O custo para produzir leite voltou a subir no Brasil. Em julho, o ICPLeite/Embrapa avançou 1,14%, interrompendo uma sequência de quedas registrada desde março.
O resultado chama atenção porque a inflação oficial medida pelo IPCA ficou em apenas 0,06% no mesmo mês.
O índice é calculado pelo Centro de Inteligência do Leite, da Embrapa, e acompanha a variação dos principais componentes do custo de produção em propriedades leiteiras.
Alimentação pesa na conta
O principal impacto sobre o resultado de julho veio da alimentação concentrada, grupo que tem peso significativo na formação dos custos.
Entre os produtos que mais pressionaram estão a ração para vacas e a polpa cítrica.
O grupo de minerais também apresentou forte aumento, enquanto sanidade e reprodução contribuíram para a elevação do custo.
Alta acumulada ainda é moderada
Apesar da alta registrada em julho, o cenário acumulado é menos pressionado.
Entre janeiro e julho, o custo de produção do leite acumulou alta de 2,61%. Em 12 meses, o avanço foi de 1,72%, abaixo da inflação oficial de 4,44% no mesmo período.
A diferença mostra que, no acumulado, os custos da atividade leiteira ainda crescem em ritmo inferior à inflação.
Mas a interrupção da trajetória de queda em julho merece atenção.
O movimento pode indicar uma mudança de tendência no segundo semestre, especialmente se os preços dos insumos continuarem avançando.
Para o produtor, o cenário reforça a importância de acompanhar a composição dos gastos e buscar eficiência principalmente em itens como alimentação, sanidade e reprodução, que têm impacto direto sobre o custo por litro produzido.
Fonte: Embrapa Gado de Leite — Centro de Inteligência do Leite (CiLeite).