Durigan aponta juros altos como um dos grandes desafios do Brasil e defende esforço fiscal

Ministro da Fazenda afirma que crédito caro pesa no bolso das famílias e diz que país precisa enfrentar o problema nos próximos anos; cartão de crédito chega a 442,4% ao ano
Redação NC News
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a colocar os juros altos no centro do debate econômico brasileiro. Em entrevista nesta sexta-feira (21), ele afirmou que o país precisa enfrentar o custo elevado do crédito nos próximos anos, especialmente para famílias que recorrem ao cartão, ao crediário e a financiamentos.

A declaração ocorre em um momento de juros ainda elevados, dívida pública em alta e preocupação com inflação e cenário internacional.

O que Durigan quer mudar?

Para Durigan, o problema dos juros vai muito além da taxa básica definida pelo Banco Central. Segundo ele, o custo elevado do dinheiro acaba atingindo diretamente quem precisa de crédito para consumir, pagar contas ou financiar algum bem.

“Os juros altos trazem empecilho para as pessoas.”

O ministro também criticou as taxas cobradas no cartão de crédito e em operações de financiamento, classificando os juros como “absurdos” e “abusivos”.

O diagnóstico ganha peso diante dos números do Banco Central: em junho, a taxa média do cartão de crédito chegou a 442,4% ao ano.

Por que os juros continuam tão altos?

A principal referência para o custo do dinheiro na economia é a Selic, atualmente em 14% ao ano.

A taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central e influencia diversas outras taxas cobradas por bancos e instituições financeiras.

O Banco Central vem reduzindo a Selic gradualmente, mas mantém cautela diante da inflação, das condições fiscais e do cenário internacional.

Durigan também chamou atenção para os efeitos das guerras sobre a economia mundial. Conflitos podem afetar preços, oferta de produtos e energia, aumentando a pressão inflacionária e dificultando uma queda mais rápida dos juros.

O problema não termina na Selic

Um dos pontos centrais do debate é que a redução da taxa básica não significa, automaticamente, crédito barato para o consumidor.

Existe uma diferença entre a Selic e os juros efetivamente cobrados pelas instituições financeiras.

No cartão de crédito, por exemplo, a taxa anual média citada pelo Banco Central é muito superior à taxa básica da economia.

É justamente essa distância que ajuda a explicar por que uma queda da Selic pode demorar a chegar ao bolso do consumidor.

E as contas públicas?

O debate sobre juros também está ligado à situação fiscal brasileira.

Dados do Banco Central apontaram que a dívida bruta chegou a 81,9% do PIB.

Durigan defendeu um esforço fiscal como parte da estratégia para melhorar o resultado das contas públicas. Em outra declaração nesta semana, ele afirmou que, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, o próximo governo deverá manter esse esforço.

Segundo o ministro, a gestão atual já teria realizado um ajuste equivalente a aproximadamente 2% do PIB.

Na prática, o resultado primário representa a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem considerar o pagamento dos juros da dívida.

O que acontece agora?

A discussão sobre os juros deve continuar como um dos principais temas da economia brasileira nos próximos meses, principalmente com a aproximação das eleições de 2026.

De um lado, o governo defende medidas fiscais para melhorar a percepção sobre as contas públicas e criar condições para juros menores.

Do outro, o Banco Central precisa avaliar inflação, atividade econômica, expectativas e cenário internacional antes de decidir o ritmo de cortes da Selic.

Por enquanto, a mensagem de Durigan é clara: o custo do dinheiro precisa cair, mas a solução depende de um conjunto de fatores econômicos e fiscais.

ENTENDA O CONTEXTO

O Brasil vive um cenário em que a Selic está em 14% ao ano, enquanto as taxas cobradas dos consumidores podem alcançar patamares muito mais elevados.

O governo tenta avançar no ajuste das contas públicas, mas a dívida permanece alta. Ao mesmo tempo, fatores externos, como guerras e mudanças nos preços internacionais, podem aumentar a inflação e dificultar novos cortes de juros.

É nesse equilíbrio entre inflação, contas públicas, dívida e atividade econômica que está o principal desafio para uma redução mais consistente do custo do crédito.

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