“Ele tem que provar a inocência”, diz Lula sobre Lulinha em entrevista durante debate

Presidente falou sobre as investigações envolvendo o filho, relação com Trump, segurança pública, economia e promessas de campanha; ausência no debate foi criticada pelos adversários.
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou fora do primeiro debate entre candidatos à Presidência em 2026, realizado pela Band neste domingo (23), mas apareceu no mesmo horário em uma entrevista gravada para a Record. A ausência foi criticada pelos adversários que participaram do confronto.

Na entrevista, Lula falou sobre temas que devem dominar a campanha eleitoral, incluindo as investigações envolvendo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurança pública, economia e mudanças nas regras trabalhistas.

O trecho mais delicado da conversa envolveu justamente as investigações contra Lulinha. Lula afirmou que não pretende interferir no trabalho da Polícia Federal e disse que, caso o filho tenha cometido algum erro, deverá responder por isso.

“Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele.”

Lulinha é alvo de três inquéritos conduzidos pela Polícia Federal, que apuram suspeitas relacionadas a tráfico de influência e à atuação em negócios de aliados junto ao governo federal. As investigações ainda estão em andamento, e não há condenação.

Lula diz que não vai interferir na investigação

Ao comentar o caso, o presidente afirmou que a PF deve ter liberdade para investigar qualquer pessoa, inclusive integrantes de sua própria família.

“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se.”

Lula também disse tratar o caso “com muita seriedade” e afirmou que eventuais irregularidades precisam ser investigadas.

A declaração ocorre em um momento em que as investigações também atingem pessoas próximas ao governo. Entre elas está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que deixou o cargo após ser citado nas apurações.

Por que Lula não foi ao debate?

O primeiro debate presidencial de 2026 reuniu apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Além de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também não participaram. A ausência dos principais nomes da disputa reduziu o confronto a três candidatos e foi alvo de críticas durante o programa.

Enquanto os candidatos estavam no debate, a Record exibiu a entrevista gravada com Lula. O candidato Renan Santos chegou a criticar a emissora durante o próprio debate pela decisão de colocar a entrevista no ar simultaneamente.

A campanha de Lula havia argumentado que o formato do debate colocaria o presidente em uma situação de desvantagem, principalmente pela presença de candidatos que poderiam concentrar ataques contra ele.

Lula detalha conversa com Trump

Outro tema abordado foi a relação com Donald Trump.

Lula classificou como “boa” a conversa que teve com o presidente norte-americano e falou sobre as negociações relacionadas ao tarifaço imposto aos produtos brasileiros.

O presidente também afirmou que o Brasil está disposto a colaborar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, mas rejeitou qualquer possibilidade de interferência externa em assuntos internos brasileiros.

Lula disse ainda ter enviado aos americanos um documento sobre a exploração de terras raras no Brasil, tema considerado estratégico para a indústria e para a disputa econômica internacional.

Segurança pública volta ao centro da campanha

Na área de segurança, Lula defendeu uma participação maior do governo federal e voltou a mencionar a criação de um Ministério da Segurança Pública, proposta apresentada durante a campanha de 2022.

O presidente afirmou que a prioridade deve ser combater organizações criminosas e prender os responsáveis pelos crimes.

“Temos de resolver esse problema da segurança pública prendendo quem estiver de prender, mas não matando.”

O tema deve ganhar ainda mais espaço durante a campanha, principalmente diante da pressão de candidatos de oposição por uma atuação mais dura contra o crime organizado.

Economia e fim da escala 6×1

Lula também defendeu mudanças na jornada de trabalho e afirmou que o fim da escala 6×1 deve avançar no Congresso.

O presidente ainda anunciou a intenção de acabar com a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança que incide sobre determinadas compras internacionais de até US$ 50.

A medida, porém, ainda depende da tramitação no Congresso para produzir efeitos definitivos.

Na economia, Lula afirmou que o consumidor precisa gastar levando em consideração sua renda e voltou a comparar indicadores de inflação de seu governo com os registrados durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Feminicídio e violência contra a mulher

Lula também foi questionado sobre a violência contra a mulher e citou medidas adotadas pelo governo nos últimos anos.

O presidente reconheceu a gravidade do problema e defendeu uma mudança de comportamento entre os homens.

“A mulher quer ser livre e fazer o que ela quiser. Nós precisamos fazer com que os homens de bem tratem as mulheres com respeito.”

O tema ocorre em meio à pressão por respostas mais efetivas contra os feminicídios, que continuam entre os principais problemas de violência contra as mulheres no país.

“Tenho saudades” das antigas disputas eleitorais

Ao falar sobre a atual campanha, Lula afirmou sentir saudades de quando disputava eleições contra nomes tradicionais do PSDB e citou adversários como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin.

O presidente criticou o que considera uma perda de qualidade no debate político e afirmou que atualmente algumas candidaturas são impulsionadas principalmente pela internet e pelas redes sociais.

Entenda o contexto

A entrevista de Lula acontece no início da campanha para a eleição presidencial de 2026 e em um momento de forte polarização política. O primeiro debate, que deveria colocar frente a frente os principais candidatos, acabou sem Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.

Enquanto os três ficaram fora do estúdio, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury participaram do confronto. A entrevista de Lula exibida simultaneamente pela Record permitiu ao presidente apresentar sua posição sobre temas que estarão no centro da disputa, principalmente as investigações envolvendo Lulinha, segurança pública, economia e a relação com os Estados Unidos.

A declaração de que o próprio filho terá de provar sua inocência também coloca o caso diretamente no discurso eleitoral e reforça a estratégia do presidente de sustentar que a Polícia Federal possui autonomia para investigar integrantes de seu círculo familiar e político.

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