Ter um orgasmo, mas perceber que pouco ou nenhum sêmen saiu, pode causar estranhamento e até preocupação. Em alguns homens, esse quadro pode estar relacionado à ejaculação retrógrada, uma condição em que o sêmen, em vez de seguir pela uretra durante a ejaculação, é direcionado para a bexiga.
Apesar de parecer algo grave, a condição geralmente não representa um risco importante à saúde física e, na maioria dos casos, o homem continua sentindo prazer e tendo orgasmo normalmente. O principal impacto está relacionado à fertilidade, já que o sêmen deixa de ser liberado normalmente durante a relação sexual.
O que acontece dentro do corpo?
Durante uma ejaculação considerada normal, o colo da bexiga se fecha para impedir que o sêmen entre no órgão. Na ejaculação retrógrada, esse mecanismo não funciona adequadamente.
Com isso, o sêmen toma o caminho contrário e vai para a bexiga. Posteriormente, ele é eliminado naturalmente junto com a urina.
Uma das principais características é justamente a redução significativa do volume de sêmen ou até a ausência aparente de ejaculado, mesmo quando o orgasmo acontece.
Diabetes está entre as principais causas
Segundo o urologista Raphael Ferreira de Moraes Forjaz, da Sociedade Brasileira de Urologia, o diabetes de longa duração e sem controle adequado está entre as principais causas da ejaculação retrógrada.
Isso acontece porque a doença pode provocar danos nos nervos responsáveis pelo funcionamento do colo da bexiga. Quando esses nervos são afetados, o mecanismo que deveria fechar a passagem durante a ejaculação pode não funcionar corretamente.
Além do diabetes, outras situações também podem provocar o problema, como cirurgias na próstata ou na bexiga, determinados medicamentos e doenças neurológicas.
O homem continua sentindo prazer?
Sim. A ejaculação retrógrada não significa necessariamente perda do orgasmo ou do prazer sexual.
Na maioria dos casos, o homem continua tendo orgasmo normalmente. A principal diferença está no que acontece com o sêmen: ele não é expelido ou aparece em quantidade muito pequena.
A ausência do ejaculado, porém, pode gerar preocupação e até afetar psicologicamente a experiência sexual.
“Alguns homens podem reclamar da ausência do esperma, que pode ter um impacto psicogênico no prazer sexual”, explica o urologista.
Isso significa que o homem é infértil? Não necessariamente.
A ejaculação retrógrada pode dificultar uma gravidez, porque o sêmen não é depositado normalmente durante a relação sexual. Isso, porém, não significa que o homem tenha perdido a capacidade de produzir espermatozoides.
Dependendo da causa do problema, existem tratamentos e técnicas de reprodução assistida capazes de possibilitar a obtenção de espermatozoides para uma tentativa de fertilização.
Por isso, homens que estão tentando ter filhos e percebem mudanças importantes na ejaculação devem procurar avaliação médica.
Existe tratamento? O tratamento depende diretamente da causa da ejaculação retrógrada.
Em determinadas situações, medicamentos podem ajudar a melhorar o fechamento do colo da bexiga durante a ejaculação. Quando o objetivo principal é a gravidez, também podem ser consideradas técnicas de reprodução assistida.
A escolha do tratamento precisa ser feita por um médico após investigar o motivo pelo qual o sêmen está sendo direcionado para a bexiga.
Por que o diabetes pode provocar o problema?
O diabetes aparece como um ponto importante porque, quando permanece durante muitos anos sem controle adequado, pode provocar lesões nos nervos que participam do funcionamento da ejaculação.
Nesse cenário, o colo da bexiga pode deixar de fechar corretamente no momento do orgasmo. O resultado é o retorno do sêmen para a bexiga.
Por isso, o controle adequado da glicemia é importante não apenas para evitar complicações gerais do diabetes, mas também para reduzir o risco de problemas urológicos relacionados à doença.
Quando procurar um médico?
A ausência ou a redução repentina do volume de sêmen não deve ser automaticamente interpretada como ejaculação retrógrada. Existem diferentes situações que podem provocar alterações na ejaculação.
Por isso, caso a mudança seja persistente, principalmente se houver dificuldade para engravidar, histórico de diabetes, cirurgia na próstata ou bexiga, uso de determinados medicamentos ou outras alterações urológicas, é importante procurar um urologista.
O diagnóstico depende da avaliação do paciente e da investigação da possível causa.
Entenda o contexto
A ejaculação retrógrada acontece quando o mecanismo que deveria impedir a entrada do sêmen na bexiga durante o orgasmo não funciona adequadamente. O sêmen então segue para a bexiga e é eliminado posteriormente pela urina.
O problema não significa necessariamente perda do prazer sexual nem infertilidade definitiva. Seu principal impacto está relacionado à dificuldade de depositar o sêmen durante a relação, o que pode interferir na tentativa de engravidar.
O tratamento varia conforme a origem do quadro e pode envolver medicamentos ou, quando necessário, técnicas de reprodução assistida.