Homem que manteve ex acorrentada por cinco dias pode responder por até 9 crimes em Goiás

Ailton Rodrigues de Souza foi preso após a polícia encontrar a vítima sedada, amarrada e amordaçada em um cativeiro; investigação apura ainda possíveis episódios anteriores de violência
Redação NC News
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Um homem preso após manter a ex-companheira em um cativeiro por cinco dias, em Águas Lindas de Goiás, pode responder por uma série de crimes. Ailton Rodrigues de Souza foi detido na última sexta-feira (21), depois que a polícia localizou o imóvel onde a vítima estava mantida.

Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, foi encontrada amarrada, amordaçada e sob efeito de sedativos. Segundo a investigação, fios e correntes eram usados para prender os braços e as pernas da mulher.

O caso, inicialmente registrado por sequestro e cárcere privado qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo, poderá resultar em novas acusações conforme o avanço das investigações. A polícia apura a possibilidade de tortura, violência sexual e outros crimes.

Como a vítima foi encontrada

A polícia chegou ao cativeiro depois de conseguir rastrear os deslocamentos do suspeito a partir do celular dele.

Na tarde de 21 de agosto, policiais militares localizaram Ailton na rua. Ele teria tentado fugir em alta velocidade e resistido à abordagem.

Depois de ser preso, indicou aos policiais onde estava o imóvel utilizado para manter a ex-companheira.

A casa estava camuflada e completamente vedada. Portas e janelas haviam sido bloqueadas com tapumes de madeira para impedir que pedidos de socorro fossem ouvidos pelos vizinhos.

Os policiais precisaram arrombar o portão.

Dentro do imóvel, encontraram Emiliane deitada em uma cama, amarrada, amordaçada e encapuzada.

A vítima foi encaminhada para atendimento médico por causa dos efeitos dos sedativos e das lesões relatadas no caso.

Polícia investiga até nove crimes

Ailton foi inicialmente autuado por três crimes, mas a investigação pode ampliar a lista de acusações.

Entre as possibilidades estão: sequestro e cárcere privado qualificado, ameaça, porte ilegal de arma de fogo, tortura, violência sexual, perseguição, dano, lesão corporal gravíssima;
tentativa de feminicídio.

A delegada Tamires Teixeira afirmou que a polícia ainda precisa analisar as circunstâncias para definir quais crimes poderão ser atribuídos ao suspeito. Segundo a delegada, também será investigada a possibilidade de ter ocorrido violência sexual.

É importante destacar que essas novas acusações ainda dependem da conclusão da investigação.

Relacionamento já era marcado por violência

Segundo o relato da vítima à polícia, o episódio do cativeiro não teria sido um caso isolado.

Depois do fim do relacionamento, Emiliane teria denunciado comportamentos de perseguição e agressividade por parte do ex-companheiro.

Entre os episódios relatados estão pichações no muro da casa, destruição de câmeras de segurança e a retirada de parafusos das rodas do carro da vítima, em uma ação que poderia provocar um acidente.

A polícia também investiga uma denúncia ainda mais grave.

Segundo Emiliane, o suspeito teria colocado produtos químicos na caixa-d’água da residência, provocando queimaduras em seu corpo e nas partes íntimas durante o banho.

Caso seja comprovado, o episódio poderá ser considerado na investigação sobre outras possíveis tentativas de violência contra a mulher.

O que aconteceu durante os cinco dias?

A vítima relatou que permaneceu presa durante cinco dias.

Segundo a investigação, ela teria sido mantida sob efeito de sedativos e também submetida a situações de asfixia.

O suspeito teria colocado um notebook próximo à janela, reproduzindo filmes em volume alto. A estratégia, segundo a polícia, seria fazer com que os vizinhos acreditassem que o barulho vinha de uma televisão e não percebessem possíveis pedidos de socorro.

No último dia, ainda de acordo com o relato da vítima, Ailton teria feito ameaças e obrigado Emiliane a escrever uma carta relacionada aos bens do casal.

A polícia chegou ao local antes que o plano fosse concluído.

Vítima diz que achou que morreria

Depois do resgate, Emiliane contou  que teve medo de não sair viva do imóvel.

A vítima relatou que passou a pensar em casos de mulheres desaparecidas e assassinadas e imaginou que poderia ter o mesmo destino. Após ser encontrada, ainda abalada e fisicamente debilitada, Emiliane afirmou que considerava o resgate uma nova oportunidade de vida.

Prisão foi convertida em preventiva

A prisão em flagrante de Ailton foi convertida em prisão preventiva durante a audiência de custódia.

A medida mantém o suspeito preso enquanto as investigações avançam.

A polícia ainda deve reunir depoimentos, exames, documentos e outros elementos para definir a extensão das acusações.

A investigação também deverá esclarecer se os episódios anteriores relatados pela vítima estão relacionados ao mesmo padrão de violência e se podem resultar em novas imputações.

Entenda o contexto

O caso começou a ser investigado depois que Emiliane foi mantida em um cativeiro por cinco dias e localizada pela polícia em Águas Lindas de Goiás.

O suspeito foi preso em 21 de agosto e permanece detido preventivamente.

Além dos crimes pelos quais foi inicialmente autuado, a polícia apura possíveis crimes de tortura, violência sexual, perseguição, dano, lesão corporal gravíssima e tentativa de feminicídio.

A investigação ainda está em andamento. Por isso, as possíveis novas acusações não devem ser tratadas como crimes já comprovados.

O caso também chama atenção para os episódios anteriores relatados pela vítima, que podem ajudar a polícia a reconstruir o histórico do relacionamento e entender como a violência teria evoluído até o sequestro.

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