A Chapecoense vence o São Paulo por 1 a 0 na Arena Condá, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, com gol de Bruno Pacheco, e amplia a crise tricolor.
Pressão catarinense e gol em bola parada
O duelo começa às 18h30, em Chapecó, com o São Paulo tentando se impor desde o apito inicial. Luciano e Artur se aproximam bem, a bola circula com rapidez e o time paulista cria a primeira grande chance.
Aos cinco minutos, Luciano aciona Artur livre pela direita. O camisa 37 invade a área, cara a cara com Anderson, mas finaliza por cima. O erro pesa no clima do jogo.
A resposta da Chapecoense é imediata. O time de Rafael Lacerda empurra o São Paulo para trás, pressiona a saída de bola e começa a finalizar de diferentes distâncias, forçando intervenções do goleiro Rafael.
Yago Felipe exige a primeira defesa, de dentro da área. Túlio Eduardo arrisca do meio-campo, tentando encobrir o goleiro. Heitor aparece na área para bater travado. O São Paulo, acuado, só respira em lances esporádicos.
Aos 27 minutos, a insistência catarinense se transforma em vantagem. Giovanni Augusto cobra escanteio fechado na primeira trave, e Bruno Pacheco sobe mais que a defesa são-paulina. “Bruno Pacheco testou firme para o fundo do gol de Rafael e abriu o placar”, descreve a própria equipe nas redes sociais.
O gol acende a Arena Condá e expõe a fragilidade defensiva do São Paulo nas bolas paradas. O time tenta reagir, mas sofre novo baque: Calleri cai mal em disputa aérea, sente dores e deixa o campo pouco depois, substituído por Gustavo Santana.
São Paulo domina posse, mas para em Anderson e na trave
O restante do primeiro tempo perde ritmo. O São Paulo ocupa mais o campo ofensivo, mas roda a bola sem objetividade. A melhor oportunidade sai já nos acréscimos, quando o zagueiro Domingos Duarte se aventura ao ataque, dribla um marcador e finaliza, parando em Anderson.
O intervalo chega com a Chapecoense em vantagem e o São Paulo dividido entre o desespero e a necessidade de controle. Dorival Júnior mexe pouco na estrutura, mas orienta o time a acelerar a circulação de bola e explorar mais os lados do campo.
A estratégia rende chances. Logo no início da etapa final, o São Paulo passa a cercar a área catarinense. Aos 10 minutos, Iago Borduchi cruza da esquerda, Gustavo Santana domina na pequena área e bate forte. Anderson reage com reflexo impressionante e evita o empate.
A Chapecoense responde no lance seguinte. Bruno Pacheco cruza da esquerda, Garcez finaliza de primeira, rasteiro, e Rafael se estica todo, defendendo com os pés enquanto ainda está no chão. O jogo ganha clima de troca de golpes, com os dois goleiros em evidência.
O momento mais agudo do São Paulo surge aos 19 minutos. Marcos Antônio levanta na área, Luciano aparece nas costas da zaga e solta uma bomba de primeira. “Luciano bateu forte de primeira, mas parou na trave”, resumem os relatos da partida. A bola volta ao campo e a defesa da Chapecoense afasta.
O Tricolor aumenta o volume, acumula cruzamentos e depende de chutes de média distância. Iago tenta finalizar rápido dentro da área, mas fraco, facilitando nova defesa de Anderson. A Chapecoense se fecha com duas linhas compactas, faz faltas táticas no meio e ganha tempo quando precisa.
Lanterna respira; São Paulo acende sinal de alerta
O apito final consagra a segunda vitória da Chapecoense no Campeonato Brasileiro. O time chega a 14 pontos, permanece na lanterna, mas ganha fôlego para seguir na luta contra o rebaixamento. No vestiário, Rafael Lacerda não esconde o alívio. “A Chapecoense enfim volta a vencer no torneio, somente seu segundo triunfo no campeonato”, afirma o técnico.
A vitória em casa, construída com intensidade no início e disciplina defensiva no fim, reforça a importância da Arena Condá na tentativa de reação. A atuação segura de Anderson e o protagonismo de Bruno Pacheco, decisivo atrás e na bola aérea ofensiva, redesenham a hierarquia interna do elenco.
No São Paulo, o clima é oposto. O time estaciona nos 27 pontos, em 13º lugar, e vê a zona de rebaixamento se aproximar perigosamente. A distância para o Mirassol, primeiro clube dentro do Z4, cai para apenas três pontos.
Dorival Júnior convive com um jejum incômodo no Brasileiro desde o retorno ao comando. “Desde sua primeira partida, no dia 19 de maio, são seis jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro”, admite o treinador, pressionado por resultados rápidos.
A classificação recente às quartas da Sul-Americana, com vitória convincente sobre o Bolívar no meio da semana, contrasta com o desempenho desta noite. “O Tricolor veio de uma boa atuação na terça-feira contra o Bolívar, mas não repetiu o desempenho”, reconhece a própria comissão técnica.
A sequência preocupa porque o time falha em transformar bons momentos em pontos. A dificuldade para reagir após sofrer o primeiro gol, a dependência de lampejos individuais de Luciano e o desgaste físico visível em peças-chave formam um quadro de alerta aceso no Morumbi.
Próximos capítulos e pressão crescente
A agenda de ambos os clubes aumenta o peso deste domingo. A Chapecoense volta a campo já no próximo fim de semana, novamente às 18h30, contra o Grêmio, agora fora de casa. O desafio é provar que o triunfo sobre o São Paulo não é um ponto fora da curva.
Rafael Lacerda fala em mudança de chave. “A Chapecoense pode ver luz no fim do túnel”, avalia, apostando que o resultado desta noite pode embalar a reação na tabela e fortalecer o grupo para enfrentar rivais diretos na parte de baixo da classificação.
No São Paulo, o próximo compromisso ganha contornos de decisão. O time recebe o RB Bragantino no sábado, às 20h, pressionado pela torcida e pela tabela. Uma nova atuação irregular pode transformar o incômodo esportivo em crise aberta, com risco de questionamento mais forte ao trabalho de Dorival e à montagem do elenco.
A diretoria estuda ajustes no time titular e possíveis movimentos de mercado, em busca de um meio-campo mais criativo e opções ofensivas que aliviem a dependência de Calleri e Luciano. O departamento de futebol também discute a gestão física do elenco, desgastado pela combinação de Brasileirão e torneio continental.
Na Arena Condá, a noite termina em festa e desabafo. Em São Paulo, começa com silêncio no vestiário e termina com planos de emergência para evitar que a aproximação da zona de rebaixamento se torne queda livre.
Como fica a tabela após Chapecoense 1 x 0 São Paulo?
Chapecoense 1 x 0 São Paulo deixa o Tricolor em 13º lugar do Campeonato Brasileiro, com 27 pontos, apenas três acima do Mirassol, que abre a zona de rebaixamento, enquanto a Chapecoense, mesmo vencendo sua segunda partida, segue na lanterna, agora com 14 pontos e esperança renovada na luta contra o descenso.
Por que a derrota aumenta a pressão sobre Dorival Júnior?
A derrota para a Chapecoense aumenta a pressão sobre Dorival Júnior porque o São Paulo chega a seis jogos seguidos sem vitória no Brasileiro sob seu comando, permanece com 27 pontos perto do Z4, não transforma boas atuações em resultados e passa a conviver com cobranças mais duras de torcida e diretoria.