A decisão dos Estados Unidos de ampliar temporariamente a entrada de carne bovina importada abriu uma possibilidade para exportadores como o Brasil, mas também provocou reação entre os pecuaristas americanos.
Na última sexta-feira (21), o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos permitirão, durante 90 dias, a entrada de até 300 mil toneladas métricas de carne bovina destinada à produção de carne moída sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem as cotas atuais.
O objetivo declarado pelo governo americano é aumentar a oferta e reduzir o preço da carne moída para os consumidores.
Pecuaristas americanos contestam decisão
A medida, entretanto, não foi bem recebida por parte da cadeia produtiva americana.
A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), que representa produtores de gado dos Estados Unidos, manifestou decepção com o anúncio.
A entidade argumenta que colocar no mercado carne importada subsidiada e abaixo dos preços praticados pode prejudicar os sinais de mercado justamente no momento em que os pecuaristas americanos tentam reconstruir o rebanho, reduzido após anos de seca, custos elevados e outros desafios.
A reação também atingiu o mercado futuro de gado nos Estados Unidos, que registrou queda após o anúncio.
Brasil pode se beneficiar
Para o Brasil, a abertura representa uma possibilidade adicional de negócios, mas é importante fazer uma ressalva: o governo americano ainda não definiu oficialmente como o volume adicional será distribuído entre os países fornecedores.
Portanto, não é correto afirmar que as 300 mil toneladas serão destinadas ao Brasil.
O país, porém, está entre os grandes fornecedores mundiais de carne bovina e já possui presença relevante no mercado americano.
A eventual ampliação das compras pelos Estados Unidos pode aumentar as oportunidades para frigoríficos brasileiros, especialmente se as condições comerciais forem favoráveis.
O cenário cria uma situação curiosa no mercado americano: o governo quer aumentar as importações para reduzir o preço da carne ao consumidor, enquanto os pecuaristas temem que a maior oferta externa desestimule a reconstrução do rebanho doméstico.
Fontes: Reuters, National Cattlemen’s Beef Association.