O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira, reage publicamente à acusação de Flávio Bolsonaro de que estaria fazendo campanha para Lula e recoloca a tentativa de golpe de Estado no centro da disputa presidencial.
A ofensiva de Baptista Júnior vem logo após a sabatina de Flávio Bolsonaro na TV, em que o senador e candidato do PL tenta desqualificar depoimentos de militares sobre o risco de ruptura institucional no fim do governo Jair Bolsonaro. Ao negar qualquer engajamento eleitoral a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o brigadeiro acusa o parlamentar de fugir do tema central: a responsabilidade política e institucional pela tentativa de golpe.
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Embate em plena campanha e recado ao candidato
Na entrevista, Flávio afirma que os relatos de generais e oficiais não são graves porque viriam de alguém supostamente comprometido com a campanha de Lula. Ele cita nominalmente o ex-comandante da Aeronáutica. “Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, diz o senador ao ser confrontado sobre os depoimentos colhidos no Supremo Tribunal Federal.
O ataque atinge diretamente um dos testemunhos que embasam a condenação de Jair Bolsonaro e de integrantes de seu governo pela tentativa de golpe. Baptista Júnior depõe no processo e descreve pressões para que a cúpula das Forças Armadas aceitasse uma ruptura institucional. Esse histórico transforma o militar em alvo preferencial do núcleo bolsonarista no momento em que o tema volta a dominar o noticiário político.
‘Leviandade’ e livro antigolpista entram na campanha
A reação do brigadeiro ocorre principalmente por meio de seu perfil no X e de entrevistas. Ele qualifica a acusação como irresponsável e a relaciona diretamente à estratégia de Flávio na sabatina. “A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, afirma.
Ao mencionar “a figura de filho”, Baptista Júnior alude ao vínculo familiar de Flávio com Jair Bolsonaro e sugere que o senador confunde a defesa do pai com o papel institucional de um candidato à Presidência. O recado expõe uma linha de tensão que vai além da disputa eleitoral: o lugar das Forças Armadas no regime democrático e o limite entre lealdade pessoal e compromisso com a Constituição.
O ex-comandante recusa a narrativa de que age como cabo eleitoral de Lula. Ele cita o próprio histórico recente para sustentar o argumento. Seu depoimento no STF integra a ação penal que resulta na condenação de Jair Bolsonaro e de outros ex-integrantes do Planalto, sem qualquer relação formal com Flávio. O brigadeiro afirma não saber de onde o senador tira a ideia de que o livro e o testemunho seriam instrumentos de campanha.
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Obra ‘Eu disse não!’ mira bastidores da crise
No centro da polêmica está o livro “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, que Baptista Júnior promete lançar em cerca de dez dias. A obra, segundo ele, relata a resistência de setores das Forças Armadas a pressões pela ruptura institucional e detalha bastidores da crise que marca o fim do governo Bolsonaro. Mesmo antes de chegar às livrarias, o título entra no debate eleitoral como símbolo de um posicionamento claro contra a aventura golpista.
O brigadeiro ironiza a tentativa de Flávio de antecipar juízos sobre o conteúdo. Ele sugere que o senador fala sem conhecer o livro. “Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, afirma, em mais um recado público. O tom indica que Baptista Júnior pretende se manter presente no debate sobre democracia e Forças Armadas, mesmo após deixar o comando da Aeronáutica.
Baptista Júnior ocupa o posto máximo da Força Aérea durante o governo Jair Bolsonaro e, à época, convive diretamente com o núcleo político do Planalto. A mudança de comando leva Marcelo Kanitz Damasceno à chefia atual da FAB, mas não afasta o ex-comandante dos holofotes. Seu relato, agora em livro, promete ampliar a disputa de versões sobre o comportamento de generais e brigadeiros na crise institucional.
Forças Armadas, democracia e cálculo eleitoral
O embate entre o brigadeiro e o senador ocorre em um ambiente de campanha acirrada, em que a defesa da democracia e a avaliação do passado recente pesam sobre o eleitorado. Ao reafirmar sua postura “antigolpista” e negar envolvimento em palanques partidários, Baptista Júnior dá voz a uma ala fardada que tenta se distanciar da aventura golpista e recuperar credibilidade junto à opinião pública.
Para Flávio Bolsonaro, a estratégia é oposta. Ao chamar o ex-comandante de “parcial” e sugerir que ele pede votos para Lula, o candidato tenta neutralizar o impacto dos depoimentos militares sobre a responsabilidade de seu pai e de aliados na tentativa de golpe. A acusação, porém, abre uma frente de desgaste: obriga o senador a explicar por que evita responder diretamente às perguntas sobre o episódio mais grave da recente história institucional do país.
As consequências se irradiam por diferentes frentes. Candidatos e partidos se veem pressionados a explicitar posições sobre a ruptura frustrada e sobre o papel das Forças Armadas. Setores alinhados ao ex-presidente, que insistem em minimizar os relatos de generais e brigadeiros, enfrentam maior desconfiança de eleitores sensíveis à estabilidade democrática. Ao mesmo tempo, cresce o espaço para discursos que enfatizam preservação das instituições, respeito ao resultado das urnas e combate à desinformação.
O livro de Baptista Júnior tende a funcionar como novo gatilho de controvérsias. Ao prometer detalhes inéditos sobre as pressões por golpe e a reação dentro da Aeronáutica, a obra pode reforçar a narrativa de que houve resistência relevante à ruptura, mas também expor contradições entre diferentes fardas. O grupo político bolsonarista, que já reage às primeiras menções, deve intensificar ataques quando o texto estiver disponível ao público.
A disputa em torno da palavra de um ex-comandante da FAB indica que o balanço do fim do governo Bolsonaro ainda está em aberto. A poucos dias do lançamento do livro e com a campanha em ritmo de confronto diário, a pergunta que se impõe é quanto dessa disputa de versões ainda vai redesenhar alianças, isolar candidaturas e influenciar o voto de um eleitor cansado de crise, mas atento aos sinais de risco para a democracia.
Quem é Carlos de Almeida Baptista Júnior?
Carlos de Almeida Baptista Júnior é brigadeiro da reserva, ex-comandante da Força Aérea Brasileira durante o governo Jair Bolsonaro, general de quatro estrelas da Aeronáutica e hoje figura central no debate sobre a tentativa de golpe de Estado, por causa de seu depoimento ao Supremo e do livro “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”.
Qual foi o cargo anterior de Carlos de Almeida Baptista Júnior na FAB?
O cargo anterior de Carlos de Almeida Baptista Júnior na FAB foi o de comandante da Força Aérea Brasileira, posição máxima da Aeronáutica, ocupada durante o governo Jair Bolsonaro, na qual ele participou diretamente das discussões internas sobre a crise institucional que culminou na tentativa de golpe de Estado posteriormente analisada pelo Supremo.
Por que Carlos de Almeida Baptista Júnior rebateu Flávio Bolsonaro?
Carlos de Almeida Baptista Júnior rebateu Flávio Bolsonaro porque o senador o acusou, em sabatina televisiva, de pedir votos para Lula e ser “completamente parcial” ao relatar o risco de golpe, o que o brigadeiro chamou de “leviandade” e de manobra para fugir de perguntas diretas sobre a tentativa de ruptura institucional no fim do governo Bolsonaro.
Carlos de Almeida Baptista Júnior está fazendo campanha para Lula?
Carlos de Almeida Baptista Júnior afirma que não está fazendo campanha para Lula, nega pedir votos ao presidente e diz que a acusação de Flávio Bolsonaro é “leviandade” usada para evitar responder sobre a tentativa de golpe; ele sustenta que seu depoimento ao STF e seu livro têm foco na defesa da democracia, não em palanque partidário.
Quem é Marcelo Kanitz Damasceno e qual a relação com Carlos de Almeida Baptista Júnior?
Marcelo Kanitz Damasceno é o atual comandante da Força Aérea Brasileira, sucessor de Carlos de Almeida Baptista Júnior no topo da Aeronáutica, e aparece no debate público como símbolo da continuidade institucional da FAB; sua relação com o ex-comandante é profissional, marcada pela transição de comando em meio à controvérsia sobre o papel dos militares na crise política.