Zema promete mudar regra para motoboys e propõe tarifa mínima por entrega

Em encontro com entregadores em São Paulo, candidato à Presidência também defendeu seguro, formalização e negociação direta com aplicativos
Redação NC News
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O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) colocou os trabalhadores de aplicativos no centro de uma das agendas de campanha desta quinta-feira (20), em São Paulo. Durante um encontro com motoboys e entregadores, ele prometeu defender uma tarifa mínima por entrega caso seja eleito e afirmou que a medida poderia ser adotada logo no início de um eventual mandato.

A proposta aparece em um momento em que a remuneração dos entregadores é uma das principais reclamações da categoria. Durante a reunião, trabalhadores pediram que o valor recebido por entrega, citado no encontro como próximo de R$ 7, chegasse a R$ 10. Também foram relatados problemas relacionados à segurança, aos custos para trabalhar e às condições oferecidas pelas plataformas.

O que Zema propôs para os motoboys?

A principal proposta apresentada pelo candidato é a criação de um valor mínimo que os aplicativos teriam de pagar por cada entrega realizada pelos motoboys.

Zema comparou a ideia ao funcionamento de outras atividades que possuem valores mínimos definidos e afirmou que os entregadores precisam ter maior previsibilidade sobre quanto receberão pelo serviço.

“Eles precisam ser respeitados, precisam ter uma tarifa mínima”, afirmou o candidato durante o encontro com trabalhadores.

Questionado sobre quando colocaria a proposta em prática caso fosse eleito, Zema respondeu que a medida seria uma prioridade e poderia ser adotada no começo do mandato. O candidato, porém, não apresentou um valor específico para essa tarifa mínima.

Quanto os entregadores querem receber?

Durante a conversa em São Paulo, trabalhadores apresentaram ao candidato uma reivindicação para elevar o valor pago por entrega.

Segundo relatos do encontro, a taxa mencionada pelos entregadores gira atualmente em torno de R$ 7, e a categoria defendeu que esse valor chegasse a R$ 10.

A discussão envolve não apenas o valor bruto recebido pelo profissional, mas também os gastos necessários para manter a atividade.

Zema promete tarifa mínima por entrega para motoboys e entregadores e defende negociação direta com aplicativos. A proposta também prevê seguros, formalização e mudanças nas regras trabalhistas.

Para quem depende dos aplicativos como fonte de renda, pequenas alterações no valor de cada corrida podem representar uma diferença significativa no resultado do mês.

Zema quer negociação direta entre aplicativos e trabalhadores

Além da tarifa mínima, Zema defendeu que as plataformas tenham uma relação mais direta com os entregadores.

A ideia apresentada pelo candidato é criar uma espécie de mesa de negociação com representantes dos trabalhadores e das empresas responsáveis pelos aplicativos.

Segundo Zema, os profissionais que participaram do encontro relataram que nunca tiveram uma negociação direta com representantes das plataformas.

“Aplicativo tem de dar cara, tem de se montar uma mesa de negociação, representantes dos motoboys e das empresas”, afirmou.

Na visão apresentada pelo candidato, as empresas também deveriam discutir propostas de seguro de vida e seguro de saúde para os trabalhadores.

A intenção seria ampliar a proteção principalmente em situações de acidente, afastamento e outros problemas que possam impedir o entregador de continuar trabalhando.

Proposta envolve formalização dos entregadores

Outro ponto defendido por Zema foi uma forma de formalização que permita ampliar o acesso dos trabalhadores a direitos e proteção previdenciária.

O candidato citou, entre as possibilidades, o aperfeiçoamento do Microempreendedor Individual (MEI) como alternativa para aumentar a formalização da categoria.

A proposta também aparece em meio a uma discussão mais ampla sobre como regulamentar o trabalho realizado por plataformas digitais no Brasil.

Atualmente, diferentes projetos e propostas tratam da remuneração, segurança e condições de trabalho de profissionais que atuam por aplicativos. No Congresso, por exemplo, há projetos que discutem regulamentação de atividades relacionadas ao trabalho em plataformas digitais.

Candidato também critica a CLT

Durante a agenda, Zema voltou a defender mudanças na legislação trabalhista.

Para o candidato, as regras atuais não acompanham as novas formas de trabalho e deveriam ser adaptadas para permitir modelos mais flexíveis.

Uma das possibilidades citadas por ele foi a criação de uma modalidade de trabalho por hora.

Zema afirmou que a legislação trabalhista está “para lá de desatualizada” e defendeu que um novo modelo seja construído por meio de negociação entre trabalhadores e empresas.

A proposta, portanto, não se limita à criação de uma tarifa mínima. O candidato tenta apresentar um conjunto de medidas para o setor, envolvendo remuneração, seguros, formalização e relação entre profissionais e plataformas.

Em encontro com entregadores em SP, candidato à Presidência do Novo comparou modelo ao adotado pelos taxistas

Debate sobre tarifa mínima já envolve trabalhadores de aplicativos

A remuneração mínima dos trabalhadores de aplicativos não é uma discussão nova no país.

Em julho, uma reportagem sobre a categoria apontou que parte dos entregadores ouvidos defendia justamente a criação de uma tarifa mínima para o serviço, enquanto o governo federal buscava ampliar o diálogo com trabalhadores de aplicativos.

É importante diferenciar, porém, as regras existentes para motoristas de aplicativos de passageiros das atividades realizadas por entregadores.

O Ministério do Trabalho já explicou que uma proposta de regulamentação discutida pelo governo para motoristas de transporte individual não abrangia os entregadores.

Isso significa que uma eventual tarifa mínima específica para motoboys exigiria uma definição própria sobre critérios, valores, responsabilidades das plataformas e forma de fiscalização.

O que ainda falta definir?

Apesar de ter colocado a tarifa mínima como uma prioridade de eventual governo, Zema não apresentou durante o encontro um valor definitivo para o pagamento por entrega.

A discussão também precisaria considerar os custos das próprias plataformas e o possível impacto de uma remuneração mínima sobre o preço cobrado dos consumidores.

Encontro teve momento de tensão
A agenda de Zema com os entregadores também foi marcada por um princípio de tumulto.

Um homem que se aproximou do grupo acusou participantes do encontro de terem recebido dinheiro para participar da reunião. Segundo relato divulgado pelo UOL, ele afirmou que os entregadores teriam recebido R$ 200 para comparecer ao evento. A equipe de Zema negou a acusação e disse que o homem chegou alterado e tentou atrapalhar a conversa.

A discussão foi interrompida pela equipe de segurança do candidato, enquanto Zema continuou a agenda com os trabalhadores.

A acusação não foi apresentada como fato comprovado e foi negada pela equipe do candidato.

O que Zema quer para os trabalhadores de aplicativos?

  • A proposta apresentada pelo candidato reúne quatro pontos principais:
  • Tarifa mínima: estabelecer um valor mínimo por entrega realizada pelos motoboys.
  • Negociação: criar uma relação mais direta entre trabalhadores e empresas de aplicativos.
  • Seguros: incentivar que as plataformas ofereçam proteção de vida e saúde aos entregadores.
  • Formalização: buscar alternativas, incluindo o aperfeiçoamento do MEI, para ampliar a proteção dos profissionais.

A proposta faz parte da estratégia de Zema para a campanha presidencial de 2026 e coloca uma categoria numerosa e com forte presença nas grandes cidades no centro do debate eleitoral.

Romeu Zema participa de encontro com entregadores na região central de São Paulo.

Entenda o contexto

Os trabalhadores de aplicativos estão no centro de uma disputa sobre remuneração, direitos e flexibilidade.

De um lado, entregadores reivindicam melhores valores por corrida, segurança e proteção em caso de acidentes. Do outro, as plataformas defendem modelos de trabalho que preservem a flexibilidade de horários e a possibilidade de o profissional escolher quando trabalhar.

Zema tenta se posicionar nesse debate defendendo uma tarifa mínima, negociação direta e novas formas de formalização, ao mesmo tempo em que critica o modelo tradicional da CLT.

A proposta ainda está no campo eleitoral e não apresenta, até o momento, um valor definido para a tarifa mínima. Caso avance para uma política pública, será necessário estabelecer regras, critérios de cálculo e mecanismos de fiscalização.

 

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