A corrida presidencial de 2026 apresenta um mapa eleitoral bastante dividido entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo uma série de pesquisas Genial/Quaest divulgadas nesta semana.
Os levantamentos avaliaram a intenção de voto para presidente em 17 estados e no Distrito Federal e mostram uma disputa especialmente apertada nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, Flávio aparece com 30%, contra 29% de Lula. Em Minas Gerais, o senador tem 31%, enquanto o presidente registra 30%. No Rio de Janeiro, Flávio marca 31%, contra 29% de Lula.
Em todos esses casos, a diferença está dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
São Paulo, Minas e Rio concentram a disputa
Os números dos três estados mais populosos chamam atenção porque representam uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.
Em São Paulo, Flávio Bolsonaro aparece com 30%, Lula tem 29%, Ronaldo Caiado (PSD) soma 4%, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm 3% cada.
Em Minas Gerais, Flávio registra 31%, Lula aparece com 30% e Zema tem 7%. O levantamento ainda mostra 17% de indecisos, o maior percentual entre os três estados.
Já no Rio de Janeiro, Flávio marca 31%, contra 29% de Lula. O cenário também chama atenção pelo elevado número de eleitores que ainda não definiram o voto: 16% estão indecisos e outros 16% afirmam que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.
Isso significa que, embora Lula e Flávio apareçam tecnicamente empatados, existe uma parcela relevante do eleitorado que ainda pode alterar o cenário.

Flávio abre vantagem em estados do Sul e Centro-Oeste
O levantamento mostra um desempenho mais forte de Flávio Bolsonaro em alguns estados do Sul e do Centro-Oeste.
Em Santa Catarina, o senador aparece com 45%, contra 20% de Lula — uma vantagem de 25 pontos percentuais.
Em Rondônia, Flávio tem 45%, enquanto Lula aparece com 25%.
No Paraná, o cenário também favorece o candidato do PL: Flávio registra 41%, contra 23% de Lula.
No Rio Grande do Sul, a vantagem é menor, mas ainda aparece: 34% para Flávio e 28% para Lula.
No Mato Grosso, Flávio tem 43%, contra 26% do presidente.
No Mato Grosso do Sul, o senador aparece com 33%, enquanto Lula registra 27%.
Lula mantém vantagem no Nordeste
Se o Sul e parte do Centro-Oeste apresentam um cenário mais favorável a Flávio, o Nordeste continua sendo um dos principais pontos de força de Lula.
No Maranhão, o presidente aparece com impressionantes 58%, contra 20% de Flávio.
Em Pernambuco, Lula tem 54%, enquanto o senador registra 19%.
No Rio Grande do Norte, o petista aparece com 54%, contra 20% de Flávio.
Na Paraíba, Lula marca 50%, enquanto o candidato do PL tem 21%.
Em Alagoas, a vantagem também é significativa: 44% para Lula e 29% para Flávio.
O resultado reforça a importância do Nordeste para a estratégia eleitoral do presidente.
Distrito Federal também mostra vantagem de Lula
No Distrito Federal, Lula aparece numericamente à frente, com 28% das intenções de voto, contra 26% de Flávio Bolsonaro.
Ronaldo Caiado aparece em terceiro, com 13%.
O percentual de indecisos é de 12%, enquanto 10% dizem que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.
E nos demais estados?
No Amapá, Lula tem 36%, contra 33% de Flávio.
No Amazonas, o presidente aparece com 38%, enquanto o senador registra 33%.
Em Tocantins, Lula marca 37%, contra 32% de Flávio.
O desenho geral mostra, portanto, uma eleição que não apresenta um único padrão nacional.
O desempenho dos candidatos muda drasticamente de uma região para outra.
Onde cada um lidera?
Considerando os estados e o Distrito Federal pesquisados, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente em Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina, além de São Paulo, onde a diferença é de apenas um ponto.
Lula lidera numericamente em Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Mas é importante destacar: liderança numérica não significa necessariamente liderança estatística. Nos estados em que a diferença está dentro da margem de erro, o cenário é de empate técnico.
Muitos eleitores ainda não escolheram candidato
Outro dado importante da pesquisa é o tamanho do eleitorado que ainda não decidiu o voto.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, 18% estão indecisos;
Em Minas Gerais, são 17%;
No Paraná, 17%;
No Rio de Janeiro, 16%.
Esses números mostram que a corrida ainda está longe de estar definida.
Além disso, os percentuais de branco, nulo e eleitores que dizem que não vão votar também são relevantes em alguns estados.
Para as campanhas, isso significa que a capacidade de conquistar eleitores indecisos pode ser tão importante quanto manter a própria base eleitoral.
O que a pesquisa revela sobre a eleição?
O principal recado do levantamento é que a eleição presidencial de 2026 apresenta uma forte divisão regional.
Lula mantém vantagens expressivas em estados do Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais forte em estados do Sul e do Centro-Oeste.
Nos maiores colégios eleitorais, porém, a disputa aparece muito mais equilibrada.
Esse cenário coloca São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no centro da estratégia das duas campanhas.
São estados com eleitorados numerosos e nos quais nenhum dos dois principais nomes consegue, neste momento, abrir uma vantagem estatisticamente segura.
A pesquisa ainda é um retrato do momento
É importante lembrar que pesquisas eleitorais não são previsões do resultado da eleição.
Elas mostram a intenção de voto no período em que as entrevistas foram realizadas.
As margens de erro são de dois pontos percentuais em São Paulo e três pontos percentuais nas demais pesquisas.
Além disso, a eleição ainda está em fase de construção, e debates, alianças, campanhas, propaganda eleitoral e acontecimentos políticos podem modificar o cenário.
O levantamento também não inclui Pablo Marçal (PRTB) nos cenários considerados na reportagem, em razão da situação de inelegibilidade que ainda está sendo analisada pela Justiça Eleitoral.
Entenda o contexto
A série de pesquisas Genial/Quaest divulgada nesta semana mostra a disputa presidencial de 2026 em 17 estados e no Distrito Federal.
O cenário mais apertado aparece nos três maiores colégios eleitorais:
São Paulo: Flávio 30% x Lula 29%;
Minas Gerais: Flávio 31% x Lula 30%;
Rio de Janeiro: Flávio 31% x Lula 29%.
Ao mesmo tempo, Lula abre vantagens expressivas no Nordeste, chegando a 58% no Maranhão, enquanto Flávio registra 45% em Santa Catarina e em Rondônia.
Os números mostram uma eleição regionalmente dividida e ainda com grande quantidade de eleitores indecisos, especialmente em estados importantes como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Para as campanhas, o desafio agora é transformar essas vantagens regionais em uma votação nacional capaz de levar seus candidatos ao segundo turno — e, depois, construir uma maioria no confronto decisivo.