Carla Madeira esposa lança “Quando” e expõe homofobia no Brasil

Carla Madeira aborda temas atuais e impactantes em seu novo romance, que já lidera as vendas no país.
Redação NC News
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Carla Madeira coloca a homofobia no centro de seu novo romance, “Quando”, e leva o tema hoje a um videocast e amanhã a um debate público em Belo Horizonte. A autora mais lida do país usa a própria história familiar como ponto de partida para falar de meninas que amam meninas, maternidade, culpa e violência.

Da notícia sobre a filha ao romance que desafia o preconceito

O ponto de inflexão, conta Carla, ocorre quando a filha Ana lhe revela que é lésbica. A escritora se vê obrigada a medir, de perto, o alcance da violência que atinge adolescentes e jovens LGBTQIA+ em um país conservador.

“Não era uma amiga me dizendo que é gay, era a minha filha”, afirma. A partir dali, a casa da escritora passa a receber as amigas da jovem, as “meninas que amam meninas” às quais ela agradece no livro como uma “adorável sapataria”. As conversas com o grupo expõem histórias de rejeição, expulsões de casa e silenciamentos.

Carla percebe que muitos pais “não deram conta” de acolher as filhas. A experiência, que começa no âmbito íntimo, se transforma em matéria literária. Em “Quando”, ela transfigura essas vivências para dentro de uma família de ficção, instalada em Belo Horizonte, cuja trajetória se estende por duas épocas distintas.

Família em ruína e cidade como espelho

O romance, lançado há duas semanas, se passa em 1986 e 2006, sempre na capital mineira. No centro da trama está uma família com mãe, pai e três filhos, atravessada por fraturas que se aprofundam a partir do destino do caçula, Tito. Denunciado pela própria mãe, Viridiana, ele é preso. Depois de solto, resolve ir embora. Vinte anos mais tarde, a mãe, doente, espera a visita do filho que não vê desde então.

O afastamento do caçula reorganiza todas as relações. Maternidade, culpa, violência doméstica e homofobia se cruzam em diálogos cortantes, silêncios longos e decisões irreversíveis. Belo Horizonte aparece como território afetivo, com ruas, bares e memórias que ancoram o enredo na experiência urbana de quem vive em uma grande cidade brasileira marcada por desigualdades e conservadorismo.

Carla insiste que não escreve tese, escreve histórias. Mas reconhece que essas histórias nascem de um contato muito próximo com a realidade. “A grande questão do livro é o que nós não estamos aprendendo como humanidade”, diz. Para ela, olhar para a vida de uma família específica permite enxergar algo do mundo, hoje tomado por intolerância, guerra e ódio.

Sucesso imediato e força no mercado editorial

O impacto se mede também em números. “Quando” é o quarto romance da autora e sai com tiragem inicial de 100 mil exemplares, volume raro no mercado brasileiro. Em poucas semanas, alcança o primeiro lugar nas listas de ficção de grandes rankings nacionais e aparece em segundo lugar na Amazon.

O desempenho reforça uma trajetória construída com “Tudo é rio”, “A natureza da mordida” e “Véspera”, que somam 1,4 milhão de exemplares vendidos. A sequência consolida Carla como uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea, capaz de combinar prosa acessível, densidade emocional e temas espinhosos.

O sucesso comercial também abre espaço para que assuntos como homofobia, violência de gênero e relações familiares rompidas alcancem um público mais amplo, inclusive leitores que, em princípio, poderiam evitar esse debate. O mercado editorial reage com novas reimpressões e destaque nas livrarias, o que retroalimenta a visibilidade da obra.

Videocast hoje, debate amanhã e acesso gratuito

Nesta segunda-feira, às 18h, Carla participa do videocast “Conversa vai, conversa vem”, exibido no YouTube e no Spotify. No programa, ela aprofunda a experiência com a filha e com a “adorável sapataria”, além de discutir o processo de escrita que articula imaginação, memória e afeto.

A agenda segue intensa na terça-feira. Amanhã, às 19h30, a escritora participa de um debate presencial no Cine Theatro Brasil, na Avenida Amazonas, 315, no Centro de Belo Horizonte. O encontro, gratuito, integra o projeto Sempre um Papo TCE Cultural e terá mediação da também escritora e jornalista Giovana Madalosso.

Os ingressos serão distribuídos na bilheteria do teatro a partir das 17h30, um por pessoa. A organização reserva ainda 200 senhas para autógrafos, exclusivas para exemplares de “Quando”. A participação de instituições como o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e o TCE Cultural, com patrocínio de Copasa e Itaú via Lei Rouanet, sinaliza o peso simbólico da obra no circuito cultural.

Embate de narrativas e disputas no espaço público

A recepção calorosa de “Quando” ocorre num contexto de divisão sobre temas de gênero e sexualidade. A obra dá centralidade às experiências de meninas lésbicas, com ênfase na adolescência, fase em que a vulnerabilidade é maior. O gesto coloca a literatura no campo de batalha das narrativas sobre família, direitos e cidadania.

Grupos conservadores tendem a reagir à visibilidade dessas histórias, reforçando o embate entre uma visão de mundo que cobra inclusão e outra que tenta preservar velhas hierarquias. Para leitores LGBTQIA+, educadores e ativistas, o livro funciona como ferramenta de empatia, capaz de aproximar quem nunca viveu essa realidade das dores e escolhas de quem a enfrenta diariamente.

O debate de amanhã em Belo Horizonte deve aprofundar essas tensões. A expectativa é de casa cheia, depois de um primeiro lançamento que já lota a Casa Fiat de Cultura. No palco, Carla e Giovana Madalosso vão discutir não só o enredo, mas também o papel da ficção num momento em que a violência contra pessoas LGBTQIA+ segue alta, e o discurso de ódio ganha espaço em redes e tribunas.

O caminho aberto por “Quando” tende a se desdobrar em clubes de leitura, encontros em escolas e universidades, adaptações para outras linguagens e debates sobre políticas públicas. A cada nova impressão, a pergunta que move o livro volta a ecoar: o que a humanidade ainda não aprendeu sobre afeto, cuidado e responsabilidade diante da diferença?

Qual é o novo livro de Carla Madeira lançado em 2024?

O novo livro de Carla Madeira lançado em 2024 é “Quando”, quarto romance da autora, ambientado em Belo Horizonte em dois tempos distintos, 1986 e 2006, e centrado em uma família marcada pela prisão e afastamento do filho caçula, Tito, para discutir homofobia, maternidade, culpa e violência.

Qual a ordem dos livros da Carla Madeira para ler a trilogia completa?

A trilogia mais conhecida de Carla Madeira pode ser lida na ordem “Tudo é rio”, “A natureza da mordida” e “Véspera”, sequência em que o público acompanhou a consolidação de seu estilo, antes da chegada de “Quando”, que expande o universo temático da autora e não depende da leitura prévia dos anteriores.

Qual livro de Carla Madeira é o mais vendido atualmente?

O livro de Carla Madeira mais vendido atualmente é “Quando”, que, lançado há duas semanas com tiragem inicial de 100 mil exemplares, já ocupa o primeiro lugar nas listas de ficção de grandes rankings nacionais e aparece entre os títulos de maior saída também em plataformas on-line como a Amazon.

Como Carla Madeira aborda a homofobia no seu novo livro?

Carla Madeira aborda a homofobia em “Quando” a partir de histórias de meninas que amam meninas, inspiradas na experiência com a filha lésbica e suas amigas, expondo rejeições familiares, medos cotidianos e violências sutis, e conectando esse núcleo íntimo a uma reflexão mais ampla sobre intolerância, guerra, ódio e incapacidade coletiva de aprender com o sofrimento.

Quando e onde será o debate com Carla Madeira sobre o livro ‘Quando’?

O debate com Carla Madeira sobre o livro “Quando” acontece amanhã, terça-feira, às 19h30, no Cine Theatro Brasil, na Avenida Amazonas, 315, Centro de Belo Horizonte, com entrada franca, distribuição de ingressos a partir das 17h30 na bilheteria e entrega de 200 senhas para sessão de autógrafos exclusiva do novo romance.


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