Crystal Hefner revela regras da mansão Playboy e fala em “lavagem cerebral”

Viúva de Hugh Hefner afirma que viveu sob controle rígido, com horários, vigilância e cobranças sobre aparência durante o casamento.
Redação NC News
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Crystal Hefner voltou a falar sobre os anos que passou ao lado de Hugh Hefner, fundador da Playboy, e revelou detalhes da rotina que, segundo ela, existia dentro da famosa mansão da revista.

Em participação no podcast No One Asked Her, a ex-modelo afirmou que chegou a acreditar que estava passando por uma espécie de “lavagem cerebral” e descreveu uma relação marcada, em seu relato, por controle emocional e regras rígidas.

Crystal e Hugh se casaram em 2012 e permaneceram juntos até a morte do empresário, em 2017. Hoje, anos depois, ela diz enxergar aquela fase de uma maneira muito diferente.

A VIDA DENTRO DA MANSÃO

Segundo Crystal, a rotina na propriedade era cercada por horários e compromissos que funcionavam, na visão dela, como mecanismos de controle.

Um dos exemplos citados foi a tradicional noite de cinema, marcada para as 18h. Para Crystal, o compromisso acabava funcionando como uma espécie de toque de recolher.

Ela também afirmou que cerca de 70 funcionários trabalhavam na propriedade, o que contribuía para a sensação de estar constantemente observada.

“Acho que sofri uma lavagem cerebral absoluta”, afirmou Crystal ao relembrar o período.

A declaração faz parte do relato pessoal da ex-modelo sobre o relacionamento e não representa uma conclusão médica ou jurídica sobre o caso.

“EU IA CONTRA MIM MESMA”

Um dos pontos mais marcantes do relato é a forma como Crystal diz ter passado a defender Hugh mesmo quando se sentia desconfortável com a situação.

Ela contou que a imagem pública do empresário  frequentemente retratado como uma figura poderosa e admirada  fazia com que questionasse a própria percepção.

Segundo Crystal, ela pensava que, se tantas pessoas enxergavam Hefner como uma figura extraordinária, talvez o problema estivesse nela.

Essa percepção, segundo ela, contribuiu para que permanecesse na relação e defendesse o então marido.

AS REGRAS SOBRE APARÊNCIA

As lembranças de Crystal também envolvem cobranças relacionadas à aparência.

Em seu livro de memórias, Only Say Good Things: Surviving Playboy and Finding Myself, publicado em 2024, ela afirmou que Hugh fazia comentários sobre peso, roupas, cabelo e unhas.

Ela relatou ainda que precisava usar roupas com o logotipo da Playboy e manter os cabelos dentro do padrão que ele considerava adequado.

Crystal descreveu a relação como emocionalmente abusiva em seu livro. É importante destacar que essas são afirmações feitas por Crystal sobre a própria experiência.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DA MORTE DE HEFNER?

Hugh Hefner morreu em 2017, aos 91 anos. Crystal contou que teve dificuldades para reorganizar a própria vida depois da morte do marido.

Segundo ela, chegou a permanecer aproximadamente seis semanas dentro de um dos quartos da mansão, sem conseguir sair.

Ela também relatou que, quando finalmente deixou a propriedade, percebeu o quanto sua rotina havia sido limitada. Um dos exemplos dados por ela foi que sequer sabia ligar os faróis do próprio carro, porque estava acostumada a permanecer em casa antes de escurecer.

UMA VISÃO DIFERENTE ANOS DEPOIS

Existe ainda uma contradição importante na história. Logo após a morte de Hugh, Crystal chegou a falar publicamente de forma positiva sobre o casamento e afirmou que ele havia lhe proporcionado novas experiências e oportunidades.

Anos depois, porém, ela passou a apresentar uma visão muito mais crítica da relação. No livro publicado em 2024, Crystal contou que fez terapia por anos depois de deixar a mansão e que percebeu que aquela experiência havia causado impactos maiores do que imaginava.

É justamente essa mudança de perspectiva que ajuda a explicar por que os relatos voltaram a repercutir agora.

CRYSTAL CHEGOU A MENCIONAR “SÍNDROME DE ESTOCOLMO”

Ao refletir sobre o comportamento que tinha durante o relacionamento, Crystal afirmou que chegou a pensar na possibilidade de ter desenvolvido o que chamou de “síndrome de Estocolmo”.

Ela disse que se sentia compelida a proteger Hugh, mesmo quando recebia críticas ou quando as regras impostas a incomodavam.

O termo é usado popularmente para descrever uma suposta ligação emocional entre vítimas e seus sequestradores ou abusadores, mas não é considerado um diagnóstico clínico formal.

Por isso, no caso de Crystal, trata-se de uma interpretação que ela própria faz sobre sua experiência.

O QUE CRYSTAL DIZ HOJE?

Hoje, Crystal afirma que decidiu contar sua versão da história depois de compreender melhor os efeitos que a experiência teve sobre sua vida.

Segundo ela, o objetivo ao falar sobre o passado é relatar o que viveu e, eventualmente, ajudar outras pessoas que tenham passado por situações semelhantes.

A história também mostra como a imagem pública de uma personalidade pode ser muito diferente da experiência privada relatada por quem conviveu com ela.

ENTENDA O CONTEXTO

Crystal Hefner conheceu Hugh Hefner quando tinha 21 anos. Os dois começaram a se relacionar, ficaram noivos em 2010 e chegaram a cancelar o casamento pouco antes da cerimônia prevista para 2011.

O casal acabou se reconciliando e se casou em 2012. Eles permaneceram juntos até a morte do fundador da Playboy, em 2017.

Depois da morte de Hefner, Crystal passou a falar mais abertamente sobre a relação. Em 2024, publicou suas memórias e descreveu episódios que classificou como abuso emocional.

Agora, em uma nova entrevista, ela voltou a detalhar a rotina na mansão e afirmou que só conseguiu compreender completamente aquela experiência depois de deixar o local e passar por terapia.

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