Uma fiscalização do Ministério Público Federal (MPF) revelou que a crise de saúde na Terra Indígena Yanomami ainda está longe de ser superada. Na comunidade Koribi, na região do Alto Catrimani, 29 indígenas foram encontrados em meio a casos de malária, doenças respiratórias, verminose e leishmaniose.
A situação foi classificada pelo MPF como de “grave deterioração” das condições de saúde. Durante a fiscalização, realizada em fevereiro deste ano, moradores relataram a ausência prolongada de equipes de atendimento. Uma criança com suspeita de leishmaniose precisou ser removida para o Centro de Saúde do Surucucu.

Números melhoram, mas o abandono persiste
O caso expõe uma contradição na assistência aos Yanomami: enquanto o Governo Federal divulga números que apontam melhora nos principais indicadores de saúde, comunidades mais isoladas continuam relatando dificuldade para receber atendimento básico.

Mas os avanços nos números não significam que o atendimento tenha chegado a todas as comunidades.
Na práticas, atendimento ainda não chega para todos
No caso de Koribi, o próprio MPF aponta falhas na execução da assistência. O DSEI Yanomami apresentou um plano de atendimento, mas, segundo o órgão, o documento não veio acompanhado da comprovação solicitada e previa ações condicionadas a questões logísticas e operacionais. Também não havia informação sobre execução das ações após abril de 2026.
Quem é responsável pela saúde dos Yanomami?
A responsabilidade pela assistência à saúde indígena é do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde e do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Yanomami). O próprio Ministério reconheceu que entre 2019 e 2022 houve forte deterioração da assistência, com subnotificação de doenças e mortes. Em julho deste ano, relatório aprovado pelo Senado também apontou que, apesar da redução do garimpo ilegal, os Yanomami ainda enfrentam vulnerabilidades no acesso à saúde, alimentação, segurança e outras políticas públicas.
Uma crise que não terminou
Os dados recentes mostram que houve investimentos e melhora em alguns indicadores. O Ministério da Saúde afirma ter ampliado o efetivo de profissionais no território de 690, em 2023, para 1.855, em 2025, além de aumentar os atendimentos e a testagem para malária.
O problema é que os resultados gerais não eliminam situações de abandono em comunidades onde uma equipe de saúde pode demorar semanas ou meses para chegar.
É justamente essa distância entre os números oficiais e a realidade encontrada em campo que agora será acompanhada pelo MPF. O órgão abriu procedimento para monitorar permanentemente a assistência prestada à comunidade Koribi e cobrar informações dos responsáveis.
A situação deixa uma pergunta que permanece sem resposta: se os recursos, equipes e ações anunciados pelo Governo Federal estão chegando ao território, por que comunidades Yanomami ainda precisam esperar pela fiscalização do Ministério Público para receber atendimento diante de doenças já conhecidas e tratáveis ?