A corrida presidencial de 2026 ganhou mais um elemento de tensão com o avanço de investigações que atingem os círculos familiares de Lula e Flávio Bolsonaro.
De um lado, Flávio tenta administrar os impactos políticos do Caso Master, investigação que envolve o ex-dono do banco Daniel Vorcaro e que passou a alcançar pessoas próximas ao senador. Do outro, o presidente Lula enfrenta o desgaste provocado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Apesar de terem naturezas diferentes, os dois episódios possuem um ponto em comum: André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, está diretamente envolvido na condução das investigações.
É justamente por isso que uma decisão do magistrado pode alterar o ritmo e a visibilidade dos casos durante o período eleitoral.
O peso do Caso Master para Flávio
O Caso Master se tornou um dos principais problemas políticos enfrentados por Flávio Bolsonaro durante a corrida presidencial.
A investigação envolve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e apura diferentes suspeitas relacionadas às operações da instituição financeira e às relações mantidas pelo empresário com integrantes do meio político.
Mendonça é o relator do caso no STF e já autorizou diligências relacionadas às suspeitas que atingem o entorno do senador.
Reportagens também apontaram que o caso passou a ser observado com atenção por partidos do centro e do Centrão, justamente porque Flávio precisa ampliar sua base política para além do núcleo bolsonarista.

Lulinha entra no radar do STF
Enquanto Flávio tenta administrar o Caso Master, Lulinha passou a ser alvo de três inquéritos da Polícia Federal autorizados pelo STF.
As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência e possíveis favorecimentos a empresas junto a órgãos do governo federal.
Dois dos inquéritos estão sob relatoria de André Mendonça. O terceiro está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.
Entre os assuntos investigados estão suspeitas envolvendo empresas ligadas aos setores de tecnologia e cannabis medicinal, além de possíveis relações com pessoas investigadas em outros casos, como o chamado Careca do INSS.

PGR pediu que investigação vá para a primeira instância
O principal ponto de tensão neste momento está em um pedido feito pela Procuradoria-Geral da República.
A PGR pediu que uma das investigações envolvendo Lulinha seja retirada do STF e encaminhada para a primeira instância. O argumento é que o procedimento não envolveria diretamente uma autoridade com foro privilegiado.
A eventual mudança faria com que a investigação passasse a tramitar fora do Supremo, com outro juiz responsável e um calendário processual diferente.
Até o momento, porém, não houve uma decisão definitiva de Mendonça transferindo o caso. Informações publicadas nesta semana indicam que o ministro tende a manter as investigações no STF.
A decisão que pode mudar o cenário
É nesse ponto que a atuação de André Mendonça ganha peso político.
Se a investigação de Lulinha permanecer no Supremo, o caso continuará sob a estrutura da Corte e poderá avançar paralelamente a outras apurações que já estão sob responsabilidade do ministro.
Se for enviada à primeira instância, o procedimento passará a seguir outro caminho judicial.
A mudança não significa arquivamento nem encerramento das investigações. Também não representa, por si só, qualquer conclusão sobre a responsabilidade de Lulinha.
O efeito mais imediato seria processual e político, já que a transferência poderia alterar o ritmo, a exposição e a condução do caso.
Mendonça também determinou investigação sobre vazamentos
A atuação de Mendonça no caso de Lulinha ganhou outro capítulo nesta semana.
O ministro determinou que a Polícia Federal investigue o vazamento de informações sigilosas relacionadas às apurações.
A determinação, segundo informações divulgadas, busca identificar quem teve acesso aos dados sob sigilo e poderia ter responsabilidade pelo vazamento.
Ao mesmo tempo, Mendonça determinou que a investigação preserve o sigilo da fonte jornalística, impedindo que jornalistas sejam tratados como alvo da apuração sobre a divulgação das informações.
“A apuração deve buscar identificar os responsáveis pelo vazamento das informações sigilosas, e não os jornalistas que publicaram as reportagens.”
Essa distinção é importante porque coloca o STF diante de dois objetivos simultâneos: investigar eventual violação de sigilo processual e preservar uma garantia constitucional ligada à atividade jornalística.
Dois casos no mesmo ambiente eleitoral
A proximidade temporal entre as investigações envolvendo Lulinha e Flávio Bolsonaro aumenta a importância política das decisões judiciais.
No caso de Flávio, o Caso Master pode ser explorado por adversários como argumento contra sua candidatura.
No caso de Lula, as investigações envolvendo o filho podem ser utilizadas pela oposição para questionar a relação do presidente com pessoas próximas ao governo.
Nenhum dos dois casos, entretanto, representa automaticamente uma condenação ou comprovação de crime por parte dos políticos ou de seus familiares.
As investigações ainda estão em andamento, e eventuais responsabilidades dependerão da conclusão das apurações e das decisões judiciais.
O fator eleitoral
A eleição de 2026 tende a transformar investigações envolvendo figuras próximas aos candidatos em elementos importantes da disputa política.
Para Flávio, o desafio é evitar que o Caso Master se transforme em uma marca permanente de sua campanha.
Para Lula, o objetivo político é impedir que as investigações envolvendo Lulinha sejam associadas diretamente ao governo e utilizadas como argumento eleitoral pela oposição.
Nesse cenário, decisões judiciais podem produzir efeitos políticos mesmo quando não determinam o resultado de uma investigação.
O que está em jogo
André Mendonça não decide quem será beneficiado eleitoralmente. Sua responsabilidade é conduzir os processos dentro das regras jurídicas.
Ainda assim, o momento de cada decisão pode alterar a visibilidade e o ritmo das investigações.
Caso os procedimentos contra Lulinha permaneçam no STF, o assunto continuará próximo do centro do debate político nacional. Se houver transferência para a primeira instância, o caso poderá seguir uma dinâmica diferente.
Enquanto isso, o Caso Master continua avançando sob a relatoria do próprio Mendonça.
A disputa eleitoral, portanto, terá também uma batalha nos tribunais. E decisões tomadas antes da votação podem influenciar não apenas os processos, mas também a narrativa que cada candidato levará aos eleitores.