PF dá 10 dias para Ancine explicar bastidores de Dark Horse e mira financiamento do filme

Agência terá de informar quem está ligado à produção sobre Jair Bolsonaro, situação jurídica da obra e se houve uso de incentivos fiscais, recursos federais ou outros benefícios públicos
Redação NC News
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A Polícia Federal deu 10 dias para que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) apresente informações sobre “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. A solicitação foi oficializada na última terça-feira (18).

Entre os principais pontos que precisam ser esclarecidos estão quem são as pessoas e empresas vinculadas ao longa, como está a situação jurídica da produção e se houve recursos públicos, incentivos fiscais ou qualquer benefício relacionado às políticas federais de financiamento do audiovisual.

A Ancine confirmou que recebeu a requisição e informou que responderá dentro do prazo estabelecido pela Polícia Federal. A agência também mantém um processo administrativo envolvendo a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

O que a Polícia Federal quer saber?

A lista de questionamentos é ampla. A PF pediu que a Ancine informe todas as pessoas físicas e jurídicas registradas como vinculadas ao projeto. Isso inclui produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e outros participantes que apareçam nos bancos de dados da agência.

Os investigadores também querem informações sobre a situação jurídica atual do filme, o cronograma de execução, a comunicação da produção e eventuais certificações ou outros procedimentos administrativos relacionados à obra.

Outro ponto central é financeiro: a Polícia Federal quer saber se “Dark Horse” recebeu incentivos fiscais, recursos públicos federais ou qualquer outro benefício ligado às políticas públicas de financiamento do setor audiovisual.

PF pede à Ancine informações sobre responsáveis, financiamento e situação da produção de “Dark Horse”.

Por que Dark Horse entrou na mira da PF?

A investigação ganhou força depois da revelação de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, relacionadas ao financiamento do longa.

Segundo as informações que vieram a público, Flávio teria cobrado de Vorcaro recursos destinados à produção do filme. A partir daí, o financiamento de “Dark Horse” passou a despertar questionamentos sobre a origem e o caminho percorrido pelo dinheiro.

A existência da investigação não significa que eventuais irregularidades estejam comprovadas. A PF busca justamente reunir informações e documentos para esclarecer como a produção foi estruturada e financiada.

Ancine já investigava a produtora

A requisição da Polícia Federal não é o primeiro problema envolvendo “Dark Horse” na Ancine.

A agência abriu um processo administrativo relacionado à Go Up Entertainment, responsável pelo longa.

Segundo a Ancine, o procedimento surgiu após uma denúncia de que uma obra audiovisual estrangeira teria sido produzida em território brasileiro sem a comunicação prévia obrigatória à agência.

Pelas regras brasileiras, produções estrangeiras filmadas no país precisam cumprir exigências específicas e informar previamente à Ancine detalhes da realização.

A agência afirmou que os resultados dessa apuração serão divulgados após a conclusão do processo.

O filme poderá ser exibido no Brasil?

O caminho para o lançamento também passou pela Ancine.

Em junho, foi protocolado um pedido de Registro de Obra Estrangeira, uma das etapas necessárias para permitir a exibição comercial do longa no Brasil.

Nesta segunda-feira (24), a Ancine concedeu o registro de obra estrangeira para “Dark Horse”, que deverá ser distribuído nacionalmente com o título “O Azarão”. Ainda não há uma data definida para a estreia brasileira.

A liberação do registro para exibição e as investigações sobre outros aspectos da produção são questões distintas.

Quem aparece no filme?

“Dark Horse” acompanha parte da trajetória política de Jair Bolsonaro e tem como foco a campanha presidencial de 2018.

O ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido internacionalmente por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, foi escolhido para viver Bolsonaro.

O elenco também inclui Camille Guaty como Michelle Bolsonaro, Edward Finlay como Eduardo Bolsonaro, Sergio Barreto como Carlos Bolsonaro e Marcus Ornellas interpretando Flávio Bolsonaro.

Investigação ganhou outra frente nesta segunda-feira

Também nesta segunda-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de dados de uma operação que teve como alvo Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora de “Dark Horse”.

A operação da Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas relacionadas a um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil, organização comandada por Karina, e a Prefeitura de São Paulo.

É importante separar as apurações: essa investigação envolve suspeitas relacionadas ao contrato da organização com a prefeitura e não significa, por si só, que eventuais irregularidades tenham ocorrido no financiamento do filme.

O compartilhamento dos dados, porém, permitirá que a PF analise as informações dentro das investigações que envolvem a produção.

O que acontece agora?

A Ancine terá de reunir as informações solicitadas e encaminhá-las à Polícia Federal dentro do prazo.

As respostas poderão ajudar os investigadores a reconstruir quem participou formalmente da produção, quais empresas aparecem nos registros, quais procedimentos administrativos foram realizados e se houve algum tipo de benefício público.

Ao mesmo tempo, o processo administrativo da própria Ancine contra a produtora continua em andamento.

O caso mantém “Dark Horse” no centro de uma discussão que deixou de envolver apenas cinema e passou também pelas áreas política, financeira e policial.

ENTENDA O CONTEXTO

“Dark Horse” é um filme sobre Jair Bolsonaro e sua trajetória durante a eleição presidencial de 2018.

A produção passou a chamar ainda mais atenção após a divulgação de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro envolvendo pedidos de recursos a Daniel Vorcaro para o financiamento do projeto.

Paralelamente, a Ancine abriu um processo administrativo relacionado à produção do longa em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida para obras estrangeiras.

Agora, a Polícia Federal deu 10 dias para a agência entregar informações detalhadas sobre as pessoas e empresas envolvidas, a situação jurídica da produção e a eventual existência de recursos ou benefícios públicos.

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