A Avibras, uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa, se manifestou sobre a possível aquisição pelo grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista. Segundo a companhia, a operação ainda não está concluída e depende da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A manifestação ocorre em meio à reestruturação da empresa, que está em recuperação judicial e passou por mudanças em sua estrutura societária e operacional nos últimos meses.
O que está acontecendo com a Avibras?
A Avibras enfrenta uma recuperação judicial desde 2022, período em que acumulou dificuldades financeiras e passivos que comprometeram a continuidade das operações.
Nos últimos meses, porém, a empresa passou por uma reorganização. A estrutura que concentra os principais ativos industriais e tecnológicos foi separada da companhia original, que permanece vinculada ao processo de recuperação judicial.
A Avibras Aeroco passou a reunir ativos relacionados à produção e ao desenvolvimento de equipamentos estratégicos de defesa. A própria Avibras informa que continua em recuperação judicial.
Onde entra a J&F?
O grupo dos irmãos Batista passou a participar do processo de retomada da empresa por meio de investimentos na nova estrutura operacional.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Joesley Batista, da J&F, realizou um aporte de R$ 300 milhões na Avibras Aeroco.
O investimento foi destinado à recuperação da capacidade operacional da companhia e à continuidade de projetos estratégicos. A reorganização também buscou separar os passivos acumulados pela antiga estrutura dos ativos necessários para a retomada da produção.
É nesse contexto que aparece a possibilidade de avanço da J&F no controle da operação.
Por que o Cade precisa analisar?
O Cade é o órgão responsável por analisar operações de fusão e aquisição que possam produzir efeitos relevantes sobre a concorrência no mercado brasileiro.
Por isso, mesmo quando existe um acordo entre empresas e investidores, a operação pode depender da aprovação do órgão antes de ser concluída. No caso da Avibras, a empresa reforça que o negócio ainda depende dessa etapa regulatória.
Isso significa que a mudança de controle não deve ser tratada como uma aquisição definitivamente concluída enquanto o processo não avançar junto ao Cade.
Uma empresa estratégica para o Brasil
A possível mudança de controle ganhou atenção também pelo papel da Avibras na Base Industrial de Defesa brasileira.
A empresa é responsável por projetos considerados estratégicos para as Forças Armadas, entre eles o sistema ASTROS e o Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300. A Câmara dos Deputados destacou recentemente que a companhia participa de programas críticos de defesa nacional e aprovou um pedido de informações ao Ministério da Defesa sobre o processo de aquisição.
Isso faz com que a operação ultrapasse uma simples negociação empresarial.
O controle de uma companhia responsável por tecnologias militares estratégicas envolve também questões relacionadas à soberania tecnológica e à segurança nacional.
O que aconteceu com a estrutura antiga?
A reestruturação criou uma divisão importante.
A antiga Avibras Indústria Aeroespacial permaneceu concentrando os passivos e dentro do processo de recuperação judicial. Enquanto isso, a nova Avibras Aeroco passou a concentrar os principais ativos industriais e tecnológicos da operação.
Essa separação foi apontada em análises sobre a reorganização da empresa e ajuda a explicar por que a negociação não pode ser entendida simplesmente como uma compra direta da antiga Avibras.
Por que o negócio chama tanta atenção?
A possível entrada da J&F ocorre justamente quando a Avibras tenta recuperar sua capacidade produtiva.
O grupo dos irmãos Batista já possui negócios de grande porte em diferentes setores da economia brasileira, incluindo alimentos, energia, mineração e serviços financeiros.
A expansão da J&F também inclui investimentos recentes em energia. A Âmbar Energia, braço do grupo no setor, ampliou sua capacidade de geração após novas aquisições em 2026.
No caso da Avibras, porém, o interesse envolve uma companhia com atuação em um setor considerado estratégico pelo governo brasileiro.
O que acontece agora?
O próximo passo é a análise da operação pelo Cade.
Enquanto essa etapa não for concluída, a negociação não deve ser tratada como uma aquisição definitiva. Além da questão concorrencial, a situação da Avibras continua acompanhada pelas autoridades brasileiras por causa de seu papel estratégico na defesa nacional.
A Câmara dos Deputados, inclusive, aprovou em agosto um pedido de informações ao Ministério da Defesa sobre o processo de aquisição e sobre os possíveis impactos da mudança de controle.
A empresa, por sua vez, segue em recuperação judicial, enquanto a nova estrutura busca garantir a continuidade de suas atividades industriais e tecnológicas.
Entenda o contexto
A Avibras entrou em recuperação judicial em 2022, depois de enfrentar uma grave crise financeira.
Desde então, a empresa passou por uma série de negociações para tentar preservar sua capacidade industrial e seus projetos estratégicos. A reestruturação criou uma nova estrutura operacional, a Avibras Aeroco, que passou a concentrar ativos industriais e tecnológicos.
Em 2026, a J&F entrou no processo com um aporte de R$ 300 milhões associado à retomada da empresa. Agora, a possível aquisição pelo grupo dos irmãos Batista coloca a Avibras diante de uma nova etapa.
Mas existe uma condição importante: o negócio ainda depende da análise do Cade. Até que essa etapa seja concluída, a mudança de controle não está definitivamente consolidada.