A campanha pela Presidência da República teve um sábado marcado por agendas com perfis bem diferentes entre os candidatos.
Romeu Zema (Novo) escolheu o Rio Grande do Sul para falar de infraestrutura e dos impactos de eventos climáticos. Renan Santos (Missão) foi às ruas de São Paulo para uma carreata e encontro com apoiadores. Já Augusto Cury (Avante) participou de uma agenda na Rocinha, no Rio de Janeiro.
A programação ocorre justamente no momento em que a propaganda eleitoral gratuita começou a ocupar rádio e televisão. Zema e Renan, porém, estão entre os candidatos que não têm espaço nos blocos da propaganda eleitoral, enquanto Cury recebeu apenas 35 segundos por programa.
A estratégia, portanto, passa também por rua, redes sociais, entrevistas e exposição pública.
Zema transforma infraestrutura em pauta de campanha

Romeu Zema começou o sábado no município de Feliz, no Rio Grande do Sul.
O candidato visitou o local onde uma ponte sofreu sucessivos danos e conversou com moradores e empresários. A agenda foi usada para apresentar propostas relacionadas aos efeitos do El Niño, às mudanças climáticas e à infraestrutura.
A escolha do local não é aleatória.
Ao levar a campanha para uma região marcada por problemas provocados por eventos climáticos, Zema tenta transformar uma situação concreta em argumento político: a necessidade de preparar cidades e estruturas públicas para eventos extremos.
O candidato também conheceu a chamada Ponte da Felizcidade, cuja reconstrução mobilizou moradores, empresas e entidades locais depois dos danos provocados pelas enchentes.
Encontro com mulheres fecha agenda no RS
À noite, Zema seguiu para Canoas, onde participou de um encontro com mulheres do partido Novo.
O compromisso estava marcado para as 18h, na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas.
A atividade amplia uma frente que deve ganhar peso durante a campanha: a tentativa de aproximação com o eleitorado feminino, segmento considerado decisivo na disputa presidencial.
Renan Santos aposta na rua e no contato direto

O candidato do Missão participou de um encontro com apoiadores e de uma carreata, com concentração na Praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu, na Zona Oeste da capital.
A atividade estava marcada para as 13h.
A agenda também contou com adesivaço, colocando a campanha diretamente em contato com eleitores e apoiadores.
Para Renan, a rua ganha importância porque sua candidatura não dispõe de tempo no bloco da propaganda eleitoral gratuita.
O candidato do Missão tenta, portanto, compensar a ausência na televisão com debates, sabatinas, redes sociais e mobilização presencial.
Essa estratégia já vinha aparecendo durante a semana. Renan teve destaque no debate da Band e na sabatina do Jornal Nacional e, segundo análise publicada neste sábado, foi apontado como um dos candidatos que mais ganharam espaço político na semana.
Cury começa o dia com caminhada na Rocinha

O candidato do Avante passou pela Rocinha, onde participou de uma ação de campanha, lançou o jingle oficial e conversou com moradores e jornalistas.
A programação começou com uma parada na comunidade para o lançamento do jingle. Depois, Cury subiu até uma laje, onde concedeu entrevistas e conversou com moradores. O almoço também ocorreu na comunidade.
A escolha da Rocinha coloca o candidato em um cenário popular e urbano, em uma tentativa de aproximar o discurso de campanha de questões vividas diretamente pelos moradores.
Após o debate da Band, o candidato registrou forte aumento no número de seguidores e passou a aparecer com frequência entre os assuntos políticos mais comentados nas plataformas digitais.
Na televisão, entretanto, sua realidade é diferente.
Cury terá apenas 35 segundos nos blocos da propaganda eleitoral, contra 5 minutos e 31 segundos de Lula, 4 minutos e 20 segundos de Flávio Bolsonaro e 2 minutos e 2 segundos de
Caiado vai a Barretos em busca do eleitor do agro

Ronaldo Caiado passou o sábado em Barretos, no interior de São Paulo, onde participou da 71ª Festa do Peão de Boiadeiro.
A escolha do evento coloca o candidato diretamente diante de um público estratégico para sua campanha: produtores rurais, empresários do agronegócio, trabalhadores do setor e eleitores ligados ao campo.
Caiado tenta reforçar a imagem de candidato identificado com o agro e com uma pauta de direita, mas também precisa ampliar sua presença fora de Goiás, estado que governou por dois mandatos.
Durante a agenda, o candidato afirmou que acredita ter condições de vencer Lula caso consiga chegar ao segundo turno.
“Me colocando no segundo turno, eu bato Lula e ganho”, disse Caiado durante discurso em Barretos.
A declaração resume uma das principais apostas da campanha: se apresentar como uma alternativa competitiva dentro do campo da direita, em vez de disputar apenas o eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.
A presença em Barretos também acontece em um momento em que Caiado tenta se reaproximar do agronegócio e transformar sua experiência como governador de Goiás em argumento eleitoral.
Entenda o contexto
A propaganda eleitoral gratuita começou oficialmente no rádio e na televisão neste fim de semana.
Nos blocos fixos, apenas quatro candidatos à Presidência têm tempo: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Zema e Renan Santos não aparecem nessa divisão porque seus partidos não alcançaram representação suficiente para garantir tempo nos blocos.
Por isso, a campanha fora da televisão ganha ainda mais importância.
Neste sábado, Zema buscou associar sua imagem à discussão sobre infraestrutura e eventos climáticos; Renan tentou ampliar sua presença nas ruas; e Cury aproveitou uma combinação de contato popular, redes e televisão.
A corrida presidencial está apenas começando — e, para quem tem menos tempo de TV, cada aparição pública pode valer ouro.