A coligação Desperta Brasil, formada pelo PT e outros partidos de esquerda, acionou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para pedir a retirada de um boneco conhecido como “Pixuleco”, instalado no comitê de campanha de Ricardo Salles, candidato ao Senado pelo Novo.
O boneco representa Lula vestido como presidiário e foi colocado em frente ao comitê de Salles, no bairro Paraíso, zona sul de São Paulo. A coligação afirma que a estrutura ultrapassa os limites permitidos pela legislação eleitoral.
O que o PT está questionando?
Na representação apresentada ao TRE-SP, a coligação afirma que o boneco tem dimensões muito superiores às permitidas para artefatos utilizados em campanhas eleitorais.
Segundo os advogados, a estrutura também não apresenta de forma adequada o nome, número ou identificação do candidato, como exigido pelas regras eleitorais.
A coligação pede que a Justiça determine a retirada do boneco em até 24 horas e estabeleça multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
Por que o boneco virou alvo de disputa?
O “Pixuleco” não é apenas uma peça decorativa do comitê.
O boneco se tornou um dos símbolos de protestos contra Lula e aparece associado à imagem do presidente usando roupas de presidiário. No caso da campanha de Salles, a estrutura também exibe o logotipo do Novo e um QR Code.
Para a coligação adversária, entretanto, o tamanho da estrutura faz com que a propaganda possa ser caracterizada como uma espécie de outdoor, formato que possui restrições específicas na legislação eleitoral.
Não é a primeira representação contra Salles
A disputa judicial começou antes. No último domingo (23), a mesma coligação já havia acionado a Justiça Eleitoral contra um ônibus de dois andares utilizado pela campanha de Ricardo Salles.
O veículo é preto, traz a mensagem “Fora Lula”, além do nome e do número do candidato, e também exibe uma representação do Pixuleco.
A acusação é de que o ônibus funcionaria como um “outdoor móvel”, ultrapassando os limites estabelecidos para propaganda eleitoral em veículos.
O que a Justiça pode decidir?
A coligação pediu uma decisão urgente para retirar o boneco do comitê. Além da remoção, o pedido inclui a determinação para que Salles não volte a instalar a estrutura e a aplicação de multa caso a propaganda seja considerada irregular.
A representação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral. Até aqui, a disputa envolve principalmente a interpretação das regras sobre tamanho, identificação e formato da propaganda eleitoral.
Entenda o contexto
A eleição de 2026 já começou a produzir disputas não apenas entre candidatos, mas também nos tribunais eleitorais.
Em São Paulo, Ricardo Salles disputa uma vaga no Senado pelo Novo e adotou uma campanha de forte oposição ao governo Lula. O uso do Pixuleco e do ônibus com a mensagem “Fora Lula” se tornou parte dessa estratégia.
Agora, o PT e partidos aliados tentam impedir que essas peças continuem sendo utilizadas, alegando que elas ultrapassam os limites previstos pela legislação eleitoral.
A Justiça Eleitoral terá de decidir se as estruturas utilizadas pela campanha estão dentro das regras ou configuram propaganda irregular.