Justiça torna delegado e agentes da Polícia Civil réus por organização criminosa na Paraíba

Oito investigados passaram a responder formalmente à ação penal após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público; Operação Perfidus apura suposto esquema envolvendo desvio de drogas, tráfico e lavagem de dinheiro
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Justiça da Paraíba aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus oito investigados na Operação Perfidus, que apura a suspeita de envolvimento de policiais civis e integrantes do tráfico de drogas em uma organização criminosa. A decisão, assinada na terça-feira (25), marca o início formal da ação penal contra os acusados.

Entre os réus estão o delegado Braz Morroni de Paiva Júnior e os agentes da Polícia Civil Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Também foram denunciados José Alexandrino de Lira Júnior, João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza e Vanessa Dantas Fernandes.

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa armada que teria atuado na apropriação e no desvio de carregamentos de drogas pertencentes a facções rivais. O material supostamente desviado seria posteriormente reinserido no mercado ilegal.

Suspeita de esquema envolvendo policiais e traficantes

A investigação aponta que policiais teriam utilizado a estrutura da própria corporação para localizar depósitos de entorpecentes. Segundo a apuração, parte das drogas apreendidas teria sido desviada antes de ser novamente colocada em circulação, com suposta participação de integrantes do narcotráfico.

Além do tráfico de drogas, a denúncia também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, relacionada à ocultação ou dissimulação dos valores obtidos com as atividades investigadas. Há ainda referências a suspeitas de corrupção e vazamento de informações sigilosas.

A Operação Perfidus teve como foco principalmente integrantes da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. A apuração foi conduzida pelo Gaeco em conjunto com órgãos de investigação especializados.

Prisões foram mantidas pela Justiça

Com o recebimento da denúncia, a Justiça também manteve a prisão preventiva de sete dos investigados. A decisão levou em consideração, entre outros fatores, a possibilidade de interferência na investigação e na instrução processual. Uma das investigadas permanece em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A Justiça ainda autorizou o compartilhamento de provas obtidas durante a investigação com outros inquéritos e com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Os réus terão 10 dias para apresentar resposta à acusação.

A defesa dos acusados terá oportunidade de apresentar suas versões e contestar as acusações durante o processo. O recebimento da denúncia não representa condenação: os investigados passam a responder formalmente à ação penal, mas ainda terão direito ao contraditório e à ampla defesa.

Operação Perfidus

A Operação Perfidus revelou uma investigação que colocou policiais civis sob suspeita de atuar em conjunto com integrantes do tráfico de drogas. A apuração busca esclarecer como cargas de entorpecentes apreendidas em ações policiais teriam sido desviadas e posteriormente reinseridas no mercado ilegal.

A Justiça considerou que os elementos apresentados pelo Ministério Público eram suficientes para individualizar a participação dos denunciados e permitir o início da ação penal.

O caso agora entra em uma nova fase: com os oito investigados formalmente transformados em réus, a Justiça deverá analisar as provas, ouvir as partes e conduzir o processo até uma eventual decisão sobre a responsabilidade criminal de cada acusado.

Entenda o contexto

A Operação Perfidus investiga uma suposta estrutura criminosa que teria conectado agentes públicos e integrantes do tráfico de drogas na Paraíba.

De acordo com o Ministério Público, a organização teria se aproveitado da atuação policial para localizar cargas de entorpecentes, desviar parte do material e permitir que as drogas voltassem ao comércio ilegal.

A investigação também aponta suspeitas de lavagem dos recursos obtidos com o esquema. Com o recebimento da denúncia pela Justiça, o caso deixa a fase exclusivamente investigativa e passa a tramitar como ação penal.

Os oito denunciados agora poderão apresentar suas defesas e contestar as acusações antes de qualquer eventual condenação.

Carregar Comentários