Lula chama suspeitas contra Lulinha de “ilações” e promete não interferir nas investigações da PF

Lula aborda as investigações envolvendo seu filho e reafirma compromisso com a transparência e a gestão econômica.
Redação NC News
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Em entrevista à TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “ilações” as suspeitas que atingem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que não pretende interferir nas investigações da Polícia Federal. Diante de perguntas sobre os inquéritos, o presidente também disse que, caso sejam comprovadas irregularidades, o filho deverá responder por elas.

A entrevista, conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, abordou ainda as investigações que envolvem pessoas próximas ao presidente, a situação dos Correios, a segurança pública, a economia e a disputa política para as eleições de 2026.

Lula reage a investigações sobre filho em entrevista na TV
Lula enfrenta César Tralli e Renata Vasconcellos em sabatina da Globo | Foto: Reprodução

Lula chama suspeitas contra Lulinha de “ilações”

Lula afirmou que, até o momento, não existe acusação formal contra Lulinha e criticou o que considera uma interpretação precipitada das informações usadas nas investigações.

“Ali não tem nenhuma acusação. São ilações, ilações, ilações tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso”, afirmou o presidente, em referência ao período em que foi investigado durante a Operação Lava Jato.

Lula também declarou que não pretende utilizar o cargo para beneficiar o filho.

“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse. Em seguida, reforçou: “Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal. Eu não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja beneficiado”.

As investigações envolvendo Lulinha tramitam no Supremo Tribunal Federal e apuram suspeitas relacionadas a possíveis favorecimentos e relações com empresas e pessoas ligadas a contratos públicos. As apurações ainda estão em andamento, e a existência de investigação não significa que os investigados tenham cometido crimes.

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Caso envolvendo Marcola aumenta pressão sobre o governo

Lula também foi questionado sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência e deixou a função após surgirem informações relacionadas a pagamentos feitos pela empresária Roberta Luchsinger.

Ex-Chefe de Gabinete de Lula é investigado no caso Lulinha | Foto: Reprodução

Segundo informações apresentadas durante a entrevista, R$ 249 mil em despesas teriam sido pagos em nome de Marcola. Lula classificou a situação como inadequada, mas afirmou acreditar que os valores estavam relacionados a um empréstimo pessoal.

“Não é adequado. É totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou.

O presidente também relatou uma conversa que teve com o ex-assessor.

“Eu disse para ele: ‘Cara, eu sou quase que nem seu pai. Por que que você não falou comigo? Por que você não falou comigo do problema que você estava tendo?’”, contou.

Lula afirmou ainda estar abalado com as denúncias.

“Estou muito deprimido e muito chateado”, declarou.

 

Ao comentar os casos, o presidente repetiu que eventuais irregularidades devem ser responsabilizadas independentemente de quem esteja envolvido.

“O meu filho sabe que não poderia cometer nenhum erro. Se cometeu, vai pagar. O Marcola sabe que não poderia cometer nenhum erro. Se cometeu, vai pagar. É assim que funciona”, afirmou.

Lula fala sobre crise dos Correios e descarta privatização

A situação financeira dos Correios também entrou na pauta. Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre o prejuízo acumulado pela estatal, estimado em R$ 15 bilhões nos últimos quatro anos.

O presidente atribuiu parte da crise às mudanças no mercado de entregas e à concorrência com empresas privadas.

“A crise dos Correios é que ele não se adaptou aos novos tempos. Surgiu muita empresa de fazer entrega e os Correios ficaram na mesmice”, afirmou.

Lula defendeu a possibilidade de parcerias com empresas privadas, inclusive estrangeiras, mas rejeitou a privatização da estatal.

“Não considero vender os Correios”, respondeu.

Lula descarta venda dos Correios | Foto: Reprodução

O presidente também criticou a gestão anterior e mencionou a situação deixada pelo governo de Jair Bolsonaro.

A discussão sobre os Correios coloca novamente em lados opostos duas visões sobre o papel das estatais. Enquanto Lula defende a manutenção da empresa sob controle público, setores da oposição continuam defendendo alternativas como a privatização.

Segurança pública entra no centro da entrevista

Lula também foi questionado sobre o avanço do crime organizado e sobre as responsabilidades de União, Estados e municípios na segurança pública.

O presidente defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública caso uma proposta de emenda à Constituição avance no Congresso. Segundo Lula, a mudança poderia estabelecer de maneira mais clara as atribuições de cada esfera de governo.

A proposta também envolve maior integração entre as forças de segurança e investimentos em inteligência para combater organizações criminosas e o tráfico de drogas.

Lula citou ainda uma proposta de cooperação com os Estados Unidos para ampliar o combate ao narcotráfico e às organizações criminosas.

Jaques Wagner é citado durante entrevista

Outro assunto abordado foi o senador Jaques Wagner e as menções ao seu nome em investigações relacionadas ao Banco Master.

Lula afirmou confiar no aliado e voltou a destacar a necessidade de respeitar a presunção de inocência. Ao mesmo tempo, disse que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deverá responder por seus atos.

O presidente criticou novamente o que chamou de uso excessivo de “ilações” para sustentar acusações antes da conclusão das investigações.

Entrevista ganha peso na disputa de 2026

A entrevista ocorre em um momento de forte disputa política e coloca Lula diante de temas capazes de gerar desgaste para o governo, especialmente as investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente e a situação financeira dos Correios.

Ao prometer não interferir nas investigações e afirmar que eventuais crimes devem ser punidos, Lula estabelece uma posição pública que poderá ser cobrada caso novas informações surjam durante a corrida eleitoral.

Os inquéritos envolvendo Lulinha e outras pessoas ligadas ao entorno presidencial continuam em andamento. Eventuais novas diligências, depoimentos ou decisões judiciais podem recolocar o assunto no centro do debate político.

Na economia, a situação dos Correios e a discussão sobre as contas públicas também devem continuar entre os principais pontos de cobrança ao governo.

A entrevista, portanto, expõe uma estratégia clara de Lula: reconhecer problemas, rejeitar as acusações que considera sem fundamento e reafirmar que as instituições devem seguir funcionando sem interferência política. O efeito eleitoral dessa estratégia, porém, dependerá do avanço das investigações e dos resultados econômicos dos próximos meses.

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Entenda o contexto

As declarações de Lula ocorrem em meio a investigações que atingem pessoas próximas ao presidente e ganham peso político com a aproximação das eleições de 2026. O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, está sob apuração das autoridades e ainda não representa uma condenação ou conclusão de que ele tenha cometido irregularidades.

Na entrevista, Lula tenta estabelecer uma linha de defesa baseada na presunção de inocência, ao mesmo tempo em que afirma não interferir no trabalho da Polícia Federal. O governo também enfrenta pressão em outras frentes, como a crise financeira dos Correios, a segurança pública e as contas públicas.

Com a campanha eleitoral se aproximando, cada nova etapa dessas investigações pode aumentar a pressão sobre o Palácio do Planalto e transformar os casos em um dos principais temas do debate político nacional.

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