupo liderado por Avalanche teria organizado uma operação para interferir na eleição interna do partido realizada em 23 de fevereiro de 2024.

A acusação afirma que dezenas de pessoas foram recrutadas para se apresentar falsamente como fundadores do PRTB e participar do processo interno.

Essas pessoas teriam utilizado documentos falsos e assinaturas falsificadas dos verdadeiros fundadores da legenda.

“Para garantir a vitória, houve o recrutamento de dezenas de pessoas que se passaram falsamente por fundadores da agremiação”, afirmou o MP-SP.

Com a vitória na eleição interna, o grupo teria passado a controlar a estrutura partidária.

Com a vitória na eleição interna, o grupo teria passado a controlar a estrutura partidária. | Foto: Reprodução

Ex-vice-presidente teria sido expulsa do partido

Após assumir o controle da legenda, o grupo liderado por Avalanche teria atuado para retirar Rachel de Carvalho e aliados dela do PRTB.

De acordo com o Ministério Público, Rachel teria sido alvo de ofensas, ameaças e pressão para deixar o partido.

Entre as acusações estão declarações de cunho misógino atribuídas a Avalanche, incluindo a frase de que “mulher só serve para cumprir cota”. A denúncia também afirma que ele teria ameaçado Rachel de morte e tentado coagí-la a participar de supostos esquemas de extorsão contra prefeitos e outros políticos.

Segundo o MP-SP, em determinado episódio Avalanche teria dito à vítima que, ao receber determinado código, deveria se despedir dos familiares porque seria morta. Em outra situação descrita pela acusação, Rachel teria sido pressionada a assinar digitalmente uma renúncia.

Segundo o MP-SP, ela teria sido ameaçada de “frequentar mais o cemitério” caso não assinasse o documento. Por envolver alegações de violência política de gênero, os detalhes do processo são tratados sob sigilo judicial.

A acusação também envolve o uso de dados e credenciais para modificar a situação partidária de Rachel e de integrantes de seu grupo. | Foto: Reprodução

Dados partidários teriam sido alterados

A acusação também envolve o uso de dados e credenciais para modificar a situação partidária de Rachel e de integrantes de seu grupo.

Segundo o Ministério Público, os denunciados teriam utilizado senhas de terceiros para filiar Rachel e seus aliados ao Mobiliza, provocando automaticamente a desfiliação deles do PRTB.

Os registros teriam sido publicados no próprio sistema do partido com datas retroativas, de acordo com a denúncia, para criar a aparência de que os procedimentos haviam ocorrido regularmente.

É essa parte da investigação que sustenta a acusação de inserção de dados falsos em sistemas públicos.

Avalanche declarou patrimônio de R$ 495 milhões

Além do processo criminal, Leonardo Avalanche também chamou atenção durante a atual corrida eleitoral pelo patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.

O presidente do PRTB informou possuir R$ 495 milhões em bens, sendo aproximadamente 99% desse valor em criptomoedas, segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral.

A evolução patrimonial chama atenção quando comparada à declaração feita por Avalanche em 2018, quando concorreu ao cargo de deputado federal por Goiás.

Naquele ano, os bens declarados somavam R$ 379,8 mil. Em valores atualizados, o montante equivaleria a aproximadamente R$ 584 mil.

A diferença entre as declarações é de centenas de vezes.

Áudios também levantaram suspeitas sobre PCC

Leonardo Avalanche também foi alvo de outra controvérsia durante a campanha eleitoral de 2024.

Áudios divulgados naquele ano mostraram o presidente do PRTB conversando com um aliado sobre supostos vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as informações divulgadas à época, a conversa ocorreu durante um almoço com integrantes do partido e Avalanche teria mencionado relações com membros da facção enquanto buscava demonstrar influência sobre autoridades.

Avalanche nega ter qualquer vínculo com o PCC.

A existência dos áudios e as acusações relacionadas à organização criminosa são questões distintas da ação penal que agora o tornou réu.

Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB e candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal | Foto: Reprodução

O que acontece agora?

Com o recebimento da denúncia pela Justiça, Leonardo Avalanche passa à condição de réu e responderá ao processo criminal pelas acusações apresentadas pelo Ministério Público.

Isso não significa condenação.

Ao longo da ação, a defesa poderá contestar as acusações e apresentar provas e argumentos em favor do presidente do PRTB.

O caso também ganha peso político porque Avalanche integra a chapa presidencial de Pablo Marçal, na condição de candidato a vice-presidente nas eleições de 2026.

A reportagem procurou Leonardo Avalanche, o PRTB e Pablo Marçal para obter posicionamentos sobre as acusações. Até a publicação, não havia manifestação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Entenda o contexto

Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB e candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal, tornou-se réu em uma ação penal originada de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura acontecimentos ocorridos principalmente durante uma disputa pelo comando interno do partido em 2024.

Segundo o MP-SP, um grupo ligado a Avalanche teria utilizado pessoas que se apresentaram falsamente como fundadores da legenda, além de documentos e assinaturas supostamente falsificados, para interferir na eleição interna do PRTB. Depois da vitória, o grupo teria atuado para retirar Rachel de Carvalho, então vice-presidente do partido, e aliados dela da legenda.

A acusação também aponta ameaças, ofensas de cunho misógino, pressão psicológica e suposta utilização indevida de credenciais para alterar filiações partidárias. Como parte das acusações envolve violência política de gênero, o processo tramita em sigilo. Avalanche também declarou patrimônio de R$ 495 milhões à Justiça Eleitoral, quase todo concentrado em criptomoedas, e já foi alvo de controvérsia por áudios divulgados em 2024 nos quais teria mencionado vínculos com integrantes do PCC, ligação que ele nega.

As acusações descritas nesta reportagem são alegações do Ministério Público e ainda serão analisadas pela Justiça. O fato de Avalanche ter se tornado réu não representa uma condenação.

Carregar Comentários